Arraes legendado
Campanha Eleitoral de 1994. De um lado Miguel Arraes (PSB) e do outro Gustavo Krause (PFL). Por determinação da legislação eleitoral, os Programas Políticos (Guia Eleitoral) teriam que ser gravados apenas com imagens feitas em estúdio. Nada de efeitos especiais. Para comandar o Guia de Arraes veio da Bahia o jornalista e marqueteiro Chico Bruno, que entraria para o folclore político como o homem que colocou legenda nas falas de Miguel Arraes (cuja pronúncia, quando queria, era de pouca inteligibilidade). A atitude de Chico Bruno mexeu com os brios da família do candidato. Fui, então, procurado pelo jornalista Ricardo Leitão que me informou do afastamento do marqueteiro baiano e de sua substituição pelo publicitário João Falcão, vindo pelas mãos de Guel Arraes. O mais incrível é que a ideia do Chico Bruno de legendar as falas de Arraes é hoje uma realidade. É Lei. Vivemos num país de quase 6 milhões de deficientes auditivos.
Essa e outras histórias deliciosas estão no livro “É tudo verdade. Memórias de um repórter”, do jornalista pernambucano Ricardo Carvalho, que será lançado segunda-feira (27) às 19:00, na Ana Góes Recepções, no bairro do Recife Antigo.
A violência de Sarney
10 de novembro de 1988. No dia anterior, o Exército invade a Siderúrgica Volta Redonda, no Estado do Rio de Janeiro, para retirar operários em greve. Entra atirando. Resultado: três operários mortos e quase uma centena de feridos. Tombaram mortos Carlos Alberto Barroso, 19 anos; Walmir Freire Monteiro, 27 anos, e William Fernando Leite, 22 anos. A notícia chocou a todos na TV Viva, onde se produzia o Programa Político de Marcus Cunha (PMDB) à Prefeitura do Recife. Numa reunião com Roberto Menezes e Marcílio Brandão, ficou decidido que teríamos um editorial, no programa da noite, comentando o fato. Convocamos o jornalista Homero Fonseca, assessor de Imprensa do prefeito Jarbas Vasconcelos, para redigir o documento, que, lido pelo locutor Fernando Freitas, dizia entre outras coisas: “O Governo José Sarney assume postura autoritária diante do povo (…) com os operários das estatais, emprega a força, utilizando-se do Exército brasileiro para sufocar uma greve pacífica e legítima por aumento de salários…”. O Editorial caiu como uma bomba. Foi o único Programa Eleitoral, em todo o país, a falar daquela violência. Logo após sua exibição, o telefone da TV Viva toca. Era o jornalista Ricardo Leitão, secretário de Imprensa do Governo Arraes, bastante irritado e querendo saber quem tinha autorizado aquele Editorial. Minha resposta foi curta e grossa: “Leitão, vai à merda”. E desliguei o telefone. Era um desabafo, pelo total isolamento por que passamos ao longo da campanha. Naquela noite, tomamos uma cerveja no Bar do Cabela, ali em Olinda. E que noitada…
Essa e outras histórias deliciosas estão no livro “É tudo verdade. Memórias de um repórter”, do jornalista pernambucano Ricardo Carvalho, que será lançado segunda-feira (27) às 19:00, na Ana Góes Recepções, no bairro do Recife Antigo.
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