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Para juiz, Roberto Góes deve responder fora do cargo. Góes recorre

O juiz Marconi Pimenta determinou ao final da sentença que condenou Roberto Góes à perda do mandato no último dia 02 de dezembro, que recurso contra a decisão por ele proferida não comporta efeito suspensivo. Ou seja, o TRE teria que bater de frente com a decisão de Marconi para conceder pedido de cautelar impetrada pelos advogados de Góes. Existe dentro do TRE um caso parecido, que é o da prefeita de Laranjal do Jari, Euricélia Cardoso. Reeleita para o cargo, ela teve o registro cassado por juiz singular  e recorreu da decisão. O recurso foi aceito, porém o pedido de efeito suspensivo da decisão que cassava seu diploma foi negado pelo TRE. Quanto à dúvida sobre quem assume a prefeitura em caso de manutenção da cassação de Roberto Góes, em outros municípios do Brasil, onde estão acontecendo casos parecidos de cassação, o segundo lugar está sendo chamado a ser diplomado, é o caso de Manaus e também do município de Laranjal do Jari aqui no Amapá. Há expectativas de que nas próximas horas saia  sentença em relação a outro processo de cassação do registro de Roberto Góes.

O advogado de Roberto Góes, Horácio Magalhães, já declarou à agência Folha, que vai apresentar recurso ainda nesta semana e vai entrar com medida cautelar para garantir a diplomação do candidato, que ocorre no próximo dia 15.
Caso a medida seja aceita, Góes poderá ser empossado em 1º de janeiro, enquanto o processo tramita. Além deste, há oito processos contra Góes tramitando na Justiça Eleitoral.

Magalhães diz que “ela [Marília Góes] explanou a intenção política dela e pediu voto, como qualquer cidadão”. Segundo ele, não houve provas de compra de voto ou pressão política. “O processo está cheio de falhas e vamos explorar isso no recurso. A gente está bem tranqüilo.”

A reportagem da Folha Online tentou falar com Marília Góes e seu advogado, sem sucesso. Ela também fica inelegível por três anos, de acordo com a sentença.

Segundo a Folha Online, caso Góes perca seu cargo, Camilo Capiberibe (PSB), candidato que ficou em segundo lugar na disputa eleitoral, assume a prefeitura.

O juiz Marconi Pimenta explica passo a passo na sentença as razões que o levaram a cassar Roberto Góes

Leia abaixo trechos da sentença proferida pelo juiz Marconi no caso Roberto Góes:

Trecho 1 – Diferença diminuta

“Esclareço de pronto que o candidato a favor de quem se verificou ostensivo abuso de poder político, Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva, foi eleito com 91.558 votos, equivalente a 51,66% de votos válidos. O segundo colocado obteve 85.659 equivalente a 48,34% dos votos válidos.
Já aqui a diminuta diferença de votos entre os candidatos, igual a 5.899 votos demonstra às escâncaras , o equilíbrio entre os concorrentes e, dado a esse mesmo equilíbrio, por menor que fosse o abuso de poder político, seria capaz de desqualificar todo o processo eleitoral.”

Trecho 2 – Poder de influência da Bolsa é inequívoco e desequilibra o pleito eleitoral

“ Destaco por próprio que a testemunha Benedita Elielza Góes de Oliveria, atestou em depoimento que “mais de dez mil família estão cadastradas no Programa Renda par Viver Melhor, em todo o Estado; Que em Macapá são mais  de 3.500 famílias cadastradas no programa.”. Só por isso já se vê a incursão da Secretaria de Estado de Inclusão e Mobilização Social, por sua titular, além da equipe de assessores, particularmente a gerente do núcleo de renda e cidadania, no qual vinculado o “Renda para viver melhor”, se apresenta suficiente a desigualar as oportunidades eleitorais, ainda que se ficasse unicamente no método aritmético, o que deixa extreme de dúvidas a potencialidade dos atos a desequilibrar o pleito eleitoral de 2008.”

