Por Ademir Pedrosa
pedrosademir@hotmail.com
Estou de acordo com o acordo ortográfico. Havia muitos acentos, e desnecessários. A abolição do trema eu achei justo, dava uma trabalheira danada fazer aquela operação para digitar o minúsculo sinal do trema no u. A queda do acento dos ditongos abertos eu achei cruel, mas necessário. Agora, o ditongo aberto de “idéia” sem o acento, parece que deixou a palavra oca, ou mutilada.
Leitor, você não acha que “idéia” sem o acento ficou um tanto deselegante? Fica desarrazoado fazer uma construção frasal em que se mencione “uma idéia brilhante”, parece que é inverossímil; idéia sem o acento dá a impressão de ser menos brilhante. Mas a regra é clara, e a partir de 2012 aquele fidalgo sinalzinho vai pra cucuia, abduzido pelo rigor da Lei. Este preâmbulo onde me detenho, leitor, é de abrir espaço para aplaudir a “idéia fixa” do Capi – com acento –, e que segundo ele próprio, foi uma obstinação durante toda a sua carreira política.
Nunca nos anais de nossa história foi registrada a cassação de um senador, salvo durante o regime discricionário militar, através do espúrio AI-5. Aliás, no episódio de cassação de João Capiberibe havia furtivos resquícios do antigo regime ditatorial. Ele não teve o elementar direito de defesa, e isso me basta para que eu faça a ilação de sua inconstitucionalidade. Aplicaram-lhe o AI-5 em pleno século XXI. E isso foi um estorvo na carreira política auspiciosa do Capiberibe. Ai que saudade do código de Hamurabi!…
O curioso, é que Renan Calheiros, o então presidente do senado, quando foi réu, ele removeu a seu favor o poder coativo que exerceu na cassação de seu adversário, e usufruiu explicitamente o direito que havia negado ao Senador Capiberibe. Ora, as ações investigativas do Conselho de Ética e da Polícia Federal eram condições sine quibus non para provar de maneira inexorável a inocência de Capi. Negaram-lhe, ardilosamente. Mas Renan era um presidente vicário, que atendia aos interesses do senador mandachuva José Sarney. E foi inevitável, e tão previsível como o glu-glu-glu do peru após o assobio.
Tem coisa que dá uma preguiça letárgica pra entender a complexidade dialética do óbvio – entendeu, leitor, ou quer que eu desenhe? E de quando em quando me cai um tijolo de burrice na cabeça, que eu não consigo entender certas coisas – ou eu finjo não entender, para a dor parecer menos dolorida. Francamente, dá uma preguiça…
Posto que a cassação de Capiberibe tenha causado danos, ele ainda teve tempo – por exercer com proficiência seu mandato de senador – de implementar um projeto de lei arrojado e factual. Tudo por advir de sua obstinação, de uma idéia que ele chama de “fixa” e que eu chamaria de “brilhante”. O Projeto de Lei Capiberibe foi votado e aprovado quase que por unanimidade, quando ele já estava alheio do senado. Ainda bem que teve um cretino que se absteve, e, paradoxalmente, salvaguardou o projeto lei da unanimidade burra. Um paradoxo oportuno.
Por falar nisso, a jornalista Alcinéa Cavalcante retrucou um comentário que fiz em seu blog, sobre a truculência dos guardas municipais que espancaram os camelôs, e me disse (de brincadeira, claro) que estou ficando velho – e é bem capaz. Respondi-lhe assim: “Baby, eu tenho 52 anos, mas a minha aparência é de 51, no máximo… E quanto mais envelheço mais me assoma a sabedoria para distinguir um paradoxo.” E acrescentei: “Ulysses Guimarães, do alto de seus 70 anos, botou uma placa em seu gabinete durante o sombrio estádio ditatorial: “Entre sem bater”. Um cheirinho, baby.”
Os responsáveis pelos orçamentos esconsos agora terão que botar a bunda na vitrine. E vai ter neguinho que, com olhar concupiscente, vai querer conferir e, doravante, passar a mão. A Lei de transparência é como o ultra-som da gestante, o pai pode perfeitamente ver o filho no ventre da mãe, e conferir se é menino ou menina. A internet vai permitir que o cidadão possa cercar-se em tempo real do que ocorre nos bastidores da administração pública. E pelo visto, vamos ver cada sacanagem.
Os corruptos agora terão menos chances de ludibriar a população. Muitos governos por aí vão ser obrigados mostrar o naco de carne debaixo do angu, caso queira usar da velha tática da falta de recursos. Leitor – permita-me –, isso não é do cacete? Desculpe-me, leitor, recorrer desta forma tão contundente para expressar o que julgo ser o advento político do século: a Lei Capiberibe Nº 131, de 27/05/2009. Por isso que falo à risca, pois quando bate, fica.
