A região Norte é a que registra a maior incidência de óbitos violentos do país. A região superou o Centro-Oeste, que ao menos desde 1990 concentrava a maior porcentagem de mortes do tipo com relação às mortes em geral. As conclusões são extraídas da publicação “Estatísticas do Registro Civil, divulgada hoje pelo IBGE.
| Norte | 18,84 |
| Centro-Oeste | 17,96 |
| Brasil | 14,97 |
| Sudeste | 14,84 |
| Nordeste | 14,28 |
| Sul | 13,82 |
Cláudio Crespo, gerente de estatísticas vitais do IBGE, associa esse aumento à urbanização recente da região, que traz um aumento acidentes de trânsito e da violência associado à marginalização de boa parte da população. Mas os óbitos violentos não estão só nos centros urbanos: “Além disso, a região possui problemas de disputa por terra, que são significativos no Pará, por exemplo”, afirma.
Segundo o IBGE, em 2007, 18,84% dos óbitos na população masculina da região foram violentos. Em 2006, a incidência foi de 18,27%. Na região Centro-Oeste, ao contrário, o índice vem diminuindo desde 2002, aitingindo 18,23% do total de mortes em 2006 e 17,96% em 2007. Anteriormente a esses dois anos, o CO era a região com maior incidência de mortes violentas no país.
Na população feminina a tendência é a mesma para essas regiões. Desde 2005, a região Norte supera a Centro-Oeste, com o registro crescente de 5,93% (2005), 6,31% (2006) e 6,5% (2007). No CO, os números do mesmo período são decrescentes: 5,44% (2005), 5,26% (2006) e 5,15% (2007). Nesta região, aliás, os números vêm decrescendo desde 1996.
No ano de 2007, o estado que concentrou a maior incidência de morte violentas no total de óbitos da população masculina foi Rondônia, com 27,6% dos casos. Também na região Norte, o Amapá (20,2%) e o Pará (19,2%) estã na quarta e quinta
| Rondônia (N) | 27,6 |
| Mato Grosso (CO) | 23,5 |
| Espírito Santo (SE) | 22,6 |
| Amapá (N) | 20,2 |
| Pará (N) | 19,2 |
posições. O estado que registrou menor proporção de óbitos violentos foi o Piauí, com 8,9%. Mas esse número é visto com ressalvas pelo IBGE porque a região nordeste concentra altos índices de subnotificação.
No Brasil, os óbitos violentos na população masculina representaram 14,97% do total de óbitos em 2007. Desde 1990, o maior índice foi registrado no ano de 2002 (16,17%) e o menor, em 1993 (13,84%).
No caso das mulheres o índice ficou em 3,89% em 2007, o menor registrado pelo menos desde 1990. Para o mesmo intervalo, o maior índice foi registrado em 1996, 4,69%.”Entre os homens o índice é por volta de três vezes maior que o das mulheres, porque tradicionalmente os homens costumam estar expostos a esses riscos, costumam protagonizar mais episódios de violência urbana e acidentes de trânsito”, afirmou Crespo.
Por este tipo de morte ser muito mais significativo na população masculina que feminina, o IBGE também calcula o chamado ‘índice de sobremortalidade masculina por causas violentas’, que identifica quantas vezes o número de óbitos violentos na população masculina é maior que na feminina. No Brasil, em 2007, o índice ficou em 3,9.
| Piauí (NE) | 8,9 |
| Bahia (NE) | 12,2 |
| Rio Grande do Sul (S) | 12,6 |
| Minas Gerais (SE) | 12,9 |
| Santa Catarina (S) | 13,5 |
O Estado com a maior diferença foi Pernambuco, onde a incidência de óbitos por causa violenta na população masculina foi 5,9 vezes maior que na feminina. O segundo colocado foi o Rio de Janeiro, com 5,7 vezes. As menores diferenças estão nos estados de Rondônia (2,2) e Roraima, (2,5). O estudo do IBGE sugere que essa pouca diferença pode estar relacionada violência no meio rural, envolvendo disputa de terras, que ‘atinge indiscriminadamente homens e mulheres’.
Jovens do sexo masculino são os mais afetados
Segundo o estudo do IBGE, o óbito por causa violenta vem aumentando seu peso na estrutura geral da mortalidade no Brasil desde os anos 80, afetando, principalmente, adolescentes e jovens do sexo masculino. Na faixa etária dos 15 aos 24 anos, os óbitos por causas violentas representaram, em 2007, 67,7%, ou seja, quase 70% dos garotos e rapazes que morreram neste ano foi por causa violenta.
Em 1991, esse índice era de 60,4%, tendo aumentado até 2002, quando atingiu 70,2%. Nos últimos cinco anos, o índice declinou levemente até atingir os 67,7% registrados em 2007. No caso das mulheres da mesma faixa etária, de 15 a 24 anos, as mortes violentas corresponderam a 33,5% dos casos em 2007, numa série que também cresceu de 1990 até 2002 e 2003 (quando atingiu 34%) e declinou levemente depois.
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