No dia 24 de junho de 2009 completou nove anos que moro em Macapá – AP. Sou paraibano de nascimento, passei minha infância e grande parte da juventude em Belém do Pará, cidade conhecida pela fé de um povo, pelas belas mangueiras e pela forma acolhedora de seus moradores. Mas hoje recebo mais uma noticia triste dessa terra de bons homens e mulheres. Mais uma noticia de extrema violência, de total desvalorização da vida humana.
Emerson Michel da Costa Gomes um menino de corpo frágil de uma coragem imensa foi vitima do mais terrível mal que toma conta das grandes cidades, que está em cada canto da cidade por onde eu fui menino, por onde me tornei um homem, por onde eu me tornei pai. Ele morreu na madrugada de anteontem, após ter sido alvejado com um tiro no quadril para salvar, na noite de domingo, 2 de agosto, a vida de um amigo de seis anos de idade, com quem brincava na rua Apocalipse, na área do Riacho Doce, no bairro do Guamá.
Agora enxugando minhas lágrimas me vejo assustado, angustiado e extremamente aborrecido com a completa inércia do Poder Público que não consegue superar a crueldade dos ladrões de celular que empunham armas como verdadeiros cavaleiros da morte e são facilmente encontrados na Rua Apocalipse na área do Riacho Doce, do Bairro da Pedreira no Distrito Industrial, etc.
Um menino que se torna herói, que se torna um anjo sem saber, sem pensar, sem querer. Foi isso que a violência fez dele. Mas, eu não o quero um herói. Quero ele um menino como meus filhos, quero ele brincando, correndo, estudando. Sei que ele não queria ser herói, sei que seus pais também não, mas agora a única coisa que os consola é o orgulho de saberem que tentaram ser vitoriosos na sua criação, mas ficaram impotentes diante da crueldade que tomou conta da “Cidade das Mangueiras.”
Luciano Maia Bezerra
De fato, só havera mobilização afavor da garantia da vida quando realmente houver por parte de todos o amor pela vida, o respeito a todos, criança, idosos, mulheres, homens… isto é garantia da não violação de direitos.
É de arrepiar, ao ter conhecimento de mais uma crianças vítima de violência urbana, como se já não bastasse a violência doméstica, a sexual, a psicológica…
É de inquietar, ver a brincadeira virá tragédia. É, porque tal cena, poderia ser apenas uma brincadeira de criança, tipo: polícia e ladrão. Igual desenho animado, aonde o ferido continua vivo no próximo episódio.
É temerário ver esses pais que sofrem a dor da perda de um filho, embora conformados, pela ideia de seu heroísmo, tenham apenas isso como alento. Mesmo que se clame por justiça, sabemos que ela é cega… e lenta.
O menino virou herói, virou anjo, virou estatística.
E assim caminha a humanidade…