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Caros Amigos: CASO DE POLÍCIA – Quem governa é o Lula, mas quem manda é o Sarney

CASO DE POLÍCIA

Só no Brasil Sarney poderia chegar aonde chegou…
Com o filho Fernando Sarney ameaçado de prisão sob as acusações de formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e a administração pública, falsidade ideológica, fraude em licitação e evasão fiscal, e com o comportamento político de um coronel das antigas, em país algum do mundo José Sarney poderia chegar de novo aonde chegou.

Leia reportagem Quem governa é o Lula, mas quem manda é o Sarney, de Palmério Dória, em Caros Amigos de fevereiro, nas bancas. Aqui leia trechos:

Dos 56 cargos federais existentes no Maranhão, 54 pertencem à “cota” de José Sarney – o partido do presidente da República nomeou apenas dois. Sarney está dando as cartas mais que nunca. Controla áreas do Ministério dos Transportes. Na energia, domina de ponta a ponta. No momento em que esta revista circular, pode ter conseguido no Supremo derrubar o governador eleito pelo povo maranhense e ter posto no cargo sua própria filha, Roseana. Com seu poder de nomear, com uma mãozona de Renan Calheiros, que tem nos costados 29 inquéritos tramitando no Supremo, volta a presidir o Senado. E com um filho, Fernando, implicado num escândalo federal, em país algum do mundo Sarney poderia chegar de novo aonde está chegando. Do Maranhão ele é dono. E no Brasil

Quem governa é o Lula, mas quem manda é o Sarney

por Palmério Dória

“Não existe organização criminosa mais bem-sucedida do que a que conta com apoio estatal.”

Misha Glenny, em McMáfia – O crime sem fronteiras

A campanha de 2002, para a presidência da República, teve revival numa tarde de quinta-feira, 4 de dezembro de 2008, no elegante Instituto Fernando Henrique Cardoso, na ex-sede do Automóvel Club, no centro paulistano.
“O senhor comandou, a mando do ministro José Serra, a operação da Polícia Federal na Lunus, que deu na queda de Roseana Sarney na corrida presidencial?”
A pergunta, feita a Marcelo Itagiba, mesmo previsível, parece ter desconcertado o presidente da CPI dos Grampos. O deputado peemedebista, menino rico que se tornou policial por vocação, delegado da Polícia Federal, tinha acabado de participar de um debate sobre “usos e abusos do grampo telefônico”, e até ali, de pé, com as proporções de um armário de terno, respondia com tranqüilidade a perguntas na coletiva que se seguiu.
“Quem disse isso é um mentiroso!”
O “mentiroso”, que quase fez o deputado perder as estribeiras – na juventude, ele cavalgava na Hípica carioca –, nem estava na seleta platéia, embora tenha recebido convite. Só podia ser o jornalista Paulo Henrique Amorim, que durante a semana vinha repisando, na internet, perguntas que sua Conversa Afiada faria no debate, três das quais remontavam ao Caso Lunus, arrematadas com um irônico “the right man in the right place” – o homem certo no lugar certo.
“O que o senhor fazia quando era do Serviço de Inteligência do Ministério da Saúde, na gestão José Serra ?”
“Qual o seu papel na Operação Lunus, quando a Policia Federal desmontou a candidatura de Roseana Sarney à Presidência da República, em 2002?”
“Foi o senhor que mandou aquele fax ao Palácio do Alvorada, concluída a Operação Lunus, que dizia ‘missão cumprida’?”
O assunto – indigesto para o ex-secretário da Segurança de Anthony Garotinho – também era do interesse de Caros Amigos.
“O senhor estava no Maranhão quando houve a operação?”
O assessor da Companhia de Notícias, que trabalha para o instituto, já o conduzia do auditório para o corredor tomado por pôsteres gigantes do ex-presidente, mas Marcelo Itagiba voltou-se para dizer um sonoro “não”, e ouvir a outra pergunta.
“Houve aquele fax para a presidência da República?”
“Não.”
Apesar da pressa, precisava embarcar para Brasília, retomando a calma, continuou num tom de quem dá conselhos a jornalista atrás de notícia velha, bem mais compatível com ele, contumaz freqüentador do gramado do exclusivo Gávea Golf – a grama não tem nada a temer: o homem que hoje empresta seus serviços a Gilmar Mendes e Nelson Jobim na CPI dos Grampos já chega saciado às partidas.
“Olha, esse é um assunto superado”.

Para continuar lendo a matéria confira a edição de fevereiro da Caros Amigos, já nas bancas, ou assine a versão digital Caros Amigos

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