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Debate sobre socialismo na América Latina atraiu público no primeiro dia do FSM

esq. para direita - Enrique de Santiago, João Capiberibe, Ramon Montavani, Thomas Mitschein e Maurício Brusadim
esq. para direita - Enrique de Santiago, João Capiberibe, Ramon Montavani, Thomas Mitschein e Maurício Brusadim

Aconteceu na tarde da quarta-feira, 28, no auditório do POEMA (Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia- UFPA) a mesa “O SOCIALISMO DO SÉCULO XXI : O SEU BERÇO ESTÁ NA AMÉRICA LATINA?”, que faz parte da programação oficial do Fórum Social Mundial na sua 9ª versão em Belém do Pará. A mesa foi dirigida por  Thomas Mitschein, coordenador do POEMA, e contou com a participação de Ramon Montavani, do Partido Rifundacione Comunista da Itália,  Ernique de santiago, da Esquerda Unida da Espanha,  João Capiberibe, ex-governador e ex-senador do Amapá, Arnaldo Jordy, deputado estadual e Presidente Estadual do Partido Popular Socialista no Pará e Maurício Brusadim, Secretário da Juventude Verdes do Brasil. O evento contou com um debate aberto à participação do público e foi transmitido ao vivo pela TV Web www.tvdopv.com.br.
O coordenador da mesa Thomas Mitschein abriu os trabalhos às 15h30min com uma reflexão inicial onde ele lembrou a queda do muro de Berlim e o significado desse evento histórico como expressão simbólica do fim do socialismo real, “a queda do muro de Berlim para os vencedores significava o fim da história, ou seja, a vitória da economia de mercado e do sistema parlamentar para representação política para o mundo inteiro”. Para Thomas, o momento atual é de repensar o modelo de desenvolvimento, já que os problemas sociais se aprofundaram com o capitalismo e hoje há no mundo pelo menos um bilhão de pessoas passando fome. Ainda segundo Thomas, o mundo vive hoje uma crise civilizatória em termos sociais, econômicos e ambientais, aprofundada pelo fato de que o capitalismo não dá respostas para reverter a destruição das bases naturais da vida humana, “o século XXI será o século da ecologia pelo bem ou pelo mal. Da forma como as coisas estão se encaminhando, será pelo mal”. O professor aponta uma tendência Latino Americana de negação das propostas neoliberais segundo as quais o mercado é a única forma de organizar a sociedade, essa tendência pode ser reconhecida na eleição de representantes como o presidente Lula, no Brasil, Kishner na Argentina e Hugo Chaves, na Venezuela. “Na Venezuela surge o tema do socialismo no século XXI, o socialismo não está morto, mas ele não será organizado através dos parâmetros tradicionais”, finalizou o coordenador do POEMA.

O público compareceu ao auditório do Poema para prestigiar o evento
O público compareceu ao auditório do Poema para prestigiar o evento

Ramon Mantovani deu início às palestras fazendo uma autocrítica do comportamento da esquerda “em  muitos casos não foi a esquerda que usou o poder para transformar a sociedade, mas o poder que transformou a esquerda”, dito isso, Mantovani realçou o fato de que a pobreza está tanto nos países ricos, como nos países pobres e assim como há riqueza em todos os lados, é necessário que as soluções sejam pensadas de forma conjunta. “Vivemos em uma sociedade onde se vive no limite do individualismo, nós temos que mudar isso agora e não esperar as eleições, essa é uma tarefa importante, difícil de levar adiante para um partido político, um partido político hoje tem que estar dentro do movimento com todos os outros que participam dessa conjuntura, assim como ongs e outras organizações”- declarou Mantovani.

Para Enrique Santiago “nesse momento da história o socialismo é uma necessidade porque o capitalismo demonstrou ser um sistema incompatível com a preservação do planeta”. Para o representante da esquerda espanhola, o capitalismo é um sistema onde tanto seres humanos, quanto recursos naturais são explorados de forma injusta,  a sociedade precisa de um sistema alternativo ao capitalismo para manter-se como espécie. Ele acredita que o Socialismo real caiu por ter como limitação a adoção de premissas inerentes ao capitalismo no que diz respeito à lógica de acumulação própria do capitalismo. “Um mundo realmente civilizado tem que ter seres humanos que se respeitem uns aos outros”, diz Santiago. Também para Santiago, a  construção do socialismo do século XXI só poderá acontecer pela convergência dos
Movimentos de  trabalhadores, da esquerda política e  dos movimentos sociais.
Capitalismo popular, uma fraude com pés de barro -  Depois da queda do muro de Berlim, o capitalismo tentou implantar entre as classes de trabalhadores e médias políticas públicas para fazer crer que atingia a todos e acabar com a resistência às privatizações, entre elas Santiago cita a repartição das ações das empresas públicas entre os cidadãos de classe média e baixa. Para ele, teremos o socialismo quando conseguirmos fazer cumprir a Declaração Universal dos direitos humanos, trata-se porém de uma construção longa, “o sistema capitalista foi consolidado em 4000 anos, não vamos colocar uma alternativa em 10 ou 20 anos, trata-se de uma construção longa, esse processo  em torno da declaração universal dos direitos humanos vai se realizar um dia”, finalizou Santiago.

Para João Capiberibe, tanto o sistema capitalista, quanto o socialismo “imaginavam a terra depósito infindável de recursos naturais, hoje sabemos que isso não é verdade e os sintomas de esgotamento são evidentes”. Para Capiberibe é necessário socializar a responsabilidade pela vida no planeta Terra e declarar de uso comum a atmosfera, o solo e a água e criar mecanismos de controle da utilização desses recursos naturais. “Creio na força dos movimentos organizados da sociedade, na sua capacidade de influenciar os rumos políticos de construção de um poder democrático e transparente, capaz de avançar na direção de um outro mundo possível”, finalizou o ex-governador do Amapá.

Arnaldo Jordi(PPS) falou sobre  a incapacidade, tanto do socialismo real, durante seus 70 anos de experiência concreta, quanto do capitalismo, de dar atenção às questões da sustentabilidade ambiental. Ele colocou da necessidade de se repensar o modelo socialista, “se se observar do ponto de vista da sustentabilidade ambiental, a experiência do socialismo real foi devastadora”, declarou Jordi, que destacou ainda a importância de que um novo modelo de socialismo leve em conta a questão da justiça social, e que a democracia tenha mecanismos de participação social que leve em conta as questões da ética, a sustentabilidade ambiental e o humanismo.

Mesa sobre socialismo na América Latina atraiu o interesse do público do Fórum
Mesa sobre socialismo na América Latina atraiu o interesse do público do Fórum

Mauricio Brusadim destacou que enquanto durou a experiência do socialismo real, o capitalismo teve um viés voltado para o bem estar social, justamente para se contrapor ao modelo socialista, “só foi possível a construção do bem estar social por que o capitalismo tinha contraponto e o novo contraponto, com a queda do socialismo real é a sustentabilidade ambiental”, disse Brusadim.

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Comentários

  1. O Ex-governador e senador do Amapá, João Alberto Capiberibe é sinônimo de orgulho para nosso Estado.
    É raro e incomum, hoje, encontrarmos políticos extremamente comprometidos com as questões sócio-ambientais da Amazônia. Esse espaço de discussão no Fórum Social Mundial em Belém, só reforça e referencia sua personalidade pública e respeitada que vai além das fronteiras amazônicas para o mundo.

    Escrito por Otizete | 29/01/2009, 13:34

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