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Há desigualdades não apenas entre as próprias regiões, mas dentro da própria Amazônia

Agência Amazônia

montezuma@agenciaamazonia.com.br

BRASÍLIA – Quebradeiras de coco, coletoras de castanha e andiroba, rendeiras, parteiras – mulheres brancas, índias e quilombolas – reúnem-se na próxima segunda-feira, dia oito, na Câmara dos Deputados. Terão voz e vez no debate promovido pela Comissão da Amazônia, Integração Nacional e de Desenvolvimento Regional, a respeito dos problemas das populações femininas dos setores tradicionais da região amazônica.

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Quebradeira de coco de babaçu / M.CRUZ

A audiência está marcada para às 14h, no Plenário 13. Confirmaram presença a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire; a coordenadora do Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (Mama), Maria Maia de Oliveira; a coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, Zulmira de Jesus Santos Mendonça; e a sócia-fundadora do Instituto de Mulheres Negras do Amapá, Maria das Dores do Rosário Almeida.

Em 2007 as quebradeiras de coco participaram de um encontro nacional em Brasília. As parteiras do Amapá são famosas: trocam, com médicos, experiências sobre como trazer vida ao mundo. Ganham, do governo, meio salário mínimo por mês e são responsáveis pelas estatísticas que fizeram do estado, o campeão de partos normais no Brasil: 88%.

O Mama é uma entidade forte, principalmente no Estado do Acre. Apoiar índias, não-índias e negras é a sua base, numa articulação regional feminista e ambientalista, não-governamental. A organização está presente em nos nove Estados da Amazônia Legal Brasileira – Pará, Maranhão, Amazonas, Amapá, Tocantins, Roraima, Rondônia, Acre, Mato Grosso. Seu trabalho tem apresentado bons resultados há quase seis anos.

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Lida com a farinha puba envolve meninas e mulheres no Vale do Guaporé / M.CRUZ

Produção familiar e extrativa

Vem fortalecendo a luta das mulheres amazônidas por meio da troca de experiências, união de esforços e mobilização para conquistar direitos, eqüidade entre os gêneros e qualidade de vida. Com 147 instituições em sua rede, o Mama tem sua secretaria executiva em Rio Branco, no Acre, possui nove comitês estaduais, e é subdividido em três sub-regionais.

O requerimento para a reunião foi feito pela deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), presidente da Comissão, com aprovação unânime. Janete lembrou que a Amazônia abriga milhares de populações tradicionais vinculadas à produção familiar, artesanal e extrativa. “Elas são exímias detentoras de técnicas e conhecimentos milenares, avançados quanto à preservação e manejo ambiental”, disse.

Segundo Janete, os processos de planejamento e gestão de políticas públicas governamentais e a própria elaboração de leis no Congresso Nacional desconsideram as técnicas e conhecimentos dessas populações.

“As populações femininas que compõem esses segmentos sociais tradicionais possuem um conjunto específico de problemas, que vão além das desigualdades nacionalmente conhecidas entre os gêneros”, assinalou a deputada. “Há desigualdades entre as regiões do País e mesmo dentro da própria Amazônia entre populações tradicionais e populações urbanas”, explicou.

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