A TAXA DE JUROS E OS AGENTES ECONÔMICOS
Regina Célis Ferreira*
A sociedade ao receber sua renda tem a opção de escolha, ou consome, ou guarda fazendo poupança para investir no futuro. Essa decisão sofre influência de vários fatores, dentre os quais a taxa de juros. Mas, o que é taxa de juros? Como surge? Qual a participação da taxa na economia e na vida das pessoas? Para entender essas perguntas que são básicas no cotidiano da sociedade, é importante explicar a moeda como meio de troca e o juros como acumulação de riqueza.
A moeda é um ativo de alta liquidez e valor. Liquidez é a facilidade de troca de um bem ou serviço por outros bens ou serviços, em que pode ser alta, média ou baixa. E ativo é o valor atribuído a um bem ou serviço qualquer. A moeda na economia contemporânea assumiu este porte de ativo de alta liquidez, por ser um meio de troca mais rápido e acumular valor no decorrer do tempo.
Para o individuo guardar a moeda, não gastar nas compras de bens e serviços, ele deve ter uma atratividade, essa se chama taxa de juros, que é o retorno que o individuo recebe por abrir mão da liquidez imediata da moeda.
Mas, para esse individuo guardar a moeda, surge um agente extremamente importante na intermediação dessa transação, o mercado financeiro. O agente financeiro se estrutura em um conjunto de instituições (banco, bolsas de valores, mercado de capital, previdência privada, etc…), administra o dinheiro do poupador, como contrapartida remunera esse recurso pela taxa de juros. Essa prática chama-se captação de recursos, poupança da economia.
O agente financeiro não só capta recursos, mas também empresta a quem tem interesse de aumentar seus investimentos. Os emprestadores por não ter dinheiro se dirigem ao mercado financeiro para tomar dinheiro emprestado, e por isso, pagam juros.
Então, se conclui que existe taxa de juros para quem aplica o dinheiro, o poupador, e
para quem toma empréstimos, o emprestador. Para cada um, a taxa de juros é diferente. Para o poupador a taxa de juros é um ganho, um prêmio por guardar o dinheiro nas instituições financeiras. Para o tomador de empréstimo, a taxa de juros é uma despesa, um gasto, onde deve pagar para instituição que financiou seu interesse.
Nessa relação de mercado existe interesse de diversos agentes, seja para atender sua necessidade imediata, mercado econômico, ou necessidade futura, mercado financeiro.
Agentes como as famílias que tem a decisão de consumo e poupança, para elas existem o consumo de bens a crédito, se a taxa de juros for alta as prestações serão elevadas, como conseqüência diminuem seu consumo. No entanto, na decisão de poupança essa taxa alta passa a ser uma atratividade, por ser oportunidade de riqueza.
As empresas que são responsáveis pelo processo de produção, para dar continuidade aos seus interesses buscam investir através do uso de capital de terceiros, e normalmente, são os bancos que financiam esses recursos. Nessa decisão, se a taxa de juros for baixa, os empresários estarão dispostos a investir economicamente, compram máquinas, equipamentos, edificações, ainda assim, as empresas procuram trabalhar com menor estoque produtivo e de produto final, porque os custos são mais altos. Mas, se a taxa de juros estiver alta, esses estarão estimulados a investir no mercado financeiro, diminuindo o mercado econômico e como conseqüência a oportunidade de aumentar o emprego e a renda.
Outro agente o governo que está como fomentador da economia e emprestador de recursos de terceiros, na segunda situação passa a ter uma dívida pública. A sua relação com o aumento da taxa de juros faz com que o custo da divida aumente, pressionando o déficit público, e por conseqüência a própria divida interna ou externa.
Quanto aos credores externos esses são fundamentais para arrecadação de divisas, logo precisam ser atraídos, neste caso, quanto maior a taxa de juros mais investidores externos estarão dispostos a investir no mercado interno.
No comportamento da economia existem hoje dois tipos de taxas de juros: taxa de
juros nominal (i) que é a taxa paga pelos bancos, onde considera a flutuação dos preços, a inflação; e taxa de juros real (r ) que é o aumento do poder aquisitivo, é a taxa que se refere o crescimento físico do mercado de bens e serviços.
As principais taxas de juros no Brasil são: a Taxa Referencial (TR) usada para corrigir os saldos de caderneta de poupança e sistema habitacional; Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP) usada para financiamento do mercado econômico, através dos bancos de fomento como BNDES, FNO e pelos fundos FAT, PIS;PASEP; e Taxa de juros SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) taxa que regula diariamente os títulos públicos e os empréstimos bancários, é usada como taxa básica do mercado financeiro, esta taxa sofre mensalmente variação pelo Banco Central, através do Comitê de Políticas Monetária COPOM.
*Economista, Mestre em Desenvolvimento Regional – Técnica da Secretaria de Orçamento e Tesouro do GEA – Professor temporário da Universidade Estado do Amapá – Docente do Centro Ensino Superior do Amapá.
Regina,
Adorei o seu texto. Didático e esclarecedor. Pessoas como vc é que fazem da Economia uma disciplina agradável. Felicidades. Teca Ribeiro, Economista.