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Governabilidade, um blefe – Por Rup Silva

Por Rupsilva

Que diabo afinal é essa tal “governabilidade” que tanto falam Lula, petistas, peemedebistas e aliados do governo?

Qual o seu sentido verdadeiro ou o que será que existe de verdade por trás da exagerada importância que os amigos de Sarney lhe dão sempre que o chefe está acuado, lhe atribuindo o papel de fiador e guardião?

Pelo que tenho conhecimento o Brasil é um Estado consolidado com seus Poderes constituídos e instituições funcionando em plena normalidade, regido por uma Constituição que regula o funcionamento dos Poderes e relação dos cidadãos com o Estado.

Daí causar espécie que áulicos do maranhense, queiram nos convencer que o funcionamento do Estado brasileiro esteja sujeito ao humor e a vontade do chefe pelos “relevantes” serviços prestados ao país.

Aliás, prestar bons serviços ao país, aqui e alhures, não é favor, é uma obrigação, espécie de dever cívico de todo cidadão. Crime de lesa pátria é atentar contra os interesses do Estado, que se reveste de maior gravidade quando praticado por alguém presidente, pago pelo cidadão.

Depois ensina a norma constitucional que somos todos iguais perante a lei. Está escrito lá. A evocação de uma biografia, ainda mais quando construída sobre fatos e feitos históricos discutíveis, não pode ser usada como pretexto para o usufruto de privilégios e para colocar alguém fora do alcance da lei.

Mesmo que esse seja o entendimento de Lula e claro de Sarney, duas autoridades que, pela importância do cargo, deveriam dar exemplo ao país ao em vez de colocar dúvida na interpretação da lei. Uma biografia é só uma biografia. Cada um tem a sua.

Nixon tinha uma, mas perdeu o mandato por infligir a lei. Fujimore também, e está preso; Milosovic, a raposa, enfrentou um tribunal humanitário e suicidou-se. Da mesma forma que nos países orientais governantes dão fim a vida sob o peso da vergonha de seus atos.

Retorno ao tema “governabilidade” com a mesma desconfiança e o descrédito de sempre. Agora, nesse momento, Sarney, o Sr. governabilidade, está nu perante a nação brasileira, execrado pela opinião pública sob o peso de acusações que não consegue refutar.

Pode, então, alguém lhe atribuir – se é que existe, essa tal governabilidade e tamanha responsabilidade?

Uma pessoa que transformou o serviço público fonte do seu poder, tratado como um cômodo de sua casa, pode ser considerada tão poderosa e o ponto de equilíbrio das instituições brasileiras?

O que falta se dizer ao país é como pôde, alguém como Sarney, ainda que ex-presidente da República, manter durante todos esses anos escondido da maioria dos brasileiros, tanta imoralidade?

E como consegue sobreviver por tanto tempo um político retrô que distribui cargos públicos na família, entre amigos e séqüitos que fazem parte de seus interesses mais cavilosos?

Político que trata seus adversários como “inimigos” como um coronel de barranco faz, roubando-lhes mandatos e dando a aliados fiéis, como fez aqui e no Maranhão?

Como atribuir tanto poder e a governabilidade da pátria brasileira a uma figura cujos interlocutores e aliados mais credenciados estão indiciados por crimes de toda sorte nos tribunais do país?

Impunes, segundo se comenta, por sua ingerência e influência? Casos de Renan Calheiros, Jader Barbalho, Romero Jucá e outros menos notáveis.

Acredito, como milhares de outras cabeças, que essa tal governabilidade é um blefe. Uma farsa, um artifício dos fracos para fingir-se de forte e atemorizar os adversários. Como fez o coxo de “Os Suspeitos” que inventou o personagem Kaiser Mose para amedrontar seus desafetos e mantê-los na defensiva.

Pago pra ver. Duvido que o país vire pó se mandarem Sarney para casa. A menos que a lenda do seu poder junto aos Poderes não seja uma lenda. A menos que tenha um exercito invisível, pronto a nos transformar, novamente, numa republiqueta de bananas.

Sarney blefa. O país é outro e só quem acredita nessa coisa de governabilidade é o Lula, por sinal mais forte e maior que Sarney. Por que será então?

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

2 comentários para “Governabilidade, um blefe – Por Rup Silva”

  1. Como sempre, RUPSILVA, abrindo nossas mentes…

    Escrito por Alex Nazaré | 25/07/2009, 15:26
  2. Simplemente brilhante!

    Escrito por Nezimar Borges | 28/07/2009, 11:20

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