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Artigo

PONTO & CONTRAPONTO – dois artigos com visões diferentes sobre a Festa de São Tiago – Por Gabriel Penha e Chico Terra

Ponto

Por que o Festival do Camarão é um sucesso e a Festa de São Tiago estagnou

Por Gabriel Penha

gabrielpenha
gabrielpenha
Este ano, o Festival do Camarão, em Afuá (PA), coincide com a Festa de São Tiago, em Mazagão Velho (AP), nos dias 24, 25 e 26 de julho. Nem é preciso bola de cristal para dizer que o amapaense, em sua maioria, vai preferir a Veneza Marajoara ao distrito mazaganense. Mas, afinal, por que o festival afuaense é um sucesso, atraindo, a cada ano, mais visitantes e a Festa de São Tiago estagnou?
A resposta é: sensibilidade e visão administrativa. Ou a falta delas. Comparando os dois gestores, encontramos um enorme paradoxo. EM AFUÁ, o prefeito Mazinho Salomão (PSDB) já se conscientizou que o Festival do Camarão é o grande evento da cidade e procurou, ousadamente, investir em atrações nacionais para chamar os turistas – mesmo com uma viagem de barco que dura quase cinco horas; o resultado disso é o crescimento e fortalecimento do setor de hotelaria e de restaurantes.
Outro ponto crucial para a grande aceitação e divulgação positiva do festival é o bom relacionamento da Prefeitura com a imprensa. Além de dispensar toda a atenção às equipes de reportagens, os assessores de Mazinho disponibilizam as condições para que elas possam trabalhar bem durante os dias de festival, pois são os meios de comunicação os responsáveis por trabalhar a imagem positiva do evento junto à opinião pública.
JÁ EM MAZAGÃO Velho, a cada ano a Festa de São Tiago perde mais espectadores para o Festival do Camarão – mesmo a encenação tendo 232 anos, contra apenas 27 da festa de Afuá. Isso porque a vila ainda sofre com o isolamento parcial com a necessidade de demoradas travessias em duas balsas, nos rios Matapi e Vila Nova, que cortam a estrada e uma estrada de terra mal-cuidada; na época da festa, a fila para as balsas é quilométrica. As pontes que nunca saem!
Outro ponto que depõe contra a festa mazaganense é a inexistência de uma estrutura de hotéis e restaurantes na vila de Mazagão Velho. O hotel melhor estruturado fica em Mazagão Novo, o que na prática obriga o turista a fazer um trajeto de cerca de 30 km entre o ponto da festa e o local de hospedagem. Isso se explica porque fatalmente qualquer investimento no setor corre grande risco de fechar, já que os olhos do poder público só se voltam para Mazagão Velho nesta época do ano, porém, a vila fica esquecida nos outros meses, mesmo com outros eventos religiosos e culturais. É fato que a comunidade, aguerrida e hospitaleira, ainda se esforça, abrindo as portas de casa para receber visitantes, mas também é fato que o turista quer conforto e tem dinheiro para pagá-lo.
O prefeito José Carlos Carvalho, o “Marmitão” (PDT) também não percebeu a importância dos meios de comunicação para o sucesso do evento. Ao contrário, trata jornalistas com indiferença e desdém. Este ano, coloquei à disposição da prefeitura o projeto de um jornal impresso para circular na Festa de São Tiago, o CORREIO DE MAZAGÃO, que iria funcionar como um guia para o visitante, trazendo matérias especiais sobre a festa e outros assuntos de Mazagão Velho; mesmo com o jornal quase finalizado, a resposta da prefeitura foi negativa, mesmo com insistentes contatos junto ao prefeito e ao assessor de imprensa dele, radialista Rodrigo Silva.
Lamentavelmente, o projeto teve de ser abortado por falta de apoio de quem deveria, obrigatoriamente, apoiar a divulgação da cultura mazaganense. Projeto assinado por quem já conseguiu levar a Festa de São Tiago para as páginas do jornal paraense O LIBERAL (24 de julho de 2007, Caderno Magazine, página 3); projeto assinado por quem tem pai, avó, avó, tios e primos nascidos e criados em Mazagão Velho. O mesmo aconteceu com o jornalista Hércules Góes, diretor da revista ECOTURISMO, que circula em toda a Região Norte. Góes acenou a possibilidade de publicação de extensa matéria sobre a Festa de São Tiago deste ano, mas não recebeu qualquer resposta de Marmitão.
Mesmo com a manifestação cultural tendo mais de dois séculos, a comunidade também sofre com a falta de investimentos no turismo. A maior conquista seria a reforma da passarela que permite o visitante conhecer as duas margens do rio corre o risco de não terminar a tempo dos dias da festa; não se pode negar que a colocação de blocos de concreto nas ruas por onde passa o Círio do dia 25 é um marco, mas para inglês ver.
Mesmo assim, a cada Festa de São Tiago surgem “novos projetos” para a manifestação cultural e para a comunidade, mas que nunca saem do papel. O maior exemplo disso foi em 23 de janeiro de 2006, quando o governo e a prefeitura fizeram uma pomposa festa de aniversário dos 236 anos de Mazagão Velho – com a presença de representantes dos governos de Portugal e Marrocos. A festa celebrou a homenagem militar às ossadas dos primeiros habitantes da região, encontradas pela equipe de Arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Também foram encontradas as ruínas de uma igreja do século 18. À época, se anunciou a criação de um museu para preservar os achados, mas hoje a realidade é o abando das ruínas da igreja e a não-conclusão dos trabalhos dos arqueólogos. Até aqui, apenas promessas não cumpridas.

