A dignidade de um ser humano está evidente principalmente, quando ele tem um labor diário para executar, colocando as suas forças, a sua inteligência, a sua alma em algo que por certo o engrandecerá, pois ele estará produzindo, através desse trabalho, aquilo que é mais sagrado para si e principalmente para a sua família, que é a alimentação de cada dia. O seu suor deveras tem precipuamente esta finalidade, alimentar os filhos, e ao conquistar esse objetivo sagrado, agregados vem outras situações que conseqüentemente gerarão riquezas para o município, com a aquisição, por esse, dos alimentos os quais ao serem adquiridos, neles estão os impostos a serem pagos.
A economia de um país, de um estado ou de um município, está diretamente ligada a riqueza que as pessoas produzem, através de seu trabalho, seja ele formal ou mesmo informal, seja ele como camelô ou como um grande executivo de determinada empresa, todos tem o mesmo peso, porque todos estão produzindo, todos estão fazendo a economia girar e com isso trazendo o progresso para suas comunidades, trazendo o desenvolvimento para a melhoria de vida dessa comunidade e isso acontecendo, a auto estima, a dignidade, o se sentir verdadeiramente cidadão ou cidadã estará visível a todos.
Na verdade, para que tudo isso aconteça, é vital que o poder público, o qual tem responsabilidade por essa comunidade, dê condições, dê logística e oportunidades para que principalmente os menos favorecidos, venham a sentir esses sentimentos, após terem condições de produzir, que com certeza produziram, ajudando assim inclusive, na administração de qualquer prefeitura que tenha dado essa oportunidade de produção.
Insensato o governante de uma prefeitura, que tem na sua alça de mira cidadãos e cidadãs, que para a sobrevivência de suas famílias tem unicamente a oportunidade de atuar como camelôs, alça de mira essa que tem um objetivo, qual seja, o de reprimir essa atividade econômica, a qualquer custo, sem levar em consideração o ser humano, muitas vezes seus conterrâneos e outros que não, mas sim seus patrícios, não considerando situação degradante de falta de emprego, não considerando que a Zona de Livre Comércio nunca funcionou como deveria e que nesse processo políticos inescrupulosos fizeram convites para aqui populações de outros estados viessem trabalhar, pois diziam haver muito emprego, o que foi uma falácia, e ai uma maldição para os daqui e para os pobres que para cá se deslocaram e frustraram-se.
O mal está feito, então que se procure um remédio que não seja a exclusão, que não seja o desatino de expulsar e reprimir quebrando, espancando, açoitando, constrangendo, policiais cumprindo ordens dadas para inibir, conter com cassetetes e gás de pimenta, uma cena dantescamente armada, sofrível e humilhante, preconceituosa, talvez com pessoas e famílias de outros estados, humilhando pessoas de bem, pessoas que tem os seus direitos, pessoas que não sabem se os que os expulsaram porão no outro dia, pão na boca de seus filhos, pois elas já não teram certeza de dar, porque o seu ganha pão foi grosseiramente tirado, e com isso a fome grassará em sua família, então com esse sentimento a repressão teve a reação.
A atual economia do estado, nessa parceria com o município, já comportaria nesses meses, a construção de um camelódromo, o qual viria primeiro do que a covardia da expulsão, porque milhões de reais ai está, mas a vontade política não, o cumprimento de promessas de campanha não, o despreparo em administrar está evidente, administrando colocando sempre a culpa no passado, passado muitas vezes excluídos de parcerias como a atual, administrando no sofrimento dos munícipes, seguindo os apelos dos poderosos, da mídia insensível e daqueles que com certeza de alguma forma tem o orgulho maldito nas suas veias, qual seja o de não suportar a pobreza, principalmente ela vinda de outros estados, porque sujam, porque fedem, porque destroem, porque são imundos, porque poluem, não sabendo eles que quando morrerem federam do mesmo jeito, ou até mais, pois o seu orgulho é mais fétido.
Perdoem a indignação, mas a minha alma foi ofendida.
Professor Alcides de Oliveira
alcides.oliveira2005@ig.com.br
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