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Debate: Capiberibe deveria aliar-se a Sarney?

Nos comentários sobre a matéria postada na sexta-feira sobre a posição do Senador Papaléo Paes a respeito da candidatura de José Sarney à presidências do Senado, acabou surgindo um interessante debate em torno de uma hipotética e difícil aliança Sarney – Capiberibe.. Gilberto Nascimento iniciou o debate, eu respondi, e Pepê Mattos continuou. Segue abaixo a íntegra dos comentários:

Comentário 1

Por Gilberto Nascimento

Luciana (desculpe-me a intimidade), mas é que acompanho as informações do seu blog quase que diariamente. Acho as mesmas muito democráticas e torço para que em futuro próximo muitos jornalistas daí sigam o seu exemplo. Você que é filha do Governador Capiberibe e da deputada Janete, além de ser irmã do excelente Deputado e “PREFEITO MORALMENTE ELEITO DE MACAPÁ”, Camilo Capiberibe, nem por isso deixa de publicar comentários contrários ao seu pensamento político e, por conseguinte, ao seu grupo político,enfatizando assim uma responsabilidade jornalística ímpar no Amapá. Daí,cara Luciana, permita-me fazer-lhe uma crítica construtiva no que concerne ao comportamento do seu site com relação às notícias divulgadas sobre o Senador Sarney. Particularmente,sou opositor à maioria dos atos políticos do referido Senador, mas entendo que o Estado do Amapá estaria infinitamente melhor se num passado recente tivesse havido um entendimento entre o Sarney e o Capiberibe. Entendo que o seu grupo político errou feio ao trombar com o velho Senador. Este é uma raposa política com décadas de experiência. Não creio que o governador Capiberibe tenha se julgado melhor que o DOUTOR ULYSSES GUIMARÃES, o velho “SR. DIRETAS”, que aceitou o Sarney como vice do Tancredo em nome da redemocratização do país. O certo Luciana, é que em politica,as vezes é preciso se esquecer as ideologias em nome do bem estar do povo. Mas se vocês preferiram deixar o Sarney ao lado de políticos inespressivos e facilmente manipuláveis daí, paciência. Quanto ao fato do festejado apoio do PSDB ao Senador Viana, quero dizer-lhe que, provavelmente, tudo não passa de mais um ato esperto dessa tucanada covarde. Eles já sabem que o velho senador está eleito, não querendo portanto, ficar compromentidos com a eleição do mesmo. Me engana que eu gosto!! Um forte abraço do seu leitor quase que assíduo.

Comentário 2

Por Luciana Capiberibe

Olá Gilberto, a política é muito mais do que aquilo que se lê nas páginas de jornais ou vê nos programas de televisão, aliar-se a Sarney significou para o povo do Maranhão um atraso de décadas. O Amapá não ganharia com uma aliança assim, pois o dinheiro que vem, cai pelo ralo de emendas “estranhas” como aquela para a construção do aeroporto de Macapá, que transformou-se num duto que “engoliu” R$50 milhões, de acordo com o Ministério Público. O Governo Waldez está aliado até o último fio de cabelo com Sarney, e aí? o que o Amapá ganhou com isso? Cadê a ponte sobre o Rio Oiapoque? Cadê o aeroporto? Cadê a ponte sobre o rio Vila Nova? a presença de Sarney significa uma coisa apenas: atraso. Não se esqueça que durante o governo Waldez, seu aliado, ele já foi duas vezes presidente do Senado, e aí?

Quando Ulisses aceitou que Sarney fosse vice de Tancredo, nunca imaginou que o futuro reservaria para o oligarca maranhense a sorte de vir a ser presidente da República. Aqui, em 1990, o grupo político de Capiberibe decidiu aceitar o apoio de Sarney para tentar evitar que Barcellos chegasse ao poder pela via eleitoral e tentar eleger Gilson Rocha, à época candidato a governador pelo PT. Quem não aceitou a aliança foi, pasmem, o PT, de Lula. Quanta mudança, não?O problema é que o tipo de relação que  Sarney cria, Gilberto, não é de aliança, é de submissão, não está na mão de ninguém, quem está na mão de Sarney são seus aliados. Naquela época, aliar-se a Sarney seria evitar um mal maior, mas hoje a conjuntura é outra, a raposa maranhense já se mostrou muito danosa ao povo amapaense.