GABRIEL PENHA – JORNALISTA
(Reg. Prof. 002/2004 DRT-AP)
Contato: (96) 8115-7384
e-mail: gabrielpenha@folha.com.br

Contraponto

O que não dá pra comparar

Por Chico Terra

chicoterra
chicoterra
Um artigo do jornalista Gabriel Penha da Silva critica o prefeito de Mazagão José Carlos Marmitão por possível decadência na festa de São Tiago que acontece no mesmo período do festival do Camarão no município de Afuá. O buraco é bem mais em baixo.
São dois eventos totalmente distintos. Um significa religiosidade e tradição e o outro é pura festa de verão. Não há como comparar a tradição de Mazagão Velho que já ocorre a séculos com uma festa como a do camarão em Afuá, justamente pela enorme diferença entre ambas.

Quem conhece a festa de São Tiago sabe do valor da manifestação cultural onde a própria cidade que atravessou o oceano atlântico se faz representar atuando em um teatro a céu aberto, narrando sua história, sendo o próprio povo os atores. Já o Afuá, é uma festa onde predomina a cultura da moda onde ao som de muito brega, bundas desfilam ao sol, gente toma banho de rio durante o dia e a noite, uma bebedeira sem fim com bandas se revesam tocando músicas, ao meu ver, de péssimo gosto a noite inteira. Ou seja, duas festas totalmente distintas uma da outra, repito.

É lógico e evidente que sempre o festival do camarão irá atrair mais pessoas independente do tempo que é realizada a festa ou da ação política de tal ou tal prefeito. A grande maioria da população do Amapá que é de fora, não liga para tradição, não valoriza o que o estado tem de mais puro em termos de cultura. Já ouvi de cabeças ditas “pensantes” do Amapá, que o marabaixo precisa ser estilizado para atrair público. Imagina que absurdo!

Mas a razão que levou meu amigo Gabriel a escrever seu artigo foi porque teve interesses pessoais prejudicados pelo prefeito Marmitão. Ele e outros jornalistas queriam publicar um jornal que circularia durante a festa de São Tiago, procuraram o prefeito em busca de patrocínio e não obtiveram êxito. E o que mais chateou o Gabriel, percebe-se no texto, é que ele como filho legítimo de Mazagão, teve seu projeto jogado na lata do lixo. Isso deve doer mesmo.