Trecho 3 – Uma prática que reproduz governos e governos

“…destacando ser lamentável que um programa destinado a amparar pessoas de extrema carência econômica possa ser utilizado para viabilizar o poder. Se essa pratica não for abolida o antes quanto, essa sistêmica utilização de verbas públicas encontrará na proliferação iníqua a reproduzir governos e governos.”

Trecho 4 – Utilização de programa social em conduta aliciadora

Seguramente a prova revela uma conduta francamente aliciadora por parte da Secretaria de Inclusão e Mobilização social ao se fazer presente em reunião do Programa Renda para Viver Melhor com finalidade francamente político-eleitoreira e, mais do que isto, captadora de votos sob a promessa de manutenção de vantagem ou de obtenção de nova vantagem denominada “travessia”, destinada as filhas das presentes, utilizando-se, para isto, de programa de caráter social custeado pelo poder publico.

Trecho 5 – De Antônio Góes para Antônio Góes. De primo para primo. De parente para parente

Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva é parente do governador do Amapá, Antônio Waldez Góes da Silva. Ambos pertencem ao partido democrático trabalhista – PDT. Este, o governador, e ninugem no amapá desconhece essa realidade, e a grande ancora da campanha daquele. O governador, como já dito alhures, e mardiode de Marilia brito Xavier Góes, Secretária de Mobilização e Inclusão Social e também primo de Benedita Elielza Góes de Oliveira, como por ela mesma admitido nos autos do processo, n. 5966/2008, Gerente do Núcleo de Renda e Cidadania onde, repito, vinculado o Programa Renda para viver Melhro. Digo mais. É que na condição de juiz eleitoral também pude acompanhar os programas televisivos e vi que Marília Brito Xavier Gows foi um das primeiras, se não a primeira autoridade pública a empenhar, no programa eleitoral de Roberto Góes, apoio a sua candidatura. Digo isso, esclareço, apenas para certificar o vinculo entre ambos.

Eis que o fato traçado na inicial, satisfatoriamente provado pela instrução processual, está enredado em um núcleo familiar. O staff de campanha. Marilia Brito Xavier Góes não é uma eleitora anônima de Antonio Roberto Rodrigues Góes da Silva, mas ativa militante que até mesmo em seu programa eleitoral televisivo se fez ver rogando votos a seu candidato, como dito. Mas não e tudo. Observo ainda revelando o vinculo entre Marília Brito Xavier Góes e o candidato Antonio Roberto Rodrigues Góes da Silva, que, como certifica o termo de audiência de fl. 71, ambos mantêm o mesmo procurador, indicativo do que acima defendido.”

Trecho 6 – Há provas da compra de votos

Assim, todos os fatos, provas e indícios apontam para a confirmação das condutas ilegais descritas na inicial. Pela análise dos autos, chego à conclusão de que há suficientes e contundentes elementos de prova para se afirmar que os investigados violaram o disposto nos arts. 41-A e 73, IV, da Leia das eleições.

Trecho 7 – Sentença

Isto posto, e por tudo que dos autos consta, pelo livre convencimento que forma e nos termos da fundamentação, rejeito as preliminares aventadas pelas partes e, em mérito, julgo parcialmente procedente os pedidos reconhecendo a prática de manifesto abuso do poder político por parte de Marília Brito Xavier Góes, além de captação ilícita de sufrágio na modalidade de promessa de novo programa social aos eleitores beneficiários do programa renda para viver melhor em favor do candidato e também representado Antonio Roberto Rodrigues Góes da Silva, o qual pelas razões alhures apontadas, não só foi o beneficiário direto da ilícita captação de votos, como também por ela responsável, nos termos da fundamentação para:

Em relação a representada Marilia Brito Xavier Góes cominar-lhe a sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos três anos subseqüentes a presente, nos termos do art. 22, inc. XIV da lei complementar n.64 de 18.5.1990

Em relação a Roberto Rodrigues Góes da Silva – Roberto Góes – cominar-lhe a sanção de inelegibilidade para as eleições a se realizarem nos três anos subseqüentes a presente nos termos do art. 22, inc. XIV da lei complementar n. 64 de 18.5.1990; e ainda, com fulcro no art. 41-A da lei n. 9504 de 30.09.1997, aplicar-lhe multa equivalente a trinta mil ufir e cassação de seu registro de candidato a prefeito municipal da cidade de Macapá-AP.