Comentário 3

Por Pepê Mattos

Política não é uma ciência exata; está mais para religião – naquilo que a religião não tem de resposta para situaçoes cotidianas dos seres humanos e naquilo que provoca nos seres humanos obediência cega, sem direito a sequer tentar questionar o porque de tal ato desarrazoado. Idealismos à parte, um ser humano que passa a vida toda defendendo seu ponto de vista, não pode mudar de princípios só porque lutar contra um poder usurpador lhe relegará um lugar menor no espectro político – ou quando menos, lugar nenhum. O Amapá pode e deve ser representado por (seus) políticos inexpressivos, até que essa (mal)dita inexpressividade seja um fardo pesado demais a ser carregado por essas mulas cegas que se deixam guiar pelo brilho enganoso do poder pelo Poder. Capiberibes, Randolph, Clécio devem ficar à parte e representar com honra e luta justa o povo amapaense e nunca, jamais arrefecer nessa guerra cuja vitória será a erradicação de qualquer vestígio de atraso que a triste figura de Sarney representa para esse belo Estado. Tenho votado insistentemente, anos após ano, em qualquer um em que eu vislumbre um sinal de protesto contra esse atraso crônico chamado Sarney e em todos que o apóiam e se deixam por ele ser apoiados. Não é difícil entender porque o Amapá desponta na rabeira de quase todos os índices de desenvolvimento no país. Milhares de amapaenses com preguiça de pensar grande e agir localmente preferem se vender por R$ 50,00 reais, vestir qualquer cor que este pútrido poder lhes solicitam e maquinalmente se dirigem ao local de votação – feito peças de uma grande e insana engrenagem – e vaticinam o atraso do Amapá por 4, 8, 16 ou 24 anos. Papaléo já está merecendo um verbete nos melhores dicionários significando “(Política) aquele que muda de partido tão logo vislumbre um aproveitamento pessoal em detrimento de melhorias na comunidade que o elegeu”.

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

Comentários

  1. É bastante visível e não é de agora o processo de degradação social que permeia a sociedade amapaense, representada pela corrupção desenfreada, pela enorme criminalidade (uma das maiores do Brasil), pela impunidade e pela queda dos valores éticos e morais em geral.
    Instituições como a Família, a Igreja, a Escola e outras, que compõem a sociedade amapaense e contribuem para a formação ética e moral dos cidadãos, e o próprio Estado, que é responsável pela ação coercitiva contra aqueles que atentam contra as regras sociais entre outras funções, encontram-se impotentes diante do acelerado processo de deterioração das bases da convivência social no Amapá.
    A degradação social no Amapá é fruto da corrupção e da omissão da sociedade civil diante dos lamentáveis fatos políticos e sociais da história recente do Amapá. As principais consequências (saúde, educação e segurança). Hospitais com paredes rachadas, tetos infiltrados, equipamentos sucateados, falta de médicos e enfermeiros, excesso de doentes. Este é o cenário atual da saúde pública no Amapá.
    A política educacional amapaense está permeada por essa corrupção, no entanto, o patrimonialismo, o clientelismo e a burcracia enraizados no sistema político e econômico,continuam emperrando as transformações necessárias à administração da educação.
    Do total de homicídios registrados em Macapá, cerca de 60% ocorrem nas periferias e está ligada a fatores como a má distribuição de renda e o desemprego. Mas essas não são as únicas causas. As condições de vida nessas regiões contribuem para isso. Há carência de serviços públicos, como saneamento básico, saúde, educação e transporte, o que cria uma sensação de exclusão social dos moradores. A participação de menores em delitos violentos tem motivado discussões na sociedade sobre a necessidade de responsabilidade criminal ao jovem a partir de 16 anos, e não mais aos 18. Enquanto as autoridades do Amapá discutem o assunto, são cada vez maiores a delinquência, a violência e os homicídios entre os nossos jovens.
    O tráfico de drogas geralmente são praticados por quadrinhas especializadas, o que caracteriza o crime organizado.
    Sua ação é facilitada pela globalização da economia, pelo aperfeiçoamento dos meios da comunicação e pela abertura de canais ágeis e sigilosos para a transferências de capitais.

    Escrito por Robervan Queiroz | 24/06/2009, 21:23

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