Da Agência Amazônia
“O casulo exposto”, novo livro de contos do jornalista e escritor Ray Cunha, é uma coletânea de 17 histórias curtas que rasgam o ventre de Brasília e expõem suas vísceras. O escritor e crítico Maurício Melo Júnior diz: “Os contos de Ray Cunha nos põem diante desses seres nascidos da junção plena de todos os brasileiros”.
“Seus romances e contos são, geralmente, ambientados na Amazônia, mas, como o escritor acaba envolvido ao meio onde vive, surgiu, assim, “O casulo exposto”, feixe de histórias curtas ambientadas nos meios políticos e nas ruas de Brasília. Tipos fracassados, bandidos disfarçados de políticos, depravação, assassinato, são as labaredas que lambem o ventre, exposto, do casulo, a crisálida dos exilados” – diz o texto da quarta-cara do livro.
A capa do livro é de André Cerino, artista plástico e cartunista premiado nacionalmente; e a apresentação, do escritor e crítico literário Maurício Melo Júnior, autor de Andarilhos (Edições Bagaço, Recife, 2007, 100 páginas). Segue-se texto de Maurício Melo Júnior.
“O escritor Jorge Amado costumava se queixar de algumas ausências da literatura brasileira. E dizia que a mais gritante delas era a falta de romances sobre o ciclo do café, como os que foram escritos sobre os ciclos da cana-de-açúcar e do cacau. Também podemos dizer que ainda não surgiram os escritores que tomaram o desafio de contar as sagas da busca da borracha na Amazônia e da construção de Brasília em pleno cerrado goiano.
“Neste seu novo livro de contos e novelas, “O casulo exposto”, o escritor Ray Cunha, nascido no Amapá e vivente em Brasília, passa longe da narrativa de homens perdidos na solidão da floresta ou na poeira das construções incansáveis. O que interessa ao escritor são os resultados daquelas experiências, são os personagens que ficaram depois das epopéias.
“Homens e mulheres que saltam destas páginas são bastante curiosos. Têm a política no sangue, embora apenas transitem em torno dela. Vêem o poder bem de perto, mas não participam de suas benesses. Também calejados pelas dores impostas pela opressão da floresta, já nada os surpreendem e a violência pode ser uma forma de defesa ou sobrevivência. Sim, os escrúpulos são poucos.
“Ou, citando o acreano de Xapuri, Jarbas Passarinho, que fez carreira política no Pará: “Às favas com o escrúpulo”. Em compensação, a sensualidade aflora na pele dessa gente. O perigo é que também este poder de encantar e seduzir é instrumento de dominação.
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