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Artigo – Os pastores da miséria – por Nelson Motta

Enttra governo, sai governo, e a cada pesquisa do IBGE se repete a mesma pergunta:

Maranhão e Alagoas têm os piores índices de desenvolvimento humano do Brasil porque têm os piores políticos, ou será o contrário? Certeza, só de que maranhenses e alagoanos, gente como Ferreira Gullar, Joãosinho Trinta, Graciliano Ramos, Hermeto Pascoal, Djavan, não são melhores nem piores do que gaúchos, mineiros ou cariocas, são só diferentes. E a diversidade é a nossa maior qualidade.
Quase 60% das populações desses dois estados sobrevivem do Bolsa Família. Outros estados têm políticos tão ruins, ou até piores, do que os de Alagoas e do Maranhão, mas conseguem progredir, apesar deles. Qual é o mistério? Será que só corrupção, patrimonialismo e incompetência explicam tudo? É pouco, para tanto dano.
São regiões de natureza exuberante, de grande riqueza histórica e cultural, com imenso potencial turístico e áreas cultiváveis que sem-terras como Israel e o Japão transformariam em Califórnias tropicais.
São estados muito pobres, lamentam se os seus políticos muito ricos, sempre culpando o processo histórico e os governos anteriores.
Será que faltaram verbas e incentivos para Maranhão e Alagoas com Sarney e Collor no poder? Será que Sarney e Renan Calheiros, como cardeais do lulismo, não usam sua força política para alavancar verbas para seus estados? É o que esperam maranhenses e alagoanos.
Mas a miséria continua, enquanto o resto do Brasil cresce.
Nesses casos, os tucanos não podem gritar que é culpa do PT, que não governou nem um nem outro.
Nem os petistas vão dizer que eles estão assim por culpa do neoliberalismo, quando a maior parte do país progrediu. Nem o Zé Dirceu vai acusar “a direita”. A culpa não é dos comunistas, nem dos americanos, nem de Deus.
Como diria Wilson Simonal, nem vem que não tem. A conversa mole do preconceito não cola: o caso é mesmo de mau conceito, em números e fatos. Os amigos maranhenses e alagoanos sabem melhor do que ninguém do que estou falando. Mas ainda não sabem desvendar o mistério e quebrar o encanto.
NELSON MOTTA é jornalista.

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Comentários

  1. Lamentável. Nem tornando o Brasil democrático foi possível mudar o rumo da desigualdade. A pobreza se perpetua e junto a ela o analfabetismo. É um ciclo de dependência total. Até uma nova moeda foi criada: compra de voto. Tem retorno certo para quem almeja cargo político. As instituições responsáveis pela legetimidade e garantia dos direitos civis estão emparedadas. Parafraseando Joaquim Barbosa, VAMOS ÀS RUAS PORQUE ELES ESTÃO NA MÍDIA!!! ACORDA BRASIL!!!

    Escrito por Josefin | 9/05/2009, 18:24

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