Gabriel estaria errado em seu pleito? Claro que não! Verba pública é para apoiar a cultura e divulgação é extremamente essencial para que a cultura se torne realmente popular. Não há nada de errado se pedir dinheiro para determinado trabalho em prol da cultura, mas, estamos no Amapá Gabriel. Aqui onde tudo é motivo para politicagem, não é levado em conta se você tem ou não competência – a SECULT é um exemplo disso – para realizar este ou aquele trabalho, mas sim a cor partidária de plantão que manda no poder. E isso é motivo de vergonha e cabe uma reflexão intensa por quem faz publicidade ou jornalismo no Amapá.

Onde está o financiamento público para uma imprensa livre?

Trabalhamos neste portal desde 3 de novembro de 2000 e nunca tivemos apoio, justamente por sustentar a idéia da imprensa independente. E olhem, eles sabem que a internet que vem suplantando todas as outras mídias é o melhor meio de divulgar a cultura e o turismo, mas também compartilhar as dores do povo denunciando para a humanidade aquilo que seus algozes praticam na calada da noite ou em plena luz do dia contra a humanidade, como temos feito com monstros que comem corações de crianças na Mãe África. Por isso mesmo tentam de toda maneira brecar a ação de jornalistas que a eles não se submetem.

Nossos jornalistas se curvaram aos políticos em nome de um conforto (ou sobrevivência) que dura enquanto duram os mandatos dos mandantes. Assemelham-se a moscas em cima do bolo que não ficará na mesa durante muito tempo e quando o bolo some, ao invés de se fortalecer pela crítica responsável, tornam-se cúmplices de subseqüentes governos déspotas cujas ações malévolas ao povo são jogadas para debaixo do tapete por aqueles que não tem coragem de denunciar. Quem tocou na febre por oropouche causada pela picada de um maroim que prolifera onde há lixo e falta de saneamento, que está ocorrendo em Mazagão nesse exato período da festa? Exatamente por esse motivo, a desinformação pela imprensa e autoridades de saúde, que não esclarecem sobre o problema, desaconselho a quem que seja, ir a Mazagão este ano.

Nem seria interessante, um município sem condições de higiene receber multidões como o Festival do Camarão. Está passando da hora da mídia do Amapá parar de divulgar somente o que há de “positivo” e começar a discutir mais com a sociedade seus reais problemas.

Sem querer me alongar demais nesse assunto, digo sob pena de despertar a fúria de colegas contra minha pessoa, me entristece fazer parte de uma categoria de profissionais que mostram mais festa que os dramas da população e que os mesmos, à guisa de cachorrinhos, comem o que sobra na mesa dos políticos, esses mesmos imorais, defendidos “DiarioMente” na imprensa daqui, (leia-se Sarney & Cia), mas que, em rede nacional todos os dias envergonham e massacram o povo brasileiro. É deprimente para nós, pessoa comum.

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

3 comentários para “PONTO & CONTRAPONTO – dois artigos com visões diferentes sobre a Festa de São Tiago – Por Gabriel Penha e Chico Terra”

  1. Tanto Gabriel Penha como Chico Terra tem razão, quando opinam sobre a Festa de São Tiago, em Mazagão Velho (AP) e a Festa do Camarâo, em Afuá (PA). Valorizar as tradições culturais e envestir em turismo no Estado do Amapá, é uma piada.

    Piada, porque paraece que esses investimentos, para alguns administradores públicos é onerar os cofres públicos. Ou eles, não entendem de coisa alguma, ou o dinheiro é desviado para outras coisas ilegais…

    Bom, certo é que no Afuá, o investimento é gritante para movimentar o turismo da “Veneza Marajoara”, e tá dando certo. Lá, os administradores de Afuá estão fazendo a sua parte (com brega e tudo, com bom ou mau gosto…). Aqui no Amapá, como diz o Chico Terra, só se apoia se tiver corde bandeira política. E aí, meu amigo, tudo termina em politicagem e o dinheiro, que seria para o foratalecimento da CULTURA e do TURISMO, é furtado e colocado para ELEGER esse ou aquele POLÍTICO.

