“Todo o tempo ouço o crack de um chicote
Lembro-me sobre os navios negreiros
Como eles brutalizam a própria alma.
Hoje dizem que somos livres
Só para ser encadeados na pobreza.”
(Bob Marley)
Perguntaram-me o que penso das cotas. Sou totalmente a favor. Tenho visto opiniões contrárias de alguns intelectuais. Inclusive o Caetano Veloso manifestou sua opinião (revista Cult) não sendo muito simpático às cotas. Essa tendência instintiva do compositor baiano é um pouco demais reacionária.
Racismo velado é um câncer que não se manifestou, e que destrói silenciosamente. A cota é um paliativo que vai frear um pouco essa corrosão; pois de certo modo traz à baila um mal, que muita gente finge que não vê e que acha que não existe. Quem acha que as cotas não resolvem nada, acha também que a violência, a ignorância, e a fome não têm remédio. Isso me infunde medo, porque corrompe na gente a esperança com a qual se pretende encurtar a discrepância social entre o pobre e o rico, sabendo-se que os negros, dentre os pobres, são os mais miseráveis.
O Brizola, quando foi governador do Rio Grande do Sul e prefeito de Porto Alegre construiu seis mil escolas e erradicou o analfabetismo naquele Estado. Feito que até hoje nenhum governante chegou nem sequer perto. Mas para isso o Brizola teve que fincar a pedra fundamental da primeira escola, que para muitos era uma utopia. Às vezes é preciso começar pelo improvável.
Eu acho que se as cotas podem botar um pouco de negros numa universidade, onde ali eles ocupam apenas 5% de seu corpo discente, podem também tirar um pouco de negros dos presídios, cujo contingente é de 95% deles. E para quem acha que isso é pouca porqueira, repare os índices do último censo do IBGE. A taxa do analfabetismo no Brasil é de 10,5%, o que corresponde a 14,4 milhões de analfabetos. Se comparado com as taxas de Paraguai (5,6%), Argentina (2,8%) e Uruguai (2,0%) que somam o total de 10,4%, nós temos mais analfabetos do que os três países vizinhos juntos, uma pouca vergonha.
E para reforçar nosso racismo velado, dos 14,4 milhões de analfabetos, a maior parte é de pretos e pardos com 67,4%, enquanto 32% são de brancos. Dos 67,4% de analfabetos de pele preta e parda, 17,9% tem renda familiar per capita de até meio salário mínimo, enquanto 1,3% deles têm renda acima de dois salários. Leitor, isso é um tiro de misericórdia. Para nós sairmos deste atoleiro, este País vai ter que rebolar muito. Mas que tal começar pelas cotas, mesmo contrariando a antipatia tropicalista do mano Caetano?
Sei que há outros mecanismos que podem reduzir a discrepância social que assola este País. Vi uma entrevista do Umberto Eco em que ele declara: “Tenho um amigo que se diz fundamentalmente homossexual, mas as experiências que teve com as mulheres foram muito mais edificantes do que a teve com os homens. É como a democracia: é o pior regime que há no planeta, mas os outros têm se mostrado tão menos eficaz, que o regime democrático tem se estabelecido como solução.”
Mostre-me um programa de ação afirmativa do governo que tenha obtido êxito satisfatório. Então por que essa resistência hercúlea às cotas? Francamente, dá até pra desconfiar. Não são somente 20% das vagas reivindicadas? O que afinal de contas os anti-cotistas querem, se eles ainda detêm majoritariamente 80% da vagas? Perdoe-me o sofisma, não resisti.
E há aqueles imbuídos da discórdia, por achar a miscigenação exacerbada no Brasil, e que por isso acha que se torna difícil distinguir quem é branco, preto ou pardo. Quem não souber identificar um afro-descendente, faça o seguinte: bote na rua pra correr um branco, um pardo e um negro, e veja quem a polícia pega por primeiro. Tão previsível quanto à morte do peru véspera do Natal.
É preciso dizer que a cota não é um privilégio, mas um direito adquirido, por exemplo: se um sujeito usar uma camisa com os dizeres “100% NEGRO”, é uma afirmação pela qual tenta mostrar que se orgulha de sua cor, de ser um afro-irmão, e isso é legítimo. Ao passo que, se alguém vestir uma camisa com a frase “100% BRANCO”, aí o sujeito está sujeito ao rigor da Lei Afonso Arinos (Lei Nº 1.390, de 3 de julho de 1951). Ora, 100% BRANCO é pedantismo, é uma afirmativa com conotação de superioridade, denota segregação racial.
Do mesmo modo que não é dado o direito a ninguém de exibir uma suástica nazista na camisa, por mais democrático que o regime seja. Enfim, a UNA (União dos Negros do Amapá) pode; a KKK (Ku Klus Klan) não pode. Quem não entender isto, é porque é racista. Eu desconfio.
