Macapá, reduto de lugares marcantes pela sua beleza, pela sua paz e pela sua simplicidade, mas ao mesmo tempo altiva ao proteger seus filhos e filhas em suas casas, com uma segurança que sem pedir vinha através da convivência de todos com todos, vinha de um povo ordeiro, do respeito de todos, do buscar da paz, vinha do semblante sincero de uma gente sincera, vinha da amizade recíproca entre vizinhos, vinha do gosto saboroso de ser povo amapaense, orgulhoso de suas tradições e portanto sensível no buscar da felicidade para todos uns do lado dos outros nessa busca, tendo o grandiosos Rio Amazonas e a Fortaleza como testemunha dessa busca.
Macapá exalava passividade sem deixar de ser obreira, Macapá exalava o cheiro do Paxuli em sua gente, tacacazeiras muitas, festas muitas, no arraial de São José em frente a Matriz, o girar de pessoas pela praça como um pião lançado, tinha a Fortaleza de Macapá que em cada cantinho um casal de namorados com juras de amor, tinha o Igarapé das Mulheres com suas pontes, mas saudável ao aportar seus barcos e a comercializar porquinhos, galinhas, patos,camarão, banana, farinha e comprar roscas, cacetinhos, donzelas e tabaco para levar ao interior, tinha as tertúlias no Clube do Trem, domingos a tarde, encontro de gente jovem bonita em busca de dança e de namoro, tinha o Urca Bar com o seu Alemão, tinha o Gato Azul, tinha o Quente Frio e o Papai Noel, tinha a Lanchonete Marco Zero, tinha a Rádio Patrulha Violino, tinha o Açai do grosso barato para todos, tinha a briosa guarda territorial, tinha as lojas Pernambucanas e o Rei da Roupa, tinha a Praia do Araxá lotada aos sábados e domingos por quem até a Praia da Fazendinha não podia estar, tinha o Cine Equatorial,tinha a Panificadora Romana e o vizinho Uirapuru, tinha o Praxedes e sua cerveja gelada, tinha o Jussarão e a Suerda, tinha o Bar Caboclo e o Bar Du Abreu, tinha o Chapéu de Palha, tinha a maravilhosa Praia da Fazendinha lotada aos finais de semana, freqüentadores assíduos a noite e o seu camarão que fazia o turista voltar, tinha os lugarzinhos escuros onde os namorados os fazia seus para trocas de amores, sem mal algum a espreitar, tinha redes nas varandas das casas usadas para a noite se poder dormir ao sabor da brisa do Rio Amazonas, sem se preocupar com a fechadura das portas ou das janelas, tinha um povo bonito, um povo ordeiro, um povo amante de sua terra, tinha-se tudo isso e muito mais a fazer do povo de Macapá, um povo feliz.
A tudo isso juntava-se a beleza natural de Macapá, com o seu Rio Amazonas, e a beleza fruto do trabalho de seu povo, como a limpeza da cidade, como a Fortaleza de São José, com suas ruas simples, mas limpas e ordenadas, com iluminação pouca mas bucólica, com suas praças carinhosamente cuidadas e vivas de tanta gente buscá-las com suas crianças e seus idosos para passear, com a fantástica quantidade de alunos e alunas nas manhãs, a tarde e a noite rumando para as escolas, colocando em admiração os que aqui estavam em visita, o mercado central ponto principal de compra de carne e de peixe, as feiras visitadas por donas de casa em busca do tempero ideal, o comércio com a sua concorrência justa vendendo o que a comunidade necessitava, os cantos das ruas com suas senhoras tacacazeiras vestidas a caráter, recebendo a todos com muito carinho e educação e tinha o seu povo, povo trabalhador, guerreiro, amante de sua terra Tucuju, um povo que menos migrava para outras paragens, um povo esquecido muitas vezes pelo resto do País, mas determinado a ser feliz, um povo que com sua simplicidade, mas altivo, um dia fez desse pedaço de chão brasileiro, dessa cidade amazônida, dessa capital do Estado do Amapá, a Cidade Jóia da Amazônia.
Professor Alcides de Oliveira
alcides.oliveira2005@ig.com.br
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