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Artigo – Por trás da gestão – Por Ruy Smith

Por Ruy Smith*

O presidente do sindicato dos profissionais da educação no Amapá, usando da mídia, vem defendendo agressivamente a aprovação do projeto de lei nº 01/09, de iniciativa do Executivo, encaminhado a Assembléia Legislativa em 24 de março último, que versa sobre a gestão democrática nas escolas estaduais. A princípio nada mais óbvio, pois a democratização da escola e, principalmente, a eleição direta do diretor escolar sempre foram bandeiras de luta dos servidores públicos da educação Brasil afora.

O que a maioria da população não percebeu, entretanto, é que esse projeto foi inicialmente alardeado em prosa e verso pelo atual secretário de educação, nos meios de comunicação oficiais e quase oficiais da capital, logo após a Polícia Federal ter estourado um esquema de corrupção braba na própria SEED, cujo processo criminal corre em segredo de justiça na esfera federal. Mas, para os já acostumados a ver o desenrolar dos quase intermináveis escândalos produzidos nas entranhas do atual governo estadual, e mais, o comportamento dos suspeitos, é claro que a divulgação de agendas positivas é apenas o tapete que busca encobrir a sujeira.

O presidente do sindicato, porém, que nada tem com os verdadeiros motivos que levaram o governo a divulgar e encaminhar o projeto à Assembléia, quer saber é de ver a batalha das eleições diretas vencidas pela categoria. Na sua defesa intransigente, alertou aos deputados que o sindicato não queria nenhuma modificação ao projeto, e que não aceitaria demora na votação; para os dois casos, argumentou que a categoria já debateu ao longo de dois anos o tema, invocando para si e para os seus, interpreto eu, a condição divina da perfeição.

Como disse ao próprio, em reunião na Assembléia, que nunca aprovaria nada sem ler antes, pois a visão de um sindicato não é, necessariamente, a visão da sociedade, o presidente passou a baixar o nível do discurso em suas entrevistas, notadamente em relação a minha pessoa. Normal, penso eu! Ele anda de mãos dadas com o mesmo governo que eu faço oposição.

No mérito, é claro que sou favorável ao conceito da gestão democrática nas escolas. Tanto que encaminhei, com um ano e meio de antecedência da proposta do governo, um projeto que trata do mesmo tema, e que tramita nas comissões de Casa. Dizer que sou contra, portanto, é apenas o recurso da intolerância política dos que, na ausência de argumentos melhores, querem esvaziar o debate.

Quanto ao projeto do governo, uma simples leitura já me fez ver dois erros graves. O primeiro, antidemocrático, onde no processo eleitoral o voto dos funcionários (professores, pedagogos, pessoal administrativo) vale o dobro do voto dos pais e estudantes; assim, na democracia do governo, defendida pelo presidente do sindicato, na comunidade escolar tem voto de 1º classe e voto de 2º classe. Elementar, presidente, pois quem parte e reparte, e não escolhe a melhor parte, ou é bobo ou não entende da arte.

O segundo erro, mais grave, é o de reservar 10% de todos os recursos financeiros destinados a manutenção das escolas para os gastos dos conselhos escolares a serem criados. Ora, pensemos em uma escola com centenas de alunos e uma os duas dezenas de conselheiros; aqueles terão 90% do dinheiro para suas despesas de todo dia – merenda, limpeza e conservação, material de consumo, etc. – e esses, para reunirem-se ordinariamente uma vez por mês, terão 10%. Enfim, gestão democrática na escola nada mais é do que o controle social dos maiores interessados sobre o aparelhamento oficial. Controle social se exerce mais com vontade política do que com dinheiro. O conselho escolar é necessário, a sua burocratização, não.

O debate promete ser forte, Presidente. Que seja profícuo, pois!

(*)Ruy Smith é engenheiro mecânico, está exercendo pela segunda vez consecutiva o mandato de deputado estadual pelo Partido Socialista Brasileiro.

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Comentários

  1. deputado essas questões são minimas o que eles querem realmente e não aprovar o projeto e botar a culpa na oposição não va no jogo deles esse projeto não é interessante para o governo o que ele quer é justamente fazer midia e tirar o foco das corrupções que são muitas .pense bem são mais de 500 escolas estaduais esses cargos de direção são todos de indicação dos deputados da base aliada então pense se esse projeto for aprovado .esses cargos eles perderão então não entre no merito vote a favor do projeto eu sou professor do estado moro em santana e admiro sua atuação como deputado.então não de munição para o inimigo pense bem .

    Escrito por macklon | 18/04/2009, 17:48

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