Eu acho o palavrão um luxo, embora eu ache, às vezes, um tanto proletário. Deveria existir o Dia Nacional do Palavrão, e de preferência que fosse feriado, assim como há o 1º de maio, dia do PT. O engraçado, é que foi sempre dado o direito às crianças a falar álacre e infantilmente: bunda, merda, cocô, bosta… não sei porque é permitido às crianças a parte mais suja da obscenidade, o lado escatológico.
Os adolescentes permaneceriam com suas habituais expressões: caracas, ficar, putzs, pentelho, gala seca, cabacinho, tchunco e etc. Se puser na balança, há mais lirismo na linguagem dos adolescentes que nos tatibitates da infância pervertida contemporânea. Os adultos, os bocas sujas, teriam a absoluta liberdade de expressão, e eles poderiam dizer dos mais cabeludos aos mais carecas palavrões, sem que a tesoura da censura ameaçasse seu livre arbítrio pornográfico.
Por que “Vá à merda, Sarney” é uma expressão mais deletéria do que “Fora, Sarney”? Semanticamente é a mesma coisa, ambas as duas expressões denotam imperativamente que Sarney sífu, de verde e amarelo. A propósito, as merdas que o presidente do senado vem fazendo, é de botar qualquer Collor de Mello no chinelo – e este mereceu a pena maiúscula, o impeachment.
O que mais me envergonha é saber que o maranhense é senador pelo meu Estado, o Amapá. Mas não vamos esquecer que ele é presidente do senado pelo Brasil, não é? Então que os outros Estados não tirem os seus da reta. Pimenta no olho do fiofó dos outros é colírio.
Leitor, eu por mim, já tinha mandado o Sarney pra baixa-da-égua. Renúncia é um castigo tênue pra quem desde sempre cometeu cagadas homéricas neste País. E o Presidente Lula, que sempre viu em Sarney um político pervertido, hoje, o agasalha em seu governo na maior cara-de-pau. Eu, heim, rosa!…
Como eu já estou no epílogo, tenho a sensação de que fui pouco pornográfico neste texto. Poderia ter sido mais libidinoso, a começar pelo título que deveria ser assim: “O Capi é foda, véio…”
Fantástico Ademir! Esse texto é bem a sua cara. Achei mais bacana a segunda proposta de título, pois ele é foda mesmo…
O senador capiberibe sem dúvida nenhuma é uma das mentes mais brilhantes da politica nacional, e certamente o politico que mais influência o povo através de sua história de vida. Já podemos observar o desespero de quem tomou o mandato do povo , acho que não há mas espaço nos seus pés para fazer calo de tanto caminhar sem resultado algum. acho que alguém vai ter que caminhar até a China da próxima vez!!!!!!!!
Quando da aprovação da referida lei, comentei que foi a maior contribuição que alguém do Amapá já deu ao país.
Puxa que texto bacana, gostoso de ler. Valeu Ademir.
Egua nao,égua nao,égua nao!Ademir,me amarrei nessa tua “ideia”.
Pena que eu não tenha lido, Yashá. Você não deixa, não quer pessoas da minha índole no seu blog, eu me enchi e não vou mais lá, não entro mais lá nem às esconsas. Você vê como este espaço aqui é democrático? Lá o meu texto seria jogado no lixo, porque você é intolerante, cheio de pudor, não aceita um palavrãozinho – forma legítima de expressão da língua portuguesa. Por falar nisso como vai o seu fã-clube? Aqueles patetas ainda se revezam na rasgação de seda pra você? Devo confessar que sinto falta do que você escreve, e gostava do seu estilo – e parece que você perdeu um leitor. Ademais, acho que não farei falta. O seu fã-clube lhe basta. Gostaria de lembrar que no domingo, teremos um encontro no Maracanã… Até lá.
Excelente reflexão, foi um dos melhores textos que já li nos últimos meses, parabéns Ademir, continue nos presenteando com essas pérolas.
Dorismar
Gostaria de ter escrito o texto. Sou exigente, mas você coloca o palavrão na boca da alma da gente. Ah! sim eu também acho que o capi é uma boa coisa… continue a escrever
Amélia, o Chico Buarque foi entrevistado pra saber o que ele achava sobre a música “Língua”, do Caetano Veloso. Chico disse: é mentira, o Caetano mentiu!, essa música é minha. O repórter perguntou perplexo: jura, a música é sua? Chico respondeu: era pra ser, era música que eu gostaria de ter feito, mas ele se antecipou, o Caetano é foda… Obrigado por ter desejado ser autora do meu texto, isso me engrandece muitíssimo, juro.
