Por Mariéia Maciel
Sou boa em algumas coisas, mas vou falar de um quesito em que sou muito boa, aliás, às vezes penso que estou perdendo o jeito, mas me surpreendo com a superação. Sou muito boa de pagar mico! Devo dizer que tenho por eles muito carinho e não me envergonho deles, em geral acabam entrando pra meu rol de piadas autênticas e personalizadas. Eles entram para as histórias da família e rodadas de amigos que são contadas e recontadas sempre que necessárias. Como em caso de cervejadas, almoços, necessidade de descontração, quando querem rir da minha cara ou falta de assunto mais interessante.
Ultimamente tenho me controlado um pouco e isso tem feito minha cota de renovação de micos ficarem um pouco reduzidas e por isso tenho repetido alguns casos antigos que já estavam esquecidos e são lembrados por quem adora rir dos micos alheios e esquece do seu rabo. Tem alguns inesquecíveis, como na vez em que encontrei uma amiga que há muito não via, ela estava grávida, dei parabéns e segui, depois de algum tempo eu a reencontrei e fiz um carinho em sua barriga e perguntei quando o bebê iria nascer, a resposta: o bebê já tem 4 meses! A última notícia que tive dela foi que estava se preparando para uma lipo. Tenho um pouco de culpa nisso.
Numa de minhas farras preferidas, o Ciclo do Marabaixo, há dois anos atrás, arrepiei na “maldita’ e paguei outro king-kong. Foi entre goles de gengibirra apurada com muita cachaça que lá pelas tantas só lembro de negros, batuque, muitas bijouterias passando na minha frente. Fui na cozinha pegar o cozidão pra melhorar e acabei derrubando a panela de caldo.Mico!! Fui obrigada a me render e no outro dia, com cara mais cínica do mundo fui pedir desculpas pra dona Vadoca e Mestre Pavão tendo que pagar uma panelada na outra festa. Mico familiar tem um monte, como da vez em que visitava minha irmã Valda, no Cabralzinho, e vi na rua, minha tia e duas primas andando juntinhas. Comecei a gritar que elas estavam batendo-perna, não tinham uma lavagem de roupa e outras sacanagens sem que elas respondessem, apenas a Mary deu um sorriso acanhado, foi quando elas se aproximaram mais e pude perceber que minha tia carregava a imagem de uma santa nas mãos e o que parecia um passeio era na verdade uma minúscula romaria. Elas estavam rezando fervorosamente e levando a santa pra outra residência. Levei um ralho da minha tia depois.
Até no Afuá, no Festival do Camarão já paguei mico, fui atropelada por uma bici-táxi mas a culpa foi de duas passageiras imensas que tiravam a visão do condutor. Quase caí no rio e na volta, com o joelho estrupiado, tive que pular o muro por estar sem a chave, nessa pulada, engatei meu outro joelho na grade. Não é todo mundo que consegue, num fim de semana machucar as duas pernas. Não contente, enfaixei os joelhos e fui a um bar mas na hora de sair não consegui levantar e fui carregada direto para o hospital.
Paguei mico em várias fases da minha vida. Na infância peguei surra de bicada de patos pendurada no cajueiro da vizinha; levei banho de carro quando passava próximo a poças de lama; cheguei em frente ao padre para receber a hóstia e ele me fez dar meia-volta por causa de um chiclete que eu estava mastigando. Mais crescidinha, tive o azar de elogiar um grande amigo dizendo que estava ótimo depois que separou da ex e tive como resposta que tinham reatado e a que estava ao seu lado era sua cunhada; já passei horas numa fila reclamando meus direitos e quando cheguei no caixa descobri que estava na fila errada; outra vez alguém me disse que a mãe de uma amiga tinha falecido, imediatamente segui pra lá e cheia de condolências dei pêsames e fui levada à cozinha onde a mãe estava lá, vivinha da silva; outra vez fui na companhia de um amigo visitar outro amigo de quem haviam nos dito que por causa da diabete tinha amputado o pé, nessa me livrei por segundos, antes que dissesse que sentia muito, ele, felizmente, tirou a meia do pé que estava lá, atrofiado, mas estava.
Enfim, de macaco-prego a king-kong tenho um rosário de histórias de micos. O último que eu paguei foi após uma sessão de elogios a mim feita por alguns amigos que estavam no aniversário do Corrêa Neto. A Alcilene me entrevistou para uma coluna do Repiquete e teve uma repercussão muito boa, por conta disso, muita gente relembrou alguns textos meus publicados. Quando acabava de agradecer os elogios feitos pelo Capi, saí com o ego lá em cima, virei pra ir ao banheiro e adivinhem?! Dei alguns passos, minha sandália arrebentou e caí!!
A maioria destes micos acontecem quando nem estou ainda com algumas na cabeça. Neste último mico quase me finjo de porre pra não perder pra mim mesma, como diria o filósofo Homer Simpson “a culpa é minha e ponho onde quiser”, mas prefiro acreditar na Girlene, que disse que caí por conta de pensamentos alheios. Pra quem reclamava que eu estava sem uma história real pra contar, vai essa!
Mariléia Maciel
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