Aproximadamente 150 taxistas compareceram à audiência pública realizada na tarde de quarta-feira, 20 de maio, no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, onde acompanharam os debates sobre a violência que vem sendo praticada contra eles, no exercício da profissão. Em apenas sete meses, cinco taxistas foram assassinados em Macapá.
Coordenada pelo deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP), presidente da Comissão dos Direitos Humanos da AL (CDH-AL), a audiência reuniu os deputados Ruy Smith (PSB-AP) e Paulo José Ramos (PR-AP), os delegados da Polícia Civil Ronaldo Coelho, Alan Moutinho, Sidney Bentes e Roberto Prado. Os oficiais da Polícia Militar tenente-coronel José Carlos Corrêa, representando o comandante-geral da PM, coronel Gastão Calandrine; coronel Ubiranildo Macedo, comandante da Guarda Municipal de Macapá; coronel José Furtado, diretor-geral do Detran-AP; e o principal convidado, Risonilso Barros, presidente do Sindicato dos Taxistas do Estado do Amapá.
Segundo Camilo Capiberibe, há três semanas os integrantes da CDH-AL foram procurados por Risonilson Barros que, durante sessão especial, discorreu sobre as dificuldades que os taxistas macapaenses estão enfrentando. Além dos assassinatos recentemente registrados estão ocorrendo assaltos, sequestros e roubos de táxis. O relato preocupou sobremaneira o parlamentar que, na noite de sexta-feira, 15 de maio, visitou dois principais pontos de táxi da cidade: o do Aeroporto Internacional de Macapá e o do Terminal Rodoviário.
Encontro com taxistas
Acompanhado do deputado Ruy Smith e de Risonilso Barros, Camilo Capiberibe reuniu-se com os taxistas que estavam de serviço no aeroporto na noite de sexta-feira e anotou pedidos para que as Polícias Civil e Militar, Detran, EMTU e Guarda Municipal passem a agir com mais eficiência objetivando garantir maior segurança a todos os taxistas da capital. Principalmente à noite, quando os bandidos agem desenvoltos e com violência redobrada.
No ponto do Terminal Rodoviário as queixas se assemelharam. Mas, um detalhe chamou a atenção dos parlamentares: o excesso de veículos clandestinos fazendo o transporte de passageiros e de cargas, inclusive com a cobertura de policiais do trânsito, segundo denunciou o veterano taxista José Monteiro, 61 anos, 43 de profissão. Os prejuízos financeiros para a categoria estão levando muitos pais de família ao desespero, em especial os que ainda estão quitando os veículos em que trabalham.
Para os cerca de 26 taxistas do terminal, o transporte clandestino é o mal mais premente a ser combatido pelas autoridades. Acreditam que os governos municipal e estadual precisam criar novos mecanismos de segurança pública ou fortalecer os já existentes para dar mais tranquilidade à população. Ao final do encontro da sexta-feira, 15 de maio, Risonilso Barros fez uma desabafo emocionado: “Estamos numa situação em que sabemos que saímos de casa, para trabalhar; mas, não temos certeza se vamos voltar vivos. Por isso, quando nos despedimos de nossas famílias, mulheres, filhos pais, é como se fosse para sempre”.
Debates na AL
Falando em nome do comandante da PM, o tenente-coronel José Carlos Corrêa disse que tem, sob seu comando, em condições de atendimento de ocorrências na capital do Estado, cerca de 30 viaturas. Para o presidente do Sindicato dos Taxistas, a frota parece ínfima diante dos graves problemas de segurança pública atualmente registrados. E a preocupação de Risonilso Barros não é extemporânea. Com uma população estimada em torno de 367 mil habitantes, conforme estatísticas divulgadas em 2008 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Macapá passa por crises em todos os setores: do transporte urbano deficiente à malha viária excessivamente comprometida.
Estimando-se a média de quatro policiais militares por viatura, chega-se à conclusão de que apenas 120 policiais estão nas ruas para cuidar da segurança de quase 400 mil pessoas residentes numa cidade com 6.563 quilômetros quadrados e densidade demográfica de 49,75 habitantes por quilômetro quadrado. Ou seja, um policial para quase 50 habitantes. Diante desses cálculos, contempla o presidente da CDH-AL, fica fácil entender porque o presidente do Sindicato dos Taxistas do Amapá clama desesperadamente por mais segurança pública. E esse é somente o primeiro ato de um drama rocambolesco.
Referindo-se ao assunto, o próprio coronel Corrêa apresentou uma estatística que deixou a todos perplexos no plenário da Assembleia Legislativa. Segundo o oficial, a média de atendimentos feitos pela PM em Macapá chega à marca de 10 mil por semana. Para atender esses chamados, prossegue ele, as viaturas são posicionadas em pontos estratégicos, onde existem maior número de concentração de pessoas, ou em bairros reconhecidos por seus altos índices de criminalidade. Barros demonstrou ceticismo quanto à eficiência da estratégia. “Tenho certeza de que não está funcionando”, resumiu o, sem muito rapapés e salamaleques.
Parabéns ao presidente Rizonilson pela coragem e ousadia, mas ele deveria cobrar do Roberto Góes quanto ao diversos problemas que a categoria passa provocado pelos incompetentes que administram o EMTU, pois faltam estacionamento para taxistas no centro da cidade e na frente das boates parece que ainda está amarrado ou está na mãos dos caras. Se trabalhar estamos com você.