Trecho 8 – Não cabe efeito suspensivo no recurso

Oficie-se o presidente do E. Tribunal regional eleitoral da presente decisão face à cassação do diploma de Roberto Rodrigues Góes da Silva e o teor do disposto no Art. 257 do Código eleitoral, na medida em que eventual recurso contra o edito não comporta efeito suspensivo.

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Comentários

  1. Gostaria primeiramente de parabenizar a atitude louvável do MM. Juiz Eleitoral Marconi Pimenta, que durante o período da eleição 2008, sempre demonstrou honrar com muita seriedade os deveres da magistratura. Nesse momento, sinto-me confiante e acredito que agora a JUSTIÇA será feita, pois sabemos que existem provas concretas, que levam à cassação do prefeito eleito. É muito triste quando percebemos que alguns politicos não tem o minimo de respeito pela sociedade e uqe subornam, compram seus votos. A população precisa de pessoas que tenham interesses coletivos para a nossa cidade, o nosso ESTADO, e não interesses particulares. Espero que essa decisão se concretize e que a Justiça seja feita.

    Escrito por Mary Sucupira | 4/12/2008, 19:44
  2. Que bom que podemos acreditar na justiça. Assim dá mais vontade de viver e lutar por igualdade social.

    Escrito por Lúcio Lobato | 4/12/2008, 21:52
  3. bem que o Dr marinho poderia dar uma olhadinha no MAZAGÃO, a coisa la foi mais gritante ainda….

    Escrito por joao filho | 5/12/2008, 3:28
  4. Oi Lu,

    Essa matéria tá muito boa. Gostei de ver os trechos da sentença do juiz Marconi Pimenta. Ele fez mesmo um trabalho bem fundamentado e argumentado. Agora vamos ver se a justiça vai continuar cega para todos ou se ela vai levantar a venda e dar uma mãozinha para os corruptos.
    Beijo,
    Arti

    Escrito por Artionka | 5/12/2008, 9:07
  5. A REPÚBLICA FEDERATIVA DO CONGO NÃO É AQUI

    VEZ POR OUTRA NA MINHA FALA COMO PROFESSOR DE HISTÓRIA/ ORIENTO OS MEUS ALUNOS A RESPEITO DA SITUAÇÃO POLÍTICA BRASILEIRA (E DA PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO)E COMENTO A ELES QUE É NECESSÁRIO A CÂMARA FEDERAL/ EM BRASÍLIA/ TRAZER À BAILA O ASSUNTO QUE DEVE SER TRATADO COM SERIEDADE NESTE PAÍS// SOU CONTRA A “PENA DE MORTE”/ MAS A FAVOR DE “PRISÃO PERPETUA” PARA CRIMINOSOS INESCROPULOSOS/ PRINCIPALMENTE PARA POLÍTICOS QUE FURTAM (ROUBAM) DINHEIRO PÚBLICO/ PARA ENRIQUECIMENTO ILÍCITO E DE GRUPOS E QUE TUDO QUE FOI ROUBADO E FURTADO SEJA TIRADO E DEVOLVIDO AOS COFRES PÚBLICOS// ESSA “MALDIÇÃO” DA CORRUPÇÃO QUE ASSOLA ESSA NAÇÃO E QUE FOI DEIXADA NESSE CONTINENTE COMO HERANÇA POR CONTA DA PRESENÇA DA “FAMÍLIA REAL PORTUGUESA” (LEIA-SE: A COROA PORTUGUESA NO BRASIL)/ TEM QUE DESAPARECER DO NOSSO DIA-A-DIA//SOU UM SONHADOR COMO DIZIA JOHN LENNON/ MAS NÃO SOU O ÚNICO//
    O JUIZ ELEITORAL MARCONI PIMENTA AVISO (no rádio/ na tv/ nos impressos/etc…/ MAS MUITOS NÃO LEVARAM AS SUAS PALAVRAS A SÉRIO// 41 “A” É UM ARTIGO/ QUE FAZ PARTE DA LEI(9504/ de 30.09.1997)// SE NÃO RESPEITAR O QUE ESTÁ ESCRITO/ É MELHOR RASGAR A CONSTITUIÇÃO/ O CÓDIGO ELEITORAL E JOGAR NA LATA DO LIXO/ NÃO SERVIRÁ PARA NADA//
    CONCLUÍNDO. ESSE TEXTO SERVE PARA TODOS ÀQUELES QUE ALMEJAM CARGOS (POLÍTICOS)PÚBLICOS/ EM QUALQUER LUGAR DESSE PAÍS// ESTOU DE OLHO!
    É ISSO AÍ!