    Assim é o AMAPÁ. Por isso vemos esse marasmo tanto na CULTURA como no TURISMO.

    Gabriel Penha e Chico Terra tem razão. Os ATRAZADOS e sem VISÃO NEHUMA são os políticos AMAPAENSES.

    Eu, hein?

    Escrito por Tico Bauhaus | 19/07/2009, 8:28
  2. A DISPARIDADE ENTRE OS DOIS FESTEJOS SÃO ENORMES. PORÉM É BOM ESCLARECER (E QUE MUITA GENTE ESQUECER LEVADO PELO CALOR DA EMOÇAO DAS FESTAS) QUE NEM SÓ DE FESTA VIVE O POVO. NUM ESTADO ONDE SE FAZ ANIVERSARIO ATÉ POR DOIS QUILOMETROS DE ESTRADA ASFALTA, É PRECISO SE PREOCUPAR MAIS COM SERVIÇOS ESSENCIAIS QUE POVO PRECISA. MAZAGAO VELHO, APESAR DO PESO CULTURAL QUE TEM, DESDE QUE QUE EU ME ENTENDO POR GENTE – E EU POSSO FALAR ISSO PORK SOU DE LÁ – VIVE ISOLADO À DECADAS, POIS A ESTRADA DE ACESSO MAIS PARECE UMA PISTA PARA FAZER RALLY. ISSO SIM É VERGONHOSO E INACEITAVEL. A BURAQUEIRA É TAMANHA QUE NEM O GOVERNADOR TEM CORAGEM DE TRAFEGAR POR ELA; VAI DE HELICOPTERO. É MOLE OU QUER MAIS. COMO É QUE UM ESTADO QUER FOMENTAR O TURISMO SE AS ESTRADAS QUE DAO VASAO AO INTERIOR ESTAO INTRAFEGAVEIS. É SÓ IR ATÉ O MUNICIPIO DE CUTIAS PARA CONSTATAR. FALAR NISSO, E O ASFALTO ATÉ O OIAPOQUE QUE NÃO TERMINA, HEIN! SERÁ QUE NO MEIO DO CAMINHO, ELES ENCONTRARAM UM FILÃO DE OURO E POR LÁ FICARAM? SÓ PODE, PARA DEMORAR TANTO ASSIM…

    Escrito por ALAELSO VIDEIRA BOSQUE | 19/07/2009, 13:03
  3. Gabriel Penha, o município de Mazagão assim como a maioria dos municípios amapaenses não possuem projetos consistentes de desenvolvimento. Nem as prefeituras e nem o governo Waldez são realmente compromissados com o pleno crescimento dessas regiões, vitais e estratégicos principalmente para produção de alimento. Sem dúvida a festa de São Tiago é algo culturalmente viável para pontencializar parte da economia local, mas não é o todo. Neste sentido concordo com Chico Terra, é preciso entender que o formato da festa de São Tiago deve valorizar a própria história do Amapá, a realidade cultural de um povo que remonta à Idade Média. Portanto, há necessidade de convênios com instituções universitárias, Museus, relação intercâmbio Brasil/Portugal porque o projeto turístico e outros tipos se constroem de forma permanente e muito bem elaborada, o que não é o caso. Gabriel, Amapá pode ser uma bela referência turística como fonte de conhecimento da história da humanidade. Agora, infelizmente o que sobra é pura politicagem. A sempre possibilidade de tudo neste estado virar um palanque eleitoreiro. Até um semáforo foi inaugurado!

    Escrito por Tião Viena | 21/07/2009, 0:49

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