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Sindicato denuncia violência e más condições de trabalho com menores no Amapá

Violência contra os servidores são uma constante, Monique Jomar foi agredida
Violência contra os servidores são uma constante, Monique Jomar foi agredida

DENÚNCIA

No dia 22 de julho de 2009, por volta das 17h20min, no Núcleo de Medida Socioeducativa de Internação Masculina, antigo Aninga, a servidora Monique Jomar durante a realização de suas atividades como educadora social foi bruta e covardemente agredida pelo interno J.M., sem nenhum motivo aparente.
No momento da agressão, a educadora ficou isolada no bloco onde fica a sala dos educadores, em virtude da chuva, enquanto os demais servidores estavam em seus respectivos postos. A educadora conversava com dois outros internos quando o agressor se aproximou e participou da conversa, em seguida o jovem agrediu a servidora com socos, pontapés e puxões de cabelo, e somente parou quando a sirene foi acionada e os policiais entraram na área.
Cumpre destacar que se tratava de um dia de visita, no qual os servidores encontravam-se em postos de trabalho diferenciados e distantes dentro da unidade. Além disso, havia 47 internos para serem atendidos por um número insuficiente de 07 educadores.
É importante frisar que este não é o primeiro caso de agressão física sofrida por um educador, e as agressões verbais e pressões psicológicas por parte dos adolescentes é constante em todas as unidades da fundação.
É necessário esclarecer que o Núcleo de Internação é uma das unidades que integra a Fundação da Criança e do Adolescente – FCRIA, juntamente com as unidades Abrigo Lar Ciã-Katuá, Semiliberdade, Centro de Internação Provisória – CIP e Centro de Internação Feminina – CIFEM, sendo que estas últimas dividem o mesmo espaço físico, fato este de conhecimento de órgãos como Ministério Público.
Nestas unidades, os servidores desempenham suas atividades com dificuldades: no Abrigo e na Casa de Semiliberdade não existe sala para educadores e não há banheiro para servidores (as fechaduras estão quebradas, telhas e forros precários), no CIP/CIFEM o alambrado e o telhado da quadra estão deteriorados, Em todas as unidades a iluminação é péssima, as fossas estão abertas e transbordando, área alagada e sem passarelas, sem contar que a proliferação de ratos e baratas é enorme.

No que tange ao desempenho de trabalho tem-se uma grande dificuldade, pois a falta de materias impede a execução de projetos e atividades a serem desenvolvidas com publico alvo. Referente aos materiais de trabalho é constante a falta de radiotransmissores (principal objeto de comunicação com a guarda e, conseqüentemente, nossa defesa), armários, cadeiras, mesas, sofás, canetas, papeis dentre outros.
Ressalta-se que os servidores trabalham sem o mínimo de segurança, pois, na maioria das Unidades, a quantidade de efetivo policial é reduzida, e quase diariamente são encontrados “estoques” (objetos perfuro cortantes) em posse dos socioeducandos, durante as revistas. Em unidades como a internação provisória, a falta de segurança é tamanha, que os invasores adentram para deixar armas, bebidas e cigarros, quando não, entram para realizar resgates de internos.

Em outras unidades como a Casa de Semiliberdade, os plantões noturnos funcionam apenas com um policial e dois educadores, além do que os alojamentos destinados aos jovens possuem grades serradas e forros arrancados, o que facilita a entrada de bebidas, drogas e pessoas estranhas a unidade e possibilita aos jovens “escaparem” durante a madrugada e retornaram antes do amanhecer, por vezes embriagados.
A falta de respeito e a desvalorização profissional são constantes na FCRIA, fato este comprovado quanto ao auxílio alimentação que não é fornecido e ainda quando os educadores fazem as refeições nas unidades têm que se contentar com o que sobra dos adolescentes (que são prioridades), as condições de trabalho são péssimas, o que tem ocasionado a diminuição progressiva de educadores, que preferem à iniciativa privada ao serviço público do Estado.
Destacamos que para um trabalho que exige elevado desgaste psicossomático, não há nenhum acompanhamento psicológico ou terapia de grupo, principalmente porque o Estado não disponibiliza plano de saúde para servidores, que geralmente recorrem a planos privados ou consultas psicológicas particulares para serem tratados.
Nesse contexto, é imperiosa a necessidade de novo concurso público para FCRIA, comprovada pela realização de contratos administrativos com pessoas estranhas ao serviço público, em que esses contratados desempenham atividades até de educadores, o que é proibido por lei para administração pública. Entretanto o concurso para FCRIA não está contemplado no cronograma estabelecido pelo Governo do Estado, o que revela o total descaso para com a situação dos profissionais da área.
São necessárias providências para que tais situações não venham a se repetir e para que haja melhora no desempenho das funções de uma profissão tão complexa, porém ainda incompreendida por grande parte da sociedade, evitando-se a ocorrência de danos à saúde e que vidas sejam prematuramente ceifadas.

Sindicato do Grupo Socioeducativo e de Proteção – SINGSEP

Esgoto a céu aberto
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Comentários

2 comentários para “Sindicato denuncia violência e más condições de trabalho com menores no Amapá”

  1. Isso é um absurdo!!!
    Como esses educadores podem garantir a ressocialização desses adolescentes, senão possuem as mínimas condições para realização de um bom trabalho?

    Escrito por João | 9/08/2009, 22:09
  2. Nós Agentes de Segurança socioeducativo de Minas Gerais estamos enviando o endereço de nosso blog que é uma de nossas ferramentas de luta para valorização dos servidores e de todo o sistema socioeducativo de Minas e do País.
    http://www.agentesocioeducativo.blogspot.com
    Mandamos um forte abraço.

    Escrito por Agentes de Segurança Socioeducativo de Minas Gerais | 22/01/2010, 21:12

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