E antes que me chamem de racista por usar o termo “preto”, eu não vejo problema nenhum em me referir aos irmãos afro-descendentes de pretos, negros, escuros, crioulos, negos ou neguinhos… não há, pois, nessas palavras a intencionalidade de denegri-los, até porque eles já são negros. Agora, “denegrir minha imagem”, como habituados nós estamos de ouvir por aí, é um escárnio. Do mesmo modo que “brasileiras e brasileiros” e “para todos e para todas”, que além de redundante é uma expressão contraproducente, pois distingui-las soa a discurso afetado. Quanto ao termo “preto”, o IBGE tem-na como terminologia usual em sua estatística, tão legítima quanto clara, branca, clarinha, branquinha e lourinha, qual é o pó?
Ademir Pedrosa
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*Título da música de Chico César.
As cotas são uma conquista do povo brasileiro. Eu sempre li jornais desde quando era criança e as paginas policiais até hoje sempre noticiam criminalidades praticadas por maioria de cor negra. As novelas, em especial da Globo, reservam papeis sulbarternos de empregada doméstica, motorista e assaltante. Como então não pensar nessas cotas, uma vez que a nossa própria sociadade históricamente reforça o racismo.
Sou a favor de cotas, mas para pobre. não somente para os negros.
À FAVOR EM PARTE, PORQUE SOMOS UM POUCO DE ALGUMA COISA
SOU A FAVOR DE TODOS OS REPAROS QUE OS SISTEMAS PERVERSOS/ OPRESSORES DE GOVERNOS IMPUSERAM AOS EXCLUÍDOS DE TODAS AS NAÇÕES//
AS COTAS É UM DESES REPAROS HISTÓRICOS/ PRINCIPALMENTE NO BRASIL: PARA NEGROS/ÍNDIOS E PARA EXCLUÍDOS DE MODO GERAL//
AGORA EXISTE UMA VERDADE: É PÚBLICO E NOTÓRIO QUE SOMOS/ POR NATUREZA/ RACISTAS E PRÉ-CONCEITUOSOS// DIFICILMENTE SE APRESENTARÁ ALGUÉM QUE DIGA DO FUNDO DE SUA ALMA QUE NÃO É RACISTA/ PRECONCEITUOSO…// NÃO EXISTE ESTE SER// SOMOS TODOS UM POUCO DE ALGUMA COISA//
EM RELAÇÃO AS COTAS PARA NEGROS OU PRETOS COMO QUEIRAM (TAMBÉM NÃO VEJO NENHUM PROBLEMA NA FORMA DO TRATAMENTO/ INCLUSIVE ISSO É ACEITO ATROPOLOGICAMENTE)/ SEMPRE VAI ACONTECER QUE DETERMINADAS PESSOAS/ ÀS VEZES POR MALDADE/ VAI JOGAR NA CARA DE QUEM FAZ PARTE DOS EXCLUÍDOS/ QUE SÓ ENTROU NA UNIVERSIDE PORQUE FOI BENEFICIADO PELO PROGRAMA DE COTAS// PORQUE SE NÃO HOUVESSE O PROGRAMA O BENEFICIADO (EXCLUÍDO) ESTARIA FORA//
PORTANTO/ AO MEU VER O PROBLEMA SEMPRE VAI EXISTIR (O PRÉ-CONCEITO/ O RACISMO…)/ PORQUE TODOS TRAZEMOS NA NOSSA NATUREZA HUMANA TODA “SORTE” DE PERVERSIDADE//
O FILÓSOFO FRANCÊS/ EDGAR MORIN/ PERGUNTADO EM PALESTRA SOBRE UM DOS PROBLEMAS A SER ENFRENTADO PELOS HOMENS NESTA ERA/ RESPONDEU ELE: “TOLERAR O OUTRO COM A SUA DIFERENÇA SERÁ O MAIOR DASAFIO QUE A HUMANIDADE ENFRENTARÁ NO TERCEIRO MILÊNIO!”//
LEIA-SE: O CONTINENTE AFRICANO/ O ORIENTE MÉDIO/ AS AMÉRICAS/ A ÁSIA/ A EUROPA…
ENFIM… SOU A FAVOR DAS COTAS PARA EXCLUÍDOS DE QUALQUER NATUREZA/ PORQUE É A MAIOR DÍVIDA QUE O SISTEMA CAPITALISTA DEVE A TODOS OS POVOS/ MAS SOU REALISTA/ SOMOS TODOS FALIOS PARA ACEITAR O OUTRO SEM UM PINGO DE PRÉ-CONCEITO/ RACISMO// NÃO SEJAMOS HIPÓCRITA/ SÓ CRISTO AMA INCONDICIONALMENTE//
É ISSO AÍ!
ARTIGO RESPOSTA/ LEIA-SE E PUBLIQUE-SE//