Só você Ademir, o lúmino para escrever este texto. Como diz a minha boa velha mãe “quem planta vento colhe tempestades”. Esses bostas que sempre estiveram com o dito e malfadado poder em decidir pela vida das pessoas, patrocinaram a cassação do Capi o “cara” que é a maior referência de um líder político que esta terra possui. Mas o tempo, é a melhor resposta para que as coisas sejam devidamente colocadas em seu lugar. Valeu Ademir
sem duvida nenhuma o Capi prestou um grande serviço ao Brasil quando levou para toda a nação em forma de lei um procedimento que aplicou e deu muito certo no GEA. Já imaginaram se pudessemos ter acesso a forma como o Jorge Amanajáz e seus coleguinas deputados aliados gastam o dinheiro do povo encaminhado anualmente para a Assemblia Legislativa do Amapá. Como a Ivete Sangalo tucujus gasta as verbas orçamentarias da Sims, como o Conselho de Segurança do Amapá…ahahahah<<< quando essa lei estiver valendo esses ladroes do dihneiro estarão sifu…..
Caro Ademir seu texto está intimamente ligado ao contexto atual do nosso Brasil devido a falta de ética de alguns homens públicos encaixando-os como uma luva. Seus palavrões demonstram com muita sutileza que alguns – não podemos generalizar – dos nossos políticos atuais citados por você não valem o que o gato enterra. Uns vão ao céu e os outros ao inferno cada qual dependendo das ações meritórias que praticaram aqui na terra. É pena que só lá pagarão por seus atos – lá a justiça funcionará – porque aqui é uma … já que os julgados cassam os bons e inocentam os corruptos. Prendem os pobres e soltam os ricos.
Mas não vamos desistir. Vamos fazer uma frente contra esses corruptos que talvez os nossos filhos possam usufruir de uma uma sociedade onde os palavrões não mais possam ser usados para designar os maus homens públicos – principalmente os políticos – ficando apenas aquela frase que represantou a essência do seu pensamente para designar os homens bons.
Ademir adorei o textoo!!! beijo puxa saco fofinhoo lindinhoooo! hehhehehehe t amu
Camarada Ademir(Baby), você sempre surpreendendo, também no figurado, causa admiração, assim como fique surpreso ao saber que você é FÃ do Michael. Cara você é PHOODA !!.
ADEMIR PEDROSA, ou você gosta ou você odeia.
Sinto-me, leitor, no dever de dar duas explicações. Fui questionado sobre muitas coisas, mas quase todas elas de caráter intimidador; e creio que as respostas às essas indagações se encontram nas entrelinhas do meu texto. Vamos às duas explicações: que operação complicada e essa de pôr o trema no u, já que para executar essa tarefa é igual a colocar um simples acento? Desculpe, faltou eu dizer que no meu teclado – não sei se dinossauro ou se importado – tinha que aperta o “alt”, depois aplicar o sinal de “aspas”, retroceder, e digitar a tecla do u. Como o leitor pode observar, era preciso fazer um curso de cibernética. Daí eu celebrar a abolição do trema, dá licença?…
Outra quem me mandou foi o fofo do Renivaldo Costa, a título de contribuição. Agradeci, e dei minha explicação, como faço agora: disse-me que o episódio que atribuí a Ulysses Guimarães, na verdade ocorreu com Aparício Toelly, jornalista que baixava o pau no regime discricionário. Em 1934 o jornalista, também conhecido como Barão de Itararé, foi seqüestrado e espancado pelos os oficiais da Marinha. Depois do atentado, afixou a placa: “Entre sem bater”. Naquele tempo o Aníbal Barcellos já era aspirante da Marinha, só depois que se tornou oficial e veio pra cá, quando mandou seqüestrar e espancar o Vereador Pery Arquelau. O comandante, hoje, dever ter uns 180 anos, vai ser mumificado vivo, porque o sujeito não morre nunca. E, honestamente, quero desejar-lhe muita saúde e muitos anos de vida, posto que isso seja uma mera redundância…
Li no Pasquim que Ulysses capitaneava um grupo de estudantes em marcha das Diretas-já, a polícia foi lá pra parar aquela manifestação terrorista (naquele tempo, tudo que era contrário ao regime era terrorismo. Eu, por exemplo, fui fichado pelo o SNI, em Itaituba, porque escrevia contra o regime, e os meus textos foram considerados subversivos, e eu um terrorista em potencial – a única arma que eu tinha, era uma Remington portátil, velha pra caralho, e que eu metralhava em seus teclados palavras líricas e utópicas), e foi porrada pra todo o lado. Foi aí que Ulysses advertiu com a placa: “Entre sem bater.” Naturalmente parafraseava o Aparício Toelly. Devo admitir que o fofo do Renivaldo Costa tem razão. Mas a música dele no festival é um plágio medíocre de dois sonetos consagrados, um blefe…
Ademir você está de parabéns.Essa é a nossa triste realidade.Espero que um dia essa porra mude com a tomada de consciência de nossa população,e o capi já mostrou os mecanismo cabe agora a todos nós o papel de fiscalizadores e a nossa justiça fazer o seu papel(coisa que não faz)Quanto ao texto foi do caralho “Velho”)