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Artigo – Abre-te, Sésamo! – Ademir Pedrosa

Ademir Pedrosa

O ser humano é tão generoso que acredita em tudo, os tolinhos. Há aqueles que crêem em extraterrestres, em bicho-papão e até no PT. E há outros, desse mesmo jaez, que acreditam em heróis e mocinhos. Eu pensei que o Senador Sarney só acreditasse no estoicismo heróico de Cabralzinho, mas pelo visto, parece que ele quer arrumar um outro herói em nossa história, como o andarilho quixotesco da tevê, que já vem com claque, figurante, fundo musical, gilvanete, etc. e tal. E isso assalta meu coração de piedade… e medo. Logo eu que até hoje não sei direito se na hora do pega-pra-capar o Cabralzinho correu ou não correu das baionetas francesas, imagina se vou acreditar numa patética figura de chapéu de palha, chinelas e bengala em pleno século XXI. Eu, heim, rosa!

Como se já não bastasse heróis de meia-tigela, temos um outro da cepa de um Marechal, o militar Floriano Peixoto. Em minhas primeiras lições de cartilhas eu fui enganado estupidamente, e me fizeram acreditar que esse militar fora um herói. Esconderam de mim de que ele comandou tropas do exército brasileiro, juntamente com a Argentina e Uruguai, e massacraram impiedosamente as tropas do exército Paraguai, e que quase dizima a população masculina daquele país. E esse assassino é hoje nome de praça e tido como herói brasileiro. É o mesmo que fazer você acreditar, Leitor, que Lampião era um protetor dos fracos e dos oprimidos, o Robin Hood das caatingas ou que Fernandinho Beira-mar é o Charles Anjo-45, e que quando voltar das férias de uma penitenciária de segurança máxima vai botar ordem no galinheiro.

E não é que me surge das cinzas, em meio ao imbróglio de pega ladrão, uma criatura que pode tornar-se o mais novo herói, o salvador da pátria, o protagonista da ópera-bufa, o cantor Amadeu Cavalcante. Tesoureiro da Amcap era ele quem conduzia o dinheiro em dois recipientes distintos, uma pasta e uma sacola; ambos abarrotados de uma grana preta, e que era destinado ao pagamento dos que fizeram o réveillon. No trajeto, o Miquéias, o vice-presidente e que dirigia o carro, estacionou para atender ao celular que tocava. Égua, não! Égua, não! Parece filme americano em que o mocinho é politicamente correto, e obedece à risca a Lei de trânsito. Estacionados no meio-fio, receberam a voz de assalto. Então o Amadeu Cavalcante que não é besta, não ia cometer a burrice de entregar ao bandido todo o dinheiro, e decidiu entregar a pasta que continha o menor valor, a bagatela de R$135.000,00, apenas. A outra grana ele sorrateiramente empurrou pra debaixo do banco do carro. Uma atitude intrépida, digna de um herói. Quando ouvi essa história, confesso que condoeu em mim uma emoção que havia muito que não sentia. E me arrancou uma lágrima enternecida. Esse Amadeu é o cara, véio!

A história que vai acima não foi revelada à imprensa. A informação que obtive no dia do assalto pela diretoria da Amcap, foi de que a quantia subtraída pelos assaltantes era de R$285.000,00, e logo depois confirmada pelo atual presidente Cléverson Baía. No dia seguinte a cuíca mudou de tom. Os membros da diretoria não estavam mais autorizados a falar sobre o assunto, e que eles entregaram o caso à polícia, pois o frêmito da boataria, segundo eles, só atrapalhariam as investigações, e se fecharam em copas. Afinal qual o valor, de fato, substancial do assalto? É a pergunta que não quer calar nem amordaçada.

O valor divulgado de R$285.000,00 é uma simulação ou uma dissimulação? Pois, segundo Manuel Bernardes, simular é fingir o que não é; dissimular é encobrir o que é. Qual, afinal de contas, a Amcap agasalha com mais propriedade? Simular ou dissimular? Como isso é um caso de polícia, é melhor ficar só no sapatinho e esperar a conclusão do inquérito. Leitor, eu tenho que me conter, mas não dá uma vontade desgraçada de vociferar um palavrão?  Desses que é capaz de ruborizar até mesmo a puta mais fulera do bar Caboclo.

Em meio a esse desalinho, escrevi uma crônica sobre o assunto e me tornei um sujeito insuportável entre os colegas. O meu ex-parceiro Cléverson Baía, disse-me num arroubo de perfídia que eu serei tratado a pão e água em sua administração.  Acusaram-me de inadimplente com a associação, e fecharam as portas para mim. Logo eu que fui um dos sócios fundadores daquela agremiação, tratam-me agora com retaliação? Disseram-me que ali eu não ponho os pés, sem antes pôr em dia (eles dizem “dias”, alusão ao presidente pretérito) minha anuidade. Caracas! Não me resta escolha, senão ir à Amcap e, em sua frente, bradar a fórmula cabalística: Abre-te, Sésamo!

Ademir Pedrosa escritor e professor de língua portuguesa e literatura.

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Comentários

  1. Hahahahahahaha…Novamente no inferno “astral” Ademir???? Sempre nessa condição de “indesejável”???? Hahahahah…Quem manda querer pensar? Antes, resolveram, e decidiram que vc, pessoa “sem educação e incendiária”, não servia para dar conselhos. Muito menos para presidir tal importante órgão. Posteriormente, a “impertinência” dos seus comentários sobre “supostos” plágios, sacanagens e combinações em festivais de músicas amapaenses. Agora, essa língua sua “assaltando” a paciência alheia…Hehhehehe…A culpa de tudo é da lamparina que iluminava os seus livros no garimpo…Ela deveria ter queimado tudo naquela época que vc só esburacava a terra, na conquista do ouro, sem resultados de “sorrisos amarelos”…hahahahahaha….

    Escrito por Flávio Henrique de Barros | 21/01/2009, 6:32
  2. O Flávio anda álacre à beça. Pejado de verborréia, anda rindo à toa. É “aspas” pra cá, interrogações????? pra lá, reticências… aqui, e acolá uma incontinência de risos hahah e heheheh. Ele disse um monte de coisas, e seu discurso continua vazio, oco com um estômago brocado.
    Que mal eu pergunte, Flávio, você me salga ou me adoça? Devo dizer que sou diabético apostólico romano e hipertenso ortodoxo, e seu discurso é a mim contra-indicado por recomendações médicas. Seja menos ambíguo, pra que nossos leitores possam ficar risonhos ou sisudos diante do que você diz, sem, no entanto, dizer nada. A crônica que vai acima merece uma reflexão mais acurada, pois a mesma é resultado do inferno astral que infelizmente permeia o nosso meio. Quando você morou (ou mora?) aqui, a patrulha ideológica já me perseguia, e o cordão dos puxa-sacos, ao que parece, aumenta cada vez mais. E o Rio de Janeiro continua lindo? Abraço.

    Ademir Pedrosa

    Escrito por Ademir Pedrosa | 23/01/2009, 13:36

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