Qual a pergunta a ser feita?
A decisão do juiz Marconi Pimenta é legal ou não? Esta deveria ser a pergunta feita depois da cassação do registro da candidatura do prefeito eleito de Macapá, Roberto Góes, e da suspensão dos direitos políticos dele e da secretária Marilia Góes, por três anos. Mas não é. A pergunta que está nas ruas é se o senador José Sarney vai deixar que isso aconteça, e “aceitar” que a decisão seja mantida. Os mais chegados ao senador maranhense falam assim, abertamente, e não é de agora. Esta sim, é a cara do Brasil. A possibilidade de um político determinar as regras de jogo e o judiciário obedecer, é real, concreta, e existem muitos antecedentes nesse sentido. Isso é vergonhosamente cara do Brasil.
Me fizeram a pergunta e respondi que, se o Sarney tiver ainda o controle sobre alguns Nelson Jobim e Carlos Veloso, seja aqui ou em Brasília, é possível que consiga garantir a eleição e a posse de Roberto Góes e, a anulação da suspensão dos direitos políticos dele e da secretária, delegada de Polícia e mulher do governador, Marilia Góes. As ações são muitas, as provas enormes, claras, evidentes, inquestionáveis, mas a sem-vergonhice nacional é maior. Tem muita gente por aí que não resiste nem à simples visão de um dossiê. Também tem gente que não teme dossiês, e está começando a reagir, em nome da lei. Quer ver?
Pouquíssimas pessoas acreditavam que esses escândalos produzidos durante a campanha eleitoral, talvez a mais viciada de toda a história amapaense, fossem dar em alguma coisa, mas deram. A idéia da impunidade estava de tal forma consolidada pela omissão de quem tinha, e tem, a responsabilidade de combater os crimes e punir os criminosos, que era difícil imaginar uma “rebeldia legal”, e santa, de um promotor pedindo e um juiz cassando registro de candidatura e suspendendo direitos políticos do candidato do poder e da mulher do governador, uma quase “imperatriz” tucuju, tamanho o poder que detém e o controle que exerce. Essa é a novidade: Roberto Góes já foi cassado, o que vem depois é o resultado do nível de controle que os políticos têm sobre os tribunais. Se os dossiês forem muito pesados, Marília e Roberto escapam. Não sendo, os dois estarão “fritos”, e a democracia um pouco mais fortalecida. Os tempos do Amapá ser a “casa da mãe Joana” podem estar chegando ao fim.
Caro Correa,
Bem que eu gostaria de afirmar: você está errado, o Brasil tem outra cara, mas, não posso. Lamentavelmente, as coisas parecem funcionar exatamente como você descreveu e os exemplos são fartos. Por um lado, essa eleição foi maravilhosa e fortemente permeada pelo sentimento de mudança que pude sentir a partir dos relatos que chegaram até mim. Por outro, o sentimento do grupo no Poder de ganhá-la a qualquer custo, valendo-se de todos os expedientes, inclusive, invadindo até a esfera moral e dos direitos individuais do candidato Camilo (nacionalidade) são exemplos pequenos, mas não menos importantes, que demonstram o que rolou nessa eleição. A idéia da impunidade é forte. Mas, mais que uma idéia, é também um fato concreto e comum no nosso País. A “rebeldia legal e santa” deve estar tirando o sono de alguns, e não há dúvida de que, o que vem pela frente resultará do “controle que os políticos têm sobre os Tribunais”. Espero que não seja tão forte, ou parecido com o controle que exercem nos meios de comunicação, pois não li nenhuma referência ao fato que não seja nos blogs. Isso dá uma sensação de desconfiança generalizada, e não é à toa a frase dos mais jovens: “está tudo dominado”. Resta-nos aguardar que a democracia saia, dessa vez, fortalecida!