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Artigo – “Cala a Boca Lobato” – Por Renato Atayde

Sou Amapaense, nascido e criado em Macapá, sempre gostei da alvorada em minha terra, do som do Rio Amazonas e dos “popopôs” rasgando suas águas, do rádio ligado tocando merengue, cacicó e guitarrada misturados ao canto de curió criado em uma gaiola, o cheiro de café espalhado no ar, a conversa dos meus pais, tratando sobre assuntos diários noticiados pelo rádio, mas de forma tranqüila, sem tanto sensacionalismo… Estes eram os sons que eu ouvia em minha infância. Lembro ainda de uns vizinhos da família, um homem de idade mediana e uma mulher bem mais nova, um casal muito amigo de meus pais, com quem conversavam por horas. Ele muito estremado em seus espalhafatos gestuais e na forma de falar, ela comedida, mas muito severa, fazia questão de mostrar a todos que mantinha, sobre mão de ferro, o controle daquela relação, era comum ouvi-la gritar com o esposo “cala a boca Lobato”.

Mas a modernidade chegou, e trouxe suas mazelas.. O Som melodioso e suave do rio Amazonas foi substituído por uma música estridente, vinda de uma “currutela” instalada em um local antes visitado por famílias inteiras, na frente da cidade, tendo como vizinhos a Fortaleza de Macapá e o Trapiche Eliezer Levy. No rádio, agora se ouvem muitas vozes, algumas conhecidas faz tempo, outras nem tanto. As noticias, passaram a ser comentadas com um forte sensacionalismo, comentários recheados pelo senso comum, que nada ou muito pouco acrescentam aos moradores de nossa cidade.

Nos últimos dias, estivemos atravessados por uma confusão de noticias desencontradas, sobre quem seria diplomado ou não para a PMM. As duas cassações de Roberto Góes e sua vice Helena Guerra, os candidatos do Governador e da velha raposa da política nacional, hoje ocupando o cargo de senador, foi responsável por uma chuva de informações e análises absurdas, com advogados que passaram a eleição inteira, batendo nos candidatos de oposição, galhofando-os, de forma consciente. Estes, que se consideram verdadeiros donos da verdade, que me forçam a pensar que a imprensa amapaense, ao menos a radiofônica, é carente de pessoas sem etiqueta de venda, com preço na alma, que defendam este governo e seus aliados com unhas e dentes, capazes de transformar qualquer cidadão de bem, honesto e de idoneidade inabalada, em um verme asqueroso. Mas também conseguem fazer o contrário, corruptos podem passar desapercebidos, em entrevistas “inocentes”, como paladinos da moralidade.

Isto, é o que substituiu o canto do curió, o som tranqüilo do “popopô”…a conversa entre os vizinhos…até o cheiro gostoso do café, acaba nos dando náuseas ouvindo as maiores asneiras propaladas por mentes vendidas, que ocupam as rádios matutinas para nos assombrar com seus comentários infames.

Às vezes, fica uma situação insustentável, penso que sou um imbecil, ou tratado como tal, manipulado por informações que começo a duvidar de sua veracidade. Mas na verdade, dá vontade mesmo é de imitar a vizinha de meus pais, e gritar bem alto, “CALA A BOCA LOBATO”.

PS: qualquer semelhança, é mera coincidência!

Renato Atayde

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Comentários

  1. Nosso provincianismo se molda no arquétipo de um estigma de sub-cidadãos, logo, sub-gente. Achamos que nosso destino não está nas nossas mãos, não depende única e verdadeiramente de nós: está – segundo esse pensar pequeno – nas mãos dos que colocamos no front dos nossos destinos. Essa gênese de gente interesseira, somada ao pensar pequeno dessa subgente, resulta nesse provincianismo acéfalo que se faz perene pela constante eleição dos nomes incensados por parte desses mesmos cidadãos transformados em arautos do Caos. Caos, provincianismo acéfalo, pensar pequeno, sub-gente… Vocábulos que não fazem parte do vocabulário dos bonjesuenses. Por cá nossa imprensa (teremos isso?) se jacta em falar bem de quem bem lhes paga deixando a população má ou desinformada. O que temos então? Para chegar ao nível dos bonjesuenses precisaremos emudecer as rádios, incendiar jornais e tirar do ar emissoras de tevês. Ou simplesmente não nos vendermos por R$ 50,00… Ou ter uma Justiça que honre o nome…

    Escrito por Pepê Mattos | 17/12/2008, 12:27
  2. É parece que tem um tal de Lobato se não me engano em uma rádio em Macapá, Não estou bem certo. Geralmente os comunicadore que conheço são realmente bons. Como ouvinte, se perceber que o cara fala muito errado ou é prolixo demais eu simplesmente desligo o aparelho.

    Escrito por José Marques | 17/12/2008, 13:10
  3. Inteligente e convincente, parabéns Ataide, você conseguiu resumir um sentimento compartilhado por muita gente que vive obrigada a suportar estoicamente a mediocridade cotidiana da midia regiamente paga com dinheiro de nossos impostos.É isso aí, CALA ESSA MAUDITA BOCA LOBATO.

    Escrito por Pedro Ferreira | 17/12/2008, 13:43
  4. DEIXA EU TER ESSE GOSTO DE FALAR “CALA BOCA LOBATO”.

    Escrito por Pablo Richel | 17/12/2008, 14:05
  5. Gostei dessa “Calem suas bocas Lobatos”.

    Escrito por Lucivaldo | 17/12/2008, 21:12
  6. Parabéns Renatão muito bom , eu vou gritar “Cala a Boca Lobato…”

    Escrito por Emilio Façanha | 17/12/2008, 22:28

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