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Candidato a prefeito de Macapá trabalhava secretamente no Senado

Do Jornal Pequeno

13 de junho de 2009 às 07:46

Por Chico Bruno

Fiquei tão inebriado com a nobre argumentação do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) para justificar a nomeação para seu gabinete do neto do amigo José Sarney (PMDB-AP), fruto de um relacionamento extraconjugal de seu filho Fernando com uma miss brasiliense, que passei batido em uma grave denúncia contida na reportagem do Leandro Cólon e Rosa Costa no Estadão sobre os atos secretos do Senado.

- Se eu dissesse a Sarney que ia contratar o seu neto, talvez ele ficasse contra, já que esse neto nem frequenta a casa dele. Resolvi contratá-lo porque estava devendo favores ao Fernando (filho de Sarney) que havia me ajudado na reconciliação com Sarney. Quis retribuir e ofereci o cargo – justificou Cafeteira.

João Fernando Michels Gonçalves Sarney, de 22 anos, o neto, foi nomeado em fevereiro de 2007. E demitido no dia 3 de outubro de 2008 através de um ato secreto. Para repor o ato sua mãe foi contratada 48 horas depois para o mesmo cargo e com o mesmo salário. Isso é grave, gravíssimo.

Passei batido porque não percebi que o ex-presidente da Assembléia Legislativa do Amapá Luiz Cantuária Barreto, que ocupava cargo de membro do Conselho Editorial do Senado, remunerado mensalmente em R$ 7,1 entre agosto de 2007 e outubro de 2008 é nada mais, nada menos que o ex-deputado estadual Lucas Barreto (PTB), candidato a prefeito de Macapá em 2008.

Aliás, tenho certeza de que a Rosa e o Leandro, autores da reportagem, e muitos eleitores amapaenses tenham imaginado que Luiz Cantuária Barreto é o nome de batismo e registro de Lucas Barreto.

Quer dizer que, em vez de estar trabalhando em Brasília, o Lucas estava fazendo campanha eleitoral para prefeito de Macapá, tendo ficado no terceiro lugar no primeiro turno, por pouco não indo para o segundo turno no lugar de Roberto Góes.

Pelo visto, o Lucas era fantasma no Senado, graças ao senador Sarney, a quem deve ter prestado relevantes serviços para ser aquinhoado com tamanha boquinha.

Durante quase 14 meses, o Lucas amealhou no cofrinho R$ 99.900,00 brutos sem nunca ter dado um “pitaco” no tal Conselho criado por José Sarney.

Continuo sem saber o que foi mais grave, se a nomeação do neto, obra do senador Cafeteira, amigo dos Sarney, com o claro propósito de pagar a “pensão” que o Fernando Sarney devia mãe do menino ou a do Lucas por obra e graça exclusiva de José Sarney, pois os senadores Papaléo Paes (PSDB-AP) e Gilvam Borges (PMDB-AP) não tinham cacife para nomeações secretas, já que os dois só fazem o que Sarney manda.

Talvez o caso Lucas seja o mais grave, pois ele foi exonerado logo depois de encerrada a campanha eleitoral de 2008. Portanto sua passagem fantasma pelo Senado pode ser considerada uma nova forma doação eleitoral através de caixa dois.

É mais grave por que ele omitiu o vínculo empregatício do Senado a Justiça Eleitoral.

Será que esse crime eleitoral vai ficar por isso mesmo?

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Comentários

  1. Creio que sim,pois pelo pouco conhecimento que temos o judiciário amapaense sempre foi um dos sustentáculos político de Lucas Barreto,por mais que não seja verdade essa relação de proximidade enter eles,isso tudo acaba como já sabemos sem dar em nada,é só aguardar pra conferir.O RELAÇÃO PROMÍSCUA DE PODER QUE EXISTE HOJE NO AMAPÁ,DEVE SER A TAL HARMONIA!

    Escrito por Alex Gomes | 13/06/2009, 15:59

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