// você está lendo...

Cultura

Dia especial para os amapaenses – 227 anos: Uma fortaleza no Rio Amazonas

Fotos: Gavin Andrews e Luciana Capiberibe

Contruída entre os anos de 1764 e 1782 na margem esquerda do rio Amazonas, concebida pelo engenheiro Henrique Galúcio, a Fortaleza de São José de Macapá é até hoje o local onde fervilha a vida em Macapá. Seu entorno é Frequentado pelas famílias, jovens, skatistas, turistas e por todos aqueles que buscam momentos de descontração e contemplação da beleza tanto natural como arquitetônica do local.

A reformulação

Em 1999 teve início uma obra que reformula toda a relação dos amapaenses com a orla do Rio Amazonas. Naquela época o governo contratou a arquiteta Rosa Grena Kliass, que em conjunto com técnicos do Amapá criou a obra do entorno da Fortaleza São José de Macapá, dando ao monumento histórico nova dimensão e valorizando-o como espaço de lazer para os amapaenses. A primeira etapa da obra foi inaugurada em 2002 e em 2006 foi inaugurada a segunda etapa. A inauguração dessa última etapa marca a conclusão de um trabalho que se estendeu pelos últimos 11 anos.

Breve histórico - No início de 1995 a Fortaleza estava fechada para visitação pública. Ela foi reaberta ainda com problemas, até que teve início um trabalho completo de restauração. O ex-governador João Capiberibe lembra como tudo começou:
— Eu vou ter que me referir a uma intervenção feita em 1991 e 1992, que rejuntou com cimento as pedras do pátio interno da fortaleza, o que impermeabilizou o forte fazendo com que desaparecesse a capacidade de infiltração da água, que foi para as casamatas acumulando na parte interna do prédio, colocando em risco a estrutura da fortaleza. O trabalho de restauração começou pela remoção pedra por pedra do pátio interno, retirando todo o concreto de cimento utilizado naquela época. Um trabalho penoso que exigiu muita mão-de-obra.
Desde 1950, a área da fortaleza é protegida pelo tombo na esfera federal. Isso não impediu que um clube do Exército e um grande estacionamento com piso de asfalto ocupassem boa parte da gleba. Uma das fases mais difíceis consistiu na retirada do clube, que foi construído irregularmente na área do entorno. Depois de uma longa negociação foi necessária a intervenção do então presidente de Portugal, Mario Soares, que viu em sobrevôo sobre a fortaleza aquele prédio que se confrontava com a arquitetura do forte. Ele então perguntou ao governador Capiberibe que absurdo era aquele de uma piscina do lado de um monumento histórico, foi então que ele ligou para o então presidente Fernando Henrique e explicou a situação. Depois de dez dias dessa intervenção, ocorrida em 1996, o clube começou a se retirar do local.
Foram feitas várias indenizações para retirar lojas e o primeiro frigorífico do Estado que estava localizado na área de entorno. Com a conclusão da restauração foi dado início ao projeto do entorno, cuja última fase foi inaugurada há três anos.

Conheça o projeto do entorno

O projeto de paisagismo da área ao redor da Fortaleza São José foi desenhado pela arquiteta Rosa Grena Kliass. Implantada junto ao centro urbano de Macapá, a fortaleza foi construída no século 18 pelos portugueses. Foi restaurada e está aberta ao público, que pode visitar um pequeno museu no local. O envoltório da construção foi transformado em área de lazer, com 120 mil metros quadrados.
Como o local possui interesse histórico, foram realizadas diversas prospecções arqueológicas antes de ter início a execução da área de lazer.
Para impedir confusão entre o histórico e o novo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional — Iphan recomendou que a equipe de Kliass não especificasse materiais utilizados na construção das muralhas — alvenaria mista de pedra negra da região e tijolos.
A chave do projeto de Rosa Kliass é a inter-relação de três elementos: a fortaleza, a cidade e o rio. Trata-se de trecho urbano de quase um quilômetro de frente para o Rio Amazonas.
A fortaleza, que originou a cidade, teve agora que se adaptar a ela. Para isso, o desenho propõe um espaço de acesso ao monumento, que, com a forma de esplanada, permitirá a leitura de remanescentes arqueológicos encontrados.
O trabalho de Rosa Kliass se apropria de parte do traçado do projeto original da fortaleza. Isso é mais evidente no espelho d’água, já pronto, e no trecho da bateria-baixa, em execução, que repetem o desenho imaginado para o espaço no século 18. Entre os dois espelhos d’água já executados está situado o palco para apresentações ao ar livre. O espelho d’água abriga uma fonte, que apesar de instalada não é colocada em atividade.
O público ocupará um anfiteatro formado por pequena depressão, espaço onde antes havia um grande estacionamento, utilizado eventualmente para apresentações populares. Portanto, o desenho de Rosa Kliass cria condições para que se mantenha o costume local.
Os sanitários estão situados no limite da área com a cidade: semi-enterrados, podem ser visualizados a partir da malha urbana, mas são quase invisíveis para quem está dentro do parque.
A maior parte da área possui vegetação rasteira, que permite avistar a fortaleza. O único trecho com árvores, situado junto à casa de controle de entrada do canal, foi mantido. A pequena construção, que não podia ser retirada, foi envelopada por ripado de madeira. A beira-rio foi ocupada por um passeio para pedestres e ciclistas.
Para o setor sul, recém-inaugurado, não havia restrições do Iphan. Nessa área foi criado um parque urbano de recreação com playground e fontes de água. Com a implantação do projeto, pretende-se criar uma relação saudável entre a cidade e o Amazonas.
Rosa Grena Kliass é uma arquiteta paisagista. Entre suas obras estão a reforma do Vale do Anhangabaú e o projeto paisagístico do Parque da Juventude, obra que tomou o lugar do complexo penitenciário do Carandiru.

predio-telhado
predio-telhado
predio
predio
Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

Comentar

Memória

Categorias

Arquivos

Divulgue seu produto ou serviço aqui.


Fale conosco.