CONGRESSO
A torre dos privilegiados é para poucos no Senado
Prédio da Casa vira endereço de senadores de peso e dos afilhados políticos. Além da vista privilegiada, os gabinetes são bem amplos
Lúcio Vaz
Da equipe do Correio
Fotos: Carlos Moura/CB/D.A Press
A Torre do Senado transformou-se no sonho de consumo dos senadores
Sarney foi o primeiro a ir para a torre, em 1997, na sua primeira passagem pela Presidência do Senado. Os outros seguiram seus passos. “Onde você vê garça é porque tem peixe. A gente pensou: se ele foi para lá, é porque tem coisas boas. A liderança atrai os outros”, explica Gilvan. O prédio tem uma desvantagem: a espera pelo elevador, principalmente agora que há tantos congressistas no prédio. Mas o senador aponta as muitas vantagens da nova localização. “Aqui, tenho uma vista espetacular. Lá embaixo, a gente fica muito fechado”, comenta, apontando para vista panorâmica, com o Lago Paranoá ao fundo. Ele acrescenta que a torre proporciona maior privacidade e melhores acomodações, além de um certo prestígio. “Estou no meio da elite, mas sou um representante da plebe”, brinca.
No restaurante
Para acomodar 12 senadores na torre, foi preciso desalojar setores administrativos que estavam ali instalados. A Secretaria de Informação e Documentação, que ficava no 18º andar, foi parar num prédio subterrâneo onde funcionava um restaurante para servidores. O local estava fechado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal por falta de condições operacionais. Não tinha cozinha. Numa sala que cheira a mofo, sem divisórias, os funcionários estão acomodando livros, revistas, documentos e parte do acervo artístico da Casa. Um quadro com a figura de Ulysses Guimarães foi devolvido de um gabinete. “O senador cansou dele”, comentou um servidor. Há uma pilha de revistas na cozinha, onde uma servidora prepara café. Não há parede divisória entre o lavabo e a única sala. O cheiro de café novo abafa por alguns minutos o cheiro de mofo.
As secretarias de Engenharia, de Finanças e de Pessoal foram instaladas nos prédio de apoio ao lado da gráfica, no outro lado da rua, após algumas reformas. O espaço foi dividido em dois pisos na Engenharia. O teto ficou baixo. Enquanto isso, o Anexo 1 sofre constantes mudanças. No espaço aberto no 18º andar, onde também funciona o gabinete de Gilvan, foi colocada a Subsecretaria de Pagamentos, que estava no 8º andar, agora ocupado pelo ex-primeiro secretário Efraim Morais (DEM-PB). O ex-presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN) mal deixou o cargo e já ocupou o 12º andar. A passagem pela Mesa garante um espaço na torre dos privilegiados. Lá estão, por exemplo, Paulo Paim (PT-RS) e Gerson Camata (PMDB-ES).
Um dos últimos a chegar, dia 15 de janeiro, foi Gim Argelo, um dos articuladores da candidatura de Sarney à presidência da Casa. Teve a sua recompensa. Rosena Sarney (PMDB-MA), filha do presidente, tem o seu lugar na torre, é claro. Lá também estão Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Marco Maciel (DEM-PE), lideranças importantes na Casa. Nos gabinetes que ficaram vagos, no Anexo 2, estão sendo instalados outros setores da administração da Casa.
Já fui lá. Achei lindo. Igual aos sonhos dos brasileiros que eles já estão vivendo.
Enquanto o povo sofre com a miséria,desemprego,políticos corruptos brigam para se manter no poder a qualquer custo aumentado suas contas bancarias e regalias.Pra essa letargia só tem um pensamento:”DEUS NÃO DORME”.A JUSTIÇA DIVINA PREVALECERÁ.