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Artigo – O algoz é o mesmo – Por Chico Bruno

O algoz é o mesmo

A matéria de capa da revista Carta Capital sob o título “A volta do donatário”, assinado pelo repórter Sergio Lírio, que trata da cassação do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT) e a possível volta do clã dos Sarney ao poder relembra a primeira e única cassação judicial de um senador da República.

A lembrança está expressa no parágrafo em que um dos juízes não acata as denúncias da coligação da candidata derrotada Roseana Sarney e vota pela absolvição do governador.

Eis o trecho da matéria, na qual o repórter rememora o caso Capiberibe:

“Marcelo Ribeiro, um dos dois magistrados que rejeitaram todas as denúncias, afirmou ter estranhado, por exemplo, o caso da compra de votos. Quatro eleitores admitiram em juízo ter recebido cerca de 100 reais para votar em Lago. Memória: em 2004, o senador João Capiberibe, do PSB do Amapá, teve o mandato cassado pelo TSE após uma testemunha ter declarado a venda de voto ao parlamentar. Capiberibe, adversário político de Sarney, sempre atribuiu sua cassação a uma tramóia montada pelo hoje presidente do Senado.”

Prossegue o repórter:

“Ribeiro estranhou, principalmente, o fato de as testemunhas terem se apresentado de “forma espontânea” à polícia e assumido o crime. Apontou ainda divergências e imprecisões nos depoimentos e lembrou que um dos eleitores, Sara Oliveira, voltou atrás e afirmou posteriormente ter sido cooptada para acusar Lago. “Isso tudo não soa bem”, afirmou o ministro, convencido da fragilidade das acusações.”

Posto isso, vale informar que desde fevereiro de 2007 encontra-se no STF, nas mãos do ministro Joaquim Barbosa, embargos declaratórios interpostos por  João Capiberibe em que ele solicita o prosseguimento do julgamento, alegando que o relator da sessão que confirmou a sentença do TSE não concluiu seu voto. Com isso, Capiberibe foi sacado do Senado sem que sua sentença tenha transitado em julgado.

O problema é que a ação tramita a mais de dois anos no STF e não existem sinais que será julgada a tempo e à hora.

Nesse embargo foi anexada, inclusive, a confissão de um dos operadores da farsa da compra de votos, registrada em cartório.

No depoimento, uma escritura pública de declaração registrada em cartório no dia 10 de fevereiro de 2006, Roberval Coimbra Araujo, aliciante das duas mulheres que testemunharam contra Capiberibe narra como toda a farsa foi realizada.

Roberval afirma na escritura, que “no dia 03 de outubro de 2002, após ser descoberta uma suposta boca de urna do casal Capiberibe, fui convidado pelo Sr. Hélio José Nogueira Alves, a fazer parte de um esquema para tirar o poder do casal Capiberibe e fui levado até a sede da TV Tucuju, e apresentado aos senhores Gilvam e Geovani Borges e Dra. Neiva, e recebi da Dra. Neiva algumas folhas de papel contendo 5.000 mil nomes para que eu encontrasse duas pessoas dispostas a deporem contra o casal Capiberibe”.

No depoimento, Roberval afirma que no mesmo dia 3 recebeu “R$ 200,00 e um carro marca Ford Escort com tanque cheio” para fazer parte do “esquema batizado por Geovani Borges como Operação Cavalo Doido”.

Ainda foram oferecidas vantagens como uma assessoria, quando Gilvam assumisse o Senado, e retorno financeiro. Por estar na época passando por privações financeiras, Roberval aceitou a proposta.

Roberval prossegue o depoimento dizendo que “com dois dias de buscas cheguei à casa de Rosa Saraiva do Santos, e a convenci dando-lhe alguma vantagem de melhorias, pois a mesma morava em área alagada e necessitava; aceitou e por sua vez chamou a sua vizinha Maria de Nazaré da Cruz Oliveira que também aceitou, e em seguida as levei para fazer seus depoimentos no Cartório de Santana”.

Roberval finaliza o depoimento registrado em cartório dizendo que “quero afirmar também que as testemunhas do caso Capiberibe mentiram ao depor em juízo, elas falaram por que receberam dinheiro do Senador Gilvan para mentir contra o Senador Capiberibe, e que chegou a conversar com as testemunhas de que iria contar toda a verdade na imprensa”.

Além da confissão de Roberval, o juiz federal José Renato Rodrigues mandou arquivar por falta de provas o inquérito policial instaurado a pedido do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, acatando denúncia de Gilvam Borges sobre o desvio de R$ 365 milhões nos últimos dias do segundo mandato de João Capiberibe, como governador do Amapá.

O depoimento de Roberval Coimbra Araújo e a decisão da Justiça Federal deixam claro que a cassação de Capiberibe foi uma grande armação, que estaria se repetindo agora contra Jackson Lago.

Coincidentemente, os algozes dos dois fazem parte de grupos políticos no Maranhão e no Amapá, comandados pelo clã dos Sarney.

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