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Artigo- Enxugando Gelo – por Caio Isacksson Santana

ENXUGANDO GELO
O artigo publicado no jornal Diário do Amapá, dia 11 do mês em curso, denominado “Crise faz The Economist virar Small Newspapers”, de autoria do senhor Said Barbosa Dib, me chamou atenção por alguns aspectos abordados que no mínimo nos fazem refletir sobre a livre expressão do pensamento. Said Dib é assessor de comunicação do Senador José Sarney, que tem andado na crista da onda dos bombardeios políticos após a sua condução para a presidência do Senado Federal.
O artigo é uma resposta à respeitada revista inglesa “The Economist”, que outrora publicou uma matéria, cujo título era: “Where Dinosaurs Still Roam” (Onde dinossauros ainda vagam), que tratou como retrocesso político à elevação de Sarney à presidente do Senado, uma vez que, sua conduta conservadora e reacionária se contradiz com o perfil de um país com características progressistas como o Brasil.
Said Dib fez uso de acusações gravíssimas, do ponto de vista democrático, ridicularizando uma revista de prestígio mundial, pelo fato de expressar uma opinião que não lhe agradou, muito menos ao seu chefe, mas que, se alinhou perfeitamente ao pensamento do povo do Maranhão de hoje, que luta bravamente pela sua “libertação”. Analogias medíocres entre a The Economist e o Jornal Pequeno do Maranhão, fazendo alusão há possíveis arrendamentos de espaços para opiniões, custeados através de dinheiro público, realmente algo fora dos padrões democráticos da política contemporânea, porém, comum a esse grupo que nunca conviveu harmonicamente com o pensamento dos contrários, ou seja, aos que falam mal, o descrédito, foram utilizadas na tentativa insana de preservar a conduta moral de um dos homens mais poderosos desse país. Como se ninguém soubesse que durante décadas o clã da família Sarney estabeleceu um regime de alienação descomunal, que remeteu o estado do Maranhão a um paradoxo inaceitável, onde suas riquezas naturais se contradizem com a pobreza copiosa de milhares de cidadãos e cidadãs que hoje correm atrás do tempo perdido em busca da emancipação político social, como se ninguém soubesse, que por questões de sobrevivência política, nada além disso, José Sarney buscou refúgio no estado do Amapá para se manter no cenário político nacional.
Paralelo a isso, não se pode esquecer que a exposição pública que o cargo de presidente do Senado Federal estabelece aos que nele são investidos se assemelha à envergadura do poder em questão, tornando-se assim, a luz da racionalidade política, uma zona de risco para aqueles que possuem sua conduta moral sustentada por um fiapo de cabelo. Ao assumir a presidência do Senado, Sarney armou-se para proteger seus pares do foco das investigações da Policia Federal, por exemplo, como ocorre hoje com seu filho Fernando Sarney, mas também se transformou num alvo de fácil acesso, portanto, mais exposto aos questionamentos acerca das suas ações, enfim, o campo da dialética referente à conduta política de Sarney e seus apadrinhados, ampliou-se, ganhou mais eco, o que é natural.
Imaginar, que ao estar presidente do Senado Federal, Sarney teria sua vida pública reformulada, e todas as ações a revelia dos interesses popular, sejam no Maranhão ou no Amapá, orquestradas pelo mesmo ou por um dos seus subservientes fossem sistematicamente anuladas da história política desse país, é no mínimo uma demonstração gratuita de subestimação da inteligência do povo brasileiro. Portanto, não vejo razões para o destempero do senhor Said Dib, para com a imprensa, seja da Inglaterra, seja do Brasil, pois insistir no mister de escamotear a história política do Senador José Sarney e seus elementos constitutivos é o mesmo que enxugar gelo.
Ações como essas ferem de morte a democracia brasileira, cabe aos setores organizados da imprensa desse país, um manifesto semelhante ao do povo do Maranhão: “libertação”, ainda que tardia.

Macapá-AP, 16 de fevereiro de 2009
Caio Isacksson Santana

Sociólogo

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Comentários

  1. É verdade, concordo com o que revela o artigo, já está na hora de tomarmos uma decisão definitiva contra os ataques que a imprensa de modo geral tem sofrido por expressar as verdades dos fatos, o grupo do Sarney é especialista nisso, chega! Viva a democracia!!! Parabéns!

    Escrito por Carlos Bruno Sampaio | 18/02/2009, 12:46

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