Por Luciana Capiberibe
O deputado Paulo José(PR) aprovou na Assembléia Legislativa e o Governador Waldez Góes sancionou na última terça-feira, 02, a Lei Simone Teran, que institui a data de 12 de maio como o Dia Estadual da Liberdade de Imprensa. Tal evento é sem dúvida emblemático. Pode e deve ser analisado sobretudo durante o governo Waldez.
É importante compreender em que contexto se institui a data no Estado do Amapá. Com o início do governo Waldez, grande parte da imprensa amapaense foi sendo silenciada de uma forma bastante eficiente, com a utilização do poder do dinheiro público. Algumas listas de jornalistas e proprietários de emissoras que recebem verbas oficiais vazaram, deixando à mostra o mapa do que ficou conhecido como “Jabá Legal”. Na era Waldez, para participar de programas de televisão, de rádio, ou conquistar espaço em jornais locais, muitos políticos, artistas ou pessoas da comunidade são orientados a não falar “mal do governo”, ou seja, não se pode comentar os possíveis erros do governo nos meios de comunicação que recebem verbas oficiais e jamais lembrar que existe oposição a este governo. O jornalista, seja o que se corrompe (consciente ou não) ou aquele que conhece bem esse contexto e mantém sua dignidade profissional, sabe muito bem do que estou falando. É o tipo de situação que não se pode negar, embora sempre tenha alguém do próprio jornalismo amapaense querendo justificar, e quase sempre sem poder revelar seus motivos.
O cantor e compositor Chico Buarque relata no filme produzido nos anos 1990 pela BBC de Londres “Muito além de cidadão Kane”, que ele foi proibido de aparecer ou ser citado na Rede Globo durante a Ditadura Militar; Aqui no Amapá Capiberibe tem seu nome, imagem e voz banidos da mídia amapaense pelo jugo oficial, além do boicote, ele também é constantemente vítima de comentários pejorativos, sem direito ao contraditório. São muito raros os momentos em que Capiberibe tem a oportunidade de ter sua voz ouvida pela população. Um bom exemplo foi recentemente a aprovação e sanção do Projeto Transparência, que transformou-se em Lei Capiberibe. Embora seja uma lei válida para todo o Brasil, de repercussão nacional, pensada e criada por um senador do nosso Amapá, um exemplo bom que saiu do Amapá para o Brasil, apenas a Rede Amazônica (TV Amapá) cumpriu seu dever jornalístico de veicular o fato. Os jornais locais chegaram ao cúmulo de dar a notícia omitindo o nome do autor da lei, João Capiberibe. Foi preciso que a justiça fosse feita por um jornal do Pará, o Liberal, que publicou entrevista de página inteira com Capiberibe sobre o tema. Como que para “vingar-se” da mídia amapaense, que não dá importância ao seu ícone da política, “O Liberal” sublinhou o fato de Capiberibe ser paraense de nascimento, “A lei é de autoria do ex-senador pelo Estado do Amapá, o paraense de Afuá João Alberto Capiberibe”, destaca o jornal.
Se por um lado Capiberibe é “persona non grata” nos meios de comunicação; por outro lado, a imagem do governador Waldez é guardada com muito zelo, ele só participa de programas onde esteja seguro de que não haverá perguntas consideradas incômodas (normalmente aquelas que todo gestor público tem obrigação de responder). Assim, jornalistas e radialistas comportam-se como se fossem assessores já que cumprem o dever e ofício de zelar pela imagem do governador, função inerente ao cargo de assessor. Tal comportamento porém não cai bem para os profissionais de imprensa, que se supõe sejam guardiões da soberania do livre pensar e da imparcialidade, pressupostos da liberdade de imprensa.
O cuidado com a imagem do governador é tão grande, que na campanha de 2006, Waldez Góes chegou ao ponto de não participar de nenhum debate televisivo. Medo de quê? Difícil de definir exatamente. Situação passível porém de especulações.
Uma coisa é certa, como diz o poeta Mário Quintana, no Poeminho do Contra:
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!
Assim, o Dia da Liberdade de Imprensa Simone Teran pode nao combinar com o governo que o está sancionando, mas o Governo Waldez vai passar, e a nova data vai ficar, podendo ganhar novos contornos e significados, só depende de nós.
Oi Lu,
Lindo manifesto de uma historia muito feia.
Beijo.
Artionka
Quando essa farra acabar ele vai entrar em depressão,pois ele fica nervoso quando alguém fala do desastre administrativo que é o seu governo.Sempre que pode tenta desqualificar a oposição,ele não sabe que oposição existe para nortear qualquer governo,sobretudo aquele descompromissado com a coisa pública(corrupção).Tudo passa e está chegando a hora, a começar pelo grupão da harmonia que está se desfazendo,onde um quer matar o outro,agora imagine quando o governo acabar,aqueles processos de pagamentos fictícios,onde quase todo grupo está envolvido.É melhor o Advogado Américo Leal ficar por aqui.
UMA VERDADE É CERTA. NO AMAPÁ, SÓ EXISTEM DUAS IMPRENSAS, E QUE ESTÃO EM POSIÇÕES ANTAGÔNICAS: UMA QUE DEFENDE O GOVERNO (SEJA LÁ QUEM ESTEJA NO PODER) E OUTRA QUE O DETONA. ESSAS FACÇÕES SÓ FAZEM TROCAR DE POSIÇÃO QUANDO UMA OUTRA LIDERANÇA POLÍTICA ASSUME O GOVERNO. NINGUÉM, REPITO, NINGUÉM DA IMPRENSA AMAPAENSE É IMPARCIAL. SE EXISTIR, ME APRESENTEM, QUE EU QUERO CONHECER ANTES DE ELE SE VENDER. E PONTO FINAL.
Excelente reflexão Luciana, que não demore a profecia de Mário, o povo merece ser libertado dessa ditadura da informação.
Parabens!
Dorismar 40
Uma parte da imprensa é surda e muda. Tem gente que se diz jornalista que sabe das perseguições da vice-prefeita a alguns familiares por pura “vaidade”. O prefeito tem que tomar muito cuidado, quando ele viaja ela se investe de poder absoluto e faz o que quer. Exonera aqueles que a ajudaram a se eleger e quem não faz mal algum a ela. E tem gente da imprensa que sabe, mas não conta para o prefeito, embora seja bem de “pertinho” dele.Aqui se faz aqui se paga.Para completar a vice-prefeita ainda grava mensagens pela paz…quanta hipocrisia!!!
E a bagunça continua… compras e mais compras de notebooks, pen drives, máquinas digitais, filmadoras pela secretaria de educação, a pedido da “secretária” Albertina e aval do “secretário” Adauto… já sumiram vários, alguns estão sendo usados em escritórios particulares, outros servem de brinquedos para filhos de “chefes”, isso é muito sério… com todo esse gasto (pequeno perto dos milhões) não pode ter dinheiro para nada mesmo, inclusive para pagamento de diária de servidor (que é uma merreca perto dos milhões do Adauto) que viajam de bolso vazio e tem que contar com a solidariedade alheia. Tem servidor que não recebeu diária referente ao ano passado(ainda!!!).
Demais esse texto. Sério e bastante divertido ao mesmo tempo. Nao é a-toa que o Waldez Goes noa passa de miseros 5% em pesquisas de opinia sobre uma cadeira no senado. É esperar para ver o que vai dar.