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Artigo – Aeroporto de Macapá, uma miragem no deserto – por Luciana Capiberibe

Em dezembro de 2005, pouco antes de iniciar o pleito eleitoral de 2006, esteve aqui no Amapá o presidente Lula acompanhado dos ministros de minas e energia, saúde, agricultura, pesca e esportes, além do presidente da Infraero. Montou-se naquela época um palanque político, onde estavam presentes o então prefeito de Macapá, João Henrique Pimentel, o governador Waldez Góes, o senador José Sarney e seu afilhado político senador Gilvam Borges. O presidente Lula fez um discurso político da necessidade de dar continuidade aos trabalhos iniciados, de que  quatro anos é “pouco” para governar e uma  “eternidade” quando se está na oposição. Tudo isso obviamente visando a reeleição do próprio presidente, de seu aliado, o senador José Sarney e do aliado do aliado, governador Waldez Góes. A obra do novo aeroporto Internacional de Macapá deveria, segundo cronograma da Infraero, ser entregue até janeiro de 2007. Mas, o presidente Lula fez questão de prometer que iria fazer gestão no sentido de adiantar a entrega para dezembro de 2006. “Não podemos permitir que outros colham as sementes que plantamos”, justificou o presidente. Passado o evento, todos foram embora e ficou no Amapá a promessa. As obras tiveram início e serviram para ilustrar fartamente os programas eleitorais de Waldez Góes e Sarney em 2006, povoando o imaginário dos amapaenses, que ficaram contentes em idear um novo terminal aeroportuário, com condições dignas de funcionamento, que pudesse melhorar a recepção aos nossos visitants e, de quebra, elevar a auto estima de todos.
Passados dois anos daquele grandiloquente evento,  em 2008, todos os protagonistas estavam reeleitos e  o Tribunal de Contas da União- TCU – constatou que dos R$ 112,8 milhões contratados para a reforma do aeroporto, quase a metade – R$ 50,9 milhões – havia sido desviada. Em relação a dois contratos para as obras no aeroporto, o TCU afirmava que o desembolso não era compatível com as obras realizadas, isto é, haviam sido pagas obras nunca feitas, havia desobediência explícita às recomendações do Tribunal e além mais irregularidades graves na administração do contrato.
Naquele mesmo ano a Gautama, empresa que venceu a licitação para construir o Aeroporto de Macapá, foi pega na operação Navalha, da Polícia Federal, por desvio de recursos públicos. O nome da senadora Roseana Sarney, que foi candidata ao governo do Maranhão pelo PMDB foi apontada como beneficiária de dinheiro supostamente pertencente ao empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama. Na agenda pessoal de Zuleido  o nome de Roseana aparece associado à quantia de 200.000 reais. Em 14 de julho de 2006, sob a rubrica “campanha política”, o estado do Maranhão aparece como recebedor de 1 milhão de reais. Aqui no Amapá a Gautama também foi generosa no período eleitoral investindo R$ 200 mil na campanha do governador reeleito Waldez Góes e mais R$ 100 mil na campanha do também candidato ao governo Papaléo Paes.
Desde a descoberta dos desvios pelo TCU as obras do aeroporto ficaram paradas.

Em março desse ano, 2009, já com as obras começando a transformar-se em ruínas,  o senador José Sarney esteve aqui no Amapá para festejar o dia de São José e recarregar a bateria das promessas que sempre faz ao povo amapaense. Em entrevista à TV Amapá, afiliada local da Rede Globo de televisão, ao ser perguntado sobre o aeroporto ele disse o seguinte:
-    “Olha, isso tem sido pra nos uma frustração muito grande porque realmente foi a primeira obra anunciada no governo do presidente Lula foi o aeroporto de Macapá. Eu falei com ele aquela época e nós tivemos o presidente Carlos Wilson da Infraero e tudo correu muito bem, infelizmente esse problema da Guatamo(sic)levou à paralisação do aeroporto. Mas nós não podemos ficar com esse esqueleto aí, que é uma decepção para todos nós. Amanhã está chegando aqui o presidente da Infraero, eu aproveitei a minha vinda aqui também para convidá-lo e para nós darmos uma solução. E essa solução parece que foi encontrada, primeiro, nós vamos fazer através do exército nacional, até porque o exército tem um departamento de engenharia e em vez deles fazer(sic) licitação que dá sempre problemas e retardava um pouco, nós poderemos imediatamente entrar, fazer a cobertura e depois então a conclusão do aeroporto.”

Ainda no dia 23 de março a Infraero lançou o edital para a contratação da cobertura do novo terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Macapá (AP). Essa etapa da obra tem prazo de conclusão marcado para dezembro deste ano. Ocorre porém, que a obra está embargada por uma decisão judicial favorável a empresa Beter, que fazia parte do consórcio Gautama-Beter, que venceu inicialmente a licitação para a construção do aeroporto em Macapá.
Conclusão da ópera, um aeroporto que até agora já produziu muitos dividendos políticos para os “promesseiros” de plantão parece não passar de uma miragem no deserto, que parece real mas, quando nos aproximamos, desaparece.

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

  1. É uma vergonha para o povo amapaense, essa obra do aeroporto de Macapá, nenhuma instituição pública fiscalizadora, seja municipal, estadual ou federal, faz alguma coisa para recuperar essa dinheirama que foi surrupiada do Amapá e para botar esses ladrões de colarinho branco na cadeia. Será que é porque essas instituições estão compactuando com o roubo? Queremos crer que não. Portanto: Ministério Público Estadual, MPF,TCE,TCU,PF,Assembleia Legislativa, Câmara de Vereadores e etc… Nos dêem uma resposta.

    Escrito por Mauricio Medeiros | 16/05/2009, 21:44
  2. Luciana você esqueceu de dizer que além dessa desonestidade ocorrida com a obra do aeroporto,tem também aqueles 2 contratos assinados com a Gautama com o governo do Estado,que logo que ocorreu a operação que prendeu o Zuleico Veras,esse rapaz que se diz governador do Amapá,se apresou e cancelou os contratos,certamente seria outro esquema de corrupção,dentre tantos que tem no Amapá.

    Escrito por Salvador | 17/05/2009, 10:17
  3. Não precisa se perocupar porque ano que vem tem eleição, e logo a solução para o “aeroporto” vai surgir como num passe de mágica. Não sei como aquele Senador que adora andar de canto a canto no Estado, ainda naum teve a brilhante ideia de caminhar daqui pra Brasília como forma de sensibilizar o presidente para a conclusão da obra.

    Escrito por M. | 17/05/2009, 16:47

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