O povo do Estado do Amapá, tem duas preferências muito importantes as quais tem uma boa aceitação na quase totalidade dessa população. Trata-se da EXPOFEIRA e da complementação alimentar, a Farinha.
A primeira, por se tratar de um evento que acontece anualmente, onde acontece ali, muita movimentação popular, pois estará a sua disposição durante vários dias, apresentações culturais, apresentação de bandas musicais, artistas filhos do Amapá e outros, filhos do restante do Brasil, ainda estará à disposição, comidas típicas, bebidas muitas, exposições de artesanatos, stands de entidades públicas e outras não, parques infantis, danceterias, exposição de animais vários, montaria em animais, palestras e exposições de produtos agropecuários, insumos agropecuário, muita música, leilões vários e a tão propalada rodada de negócios, que a cada ano é dito para todo o povo, que a injeção de recursos para o Estado do Amapá, com essas rodadas de negócios é muito significativo, mostrando com isso que a EXPOFEIRA tem a sua razão de ser, pois está atraindo divisas, turistas, ofertando emprego e conseqüentemente desenvolvimento. Isto é dito para todos os cantos do Amapá.
A segunda, a farinha, é um produto alimentar que faz parte da culinária do povo amapaense, estando presente diariamente nas mesas de quase a totalidade da população Tucuju, saboreada de várias formas e de várias qualidades, sendo muitas vezes imprescindível no consumo do Açai, estando presente culturalmente na vida de todos os amapaenses desde a sua infância, saboreada por todas as pessoas, desde as mais humildes, até as mais abastadas financeiramente, portanto sem distinção de posição social e sem preconceito de qualquer matiz, sendo um produto alimentar muito importante para a manutenção física da população, com receitas deliciosas feitas pelas mãos sagradas de milhares de donas de casa desse povo.
Ai estão dois produtos de muita importância para o povo do Amapá. O que se percebe é que um está tendo uma maior importância, principalmente no seu desenvolvimento de ano para ano, que é a EXPOFEIRA, o que traduz em uma conseqüência salutar para o desenvolvimento. Mas não teria essa que dar maior atenção à segunda, visto que a primeira tem razão de ser também em função, e talvez primordialmente, do setor primário? A segunda, a farinha, não teria que receber royalties da primeira, em razão da sua importância na realização dessa e principalmente por ser produto do setor primário? Esses questionamentos se fazem necessários na medida em que a tendência da feira está deixando muito a desejar no quesito agropecuário, deixando muitas vezes fora de foco as questões dos pequenos produtores, principalmente os de farinha, que lutam com pouquíssimos recursos, com pouquíssimos insumos de agricultura, com pouquíssima assistência técnica rural, com pouquíssima terra, sendo uma cultura da farinha extremamente artesanal, com uma política de escoamento muito precário, trazendo com isso tudo uma resultante que já vem produzindo um efeito muito danoso para o estado, que é a não auto-suficiência na produção de pelo menos Farinha.
A EXPOFEIRA, deveria dar respostas a esses questionamentos, e não só respostas, mas ajudar a tomar iniciativas relevantes e necessárias, proporcionando com recursos arrecadados, que esses sejam também direcionados para uma política que proponha ao agricultor, um pacto, objetivando trabalhos conjuntos na direção de uma execução, que seja a busca de uma auto suficiência, de um produto que de primeira vista, para os menos incautos, possa parecer sem muita importância, mas que ao se verificar o quanto de divisas é mandada para fora do estado com o propósito de adquirir farinha para a mesa do povo do Amapá, verá que são divisas importantíssimas, que poderiam estar nas mãos e nas enxadas dos homens e das mulheres que estão nas roças desse estado.
Auto suficientes, porque o estado não o é em quase nada, principalmente ao se falar em setor primário, sendo o setor primário a mola do desenvolvimento de uma região? Porque não traçar essa meta. A Farinha há de esperar por muito tempo ainda? Se o Estado do Amapá fosse auto-suficiente em Farinha, a história desse estado seria outra, certamente com muito mais sabor e “sustância”.
Professor Alcides de Oliveira
alcides.oliveira2005@ig.com.br
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