    (JOHN SCOTT/ PROFESSOR E RADIALISTA/RÁDIO REPÓRTER//

    Escrito por JOHN SCOTT | 5/12/2008, 10:20
  6. João Filho, o Marmitão é do time do Waldez,Roberto Góes,João Pororoca,ou seja usam as mesmas prática para ludibriar a população carente,comprando votos com dinheiro público,na verdade,eles não tem liderança,não tem votos a população não aceita mais esse roubo do dinheiro público,a popularidade deles só os Jabazeiros acreditam,tudo a troco de dinheiro para ostentar riqueza sem trabalhar.

    Escrito por Antonio Pereira Barbosa | 5/12/2008, 11:40
  7. Devemos acreditar que ainda existem pessoas éticas e de bom senso dentro do judiciário, bom senso para fazer justiça,para mostrar para os que ainda acreditam neste poder (judiciário) que os crimes e os criminosos serão punidos, e que a impunidade não prevalecerá. É preciso dar um basta no abuso de poder, é preciso frear o uso da máquina, é preciso acabar com a impunidade, é preciso… Que ecoem por toda floresta os tamborem da mudança e da justiça!

    Escrito por Hilario Gomes Neto | 5/12/2008, 12:38
  8. tou esperançoso que se faça justiça,até hoje nao engoli resultado dessa eleiçao

    Escrito por fco araujo | 5/12/2008, 14:18
  9. ITAUBAL QUER JUSTIÇA , ESPERO QUE O SENHOR MARCONE OLHER OS PROCESSOS QUE TEM CONTRA O CORONEL MIRIVALDO OU SEJA O PREFEITO DE ITAUBAL POR CONPRA DE VOTO E PESEQUIÇÃO POLITICA AS PESSOAS QUE NÃO VOTARÃO NELEE POR COMPRA DE VOT, O POVO PEDE POR JUSTÇASENHOR JUIZ , MAIS JUSTIÇA JA.

    Escrito por RONALDO COSTA | 5/12/2008, 17:36
  10. Em brasilia existiam duas frigideiras poderosas,uma com azeite de dendê,outra com azeite de babaçu,a primeira nâo oferece mais perigo o velho ACM já foi pros quintos, mas a segunda continua a fritar quem tenta atrapalhar os planos do velho cacique.

    Escrito por Fco araujo | 5/12/2008, 23:37
  11. 0i Luciana, Parabéns! pelo detalhamento da informacao.Estou animada pela possibilidade de que a justica seja feita e que Macapá vire esta página da história, com a possibilidade de mostrar para as futuras geracoes desta terra , que um novo mundo é possivel…
    Abs.

    Escrito por Norma Oliveira | 5/12/2008, 23:48
  12. Realmente essa justiça tem muito o que mostrar e cassando os 12s seria um bom começo.

    Escrito por Paulo Sergio Gady | 7/12/2008, 19:20

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