Raul Mareco, de Belém (PA)
Luciana Capiberibe
O Fórum Social Mundial oficialmente teve início em Belém (PA) na tarde desta terça-feira (27), onde aproximadamente 70 mil pessoas – segundo estimativas da Policia Militar –, provenientes dos mais variados países e culturas partiram da Estação das Docas caminhando num percurso de 05 km até a Praça do Operário.
A chuva forte alagou as ruas de Belém tornando o trânsito caótico e dispersou um pouco o início da caminhada. Militantes de organizações não-governamentais de todos os cantos do planeta, partidos políticos de esquerda, movimentos de defesa aos direitos humanos, manifestantes contra o sionismo e o racismo, além de grupos de apoio às causas afro-descendente e indígena, entre outros, participaram pacífica e efetivamente da Marcha do FSM.
Muita gente de Macapá se deslocou até Belém para participar do Fórum. No meio da caminhada, todo tipo de manifestação podia ser encontrada, desde performances culturais, até cartazes e uma gigantesca bola representando o globo terrestre.
Durante o evento, poucos veículos de comunicação brasileiros foram avistados, entre eles jornalistas da Carta Maior, UOL e Portal G1; do Amapá, foram vistos apenas jornalistas da Rádio Comunitária Novo Tempo. No entanto, redes de televisão, rádio, e repórteres de portais na Internet de vários países podiam ser vistos em bom número cobrindo o evento.
Mais tarde, o Jornal da Noite da Rede Bandeirantes, comandado pelo âncora Boris Casoy, apenas destacou o inicio do Fórum Econômico de Davos, na Suíça, transparecendo o “interesse” de alguns conglomerados midiáticos tupiniquins em relação ao Fórum Social Mundial.
Mc Donald`s na mira
Outro destaque que marcou a Marcha do FSM em Belém (PA) foi o pequeno entrevero entre militantes de esquerda com a Tropa de Choque da Policia Militar do Pará, em frente à rede estadunidense de fast-food Mc Donald`s, no bairro Nazaré, região nobre da Cidade das Mangueiras.
Com os gritos de ordem “porcos imperialistas”, “fora Mc Donald`s do Brasil”, entre outros, os manifestantes se aproximaram da entrada da lanchonete, pelo que pareceu ser um inicio de invasão, mas foram repelidos com spray de pimenta pelos PM`s.
“Não posso conceber que brasileiros defendam essa invasão imperialista em nosso pais”, disse um militante do PSOL que pediu o anonimato, referindo-se aos policiais militares que impediram a entrada das pessoas.
Por outro lado, o curioso foi observar alguns participantes do FSM, com crachá inclusive, no interior da rede de fast-food. Ao saírem, foram subitamente vaiados por demonstrarem “contradição em relação à sua participação no Fórum”, disseram alguns. O município de Belém não organizou o trânsito para a caminhada, o que causou um enorme congestionamento no horário de pico das 18h, por conta disso muitos motoristas que voltavam cansados do trabalho tiveram que esperar passagem e acabaram se confrontando com participantes da marcha.
No mais, nenhuma cena de violência fora constatada, a não ser a breve detenção de um jovem por ter urinado em via pública, logo solto devido à manifestação de pessoas que se amontoaram ao redor da viatura policial.
No bairro de São Braz, organizadores do FSM em um palco montado na Av. Almirante Barroso, deram as boas-vindas aos participantes e declararam aberto o evento, que agora terá entre os dias 28 e 01 de fevereiro, na Universidade Federal do Pará (UFPA) e na Universidade Rural da Amazônia (UFRA), desde oficinas, debates, seminários, palestras, atrações culturais, shows até a participação dos presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai) e Luis Inácio Lula da Silva, estes últimos provavelmente participando do Centro de Convenções Hangar.
Para amanhã está prevista a chegada do presidente Lula, chegam os presidentes da Bolívia, Evo Morales, da Venezuela, Hugo Chavez e o do Equador, Rafael Correa. A Warner Bros já confirmou também a participação do casal de atores americanos Brad Pitt e Angelina Jolie no evento.
O Sarney foi outro que apanhou de 70 mil pessoas do inicio ao fim da Marcha.
Participei da caminhada de abertura do Forum Social Mundial e acompanhei a turma que veio do Maranhao, a BALAIADA. Do inicio ao fim pregamos o fim das oligarquias. ‘Ajudei a carregar uma bandeira bem grande que dizia: Sarney nunca mais! Uma kombi, uma bandeira, um microfone e muita gente disposta a protestar. Fora Sarney, fora Jader, fora Renan, fora Maluf. Tenho cada vez mais a certeza que o caminho para transformarmos este pais num lugar mais digno, etico, onde todos tenham oportunidades iguais é através da organizacao dos movimentos sociais e este forum está deixando bem claro este caminho.