

Esther de Paula culpa presidente Lula por demora no combate ao escalpelamento
Secretaria admitiu também inúmeras falhas na rede de combate à violência feminina; deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) cobrou políticas públicas para as mulheres que sofrem com o câncer de colo do útero; para as mulheres negras que são vitimadas pela violência institucional; para a questão do escalpelamento e a efetivação de lei de sua autoria que prevê a implantação de políticas de prevenção à gravidez precoce.
A Assembléia Legislativa do Amapá realizou na ultima quinta-feira (27) Sessão Solene em homenagem ao dia 25 de novembro passado, que celebra o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Além dos deputados estaduais, entre eles o socialista Camilo Capiberibe (PSB), público e demais entidades que combatem a violência contra a mulher no Amapá, esteve presente a secretária extraordinária de políticas públicas para as mulheres do Governo PDT, Esther de Paula Araújo.
A secretária enumerou uma série de graves falhas na rede de atendimento às mulheres que são vítimas da violência no Amapá, apresentando ainda dados alarmantes. Esther afirmou que a cada 12 minutos, uma mulher amapaense é violentada de alguma forma. “Desta maneira, podemos perceber que o número de denúncias aumentou, e o número de violências diminuiu”.
Porém, a secretária entrou em contradição quando afirmou que em 2007 houve uma estabilização, e logo após admitiu que em 2008 houve um acréscimo de 20% de mulheres violentadas. E continuou informando. “Até agora, houve 08 mortes de mulheres neste ano. Isso quer dizer que a rede deve refletir para o ano de 2009”.
Rede de enfrentamento está “sucateada”
Ester de Paula ainda citou alguns órgãos que decisivamente contribuiriam para a diminuição dos casos de violência, porém, denunciou que a estrutura física, patrimonial e técnica da rede de enfrentamento estão comprometidas. Um exemplo, segundo a secretária, é a Delegacia de Crimes Contra a Mulher (DCCM), órgão que urgentemente precisa de mais recursos humanos, ampliação do espaço físico, “pois, o atual não comporta mais e temos terreno para isso”; reaparelhamento, concurso público para assistentes sociais, psicólogos e advogados.
“Está havendo atraso no atendimento às mulheres com o número reduzido de profissionais, o que prejudica o processo”. Outra grave falha do governo PDT apontada pela secretária reside no Hospital da Mulher Mãe Luzia. “Nós inauguramos no Hospital da Mulher a Sala de Atendimento à Mulher (SAM), mas não está funcionando, porque o hospital também precisa de mais espaço, e por este motivo eles ocuparam a sala”, disse Ester, confirmando a absurda desorganização governamental em relação à saúde e a à proteção da mulher amapaense.
A secretária explicou ainda a importância que o SAM teria para as mulheres, principalmente as que são violentadas sexualmente. “O Hospital precisa de peritos da Politec (Polícia Técnico – Cientifica do Amapá) para atendimento às vitimas de violência sexual. Com esta sala, as mulheres não precisariam mais se encaminhar a Politec”. Ester finalizou o assunto reportando que o SAM “é coisa de primeiro mundo, mas não funciona porque o Hospital Mãe Luzia precisa de mais espaços”.
Socialista questiona secretária sobre alta incidência de câncer no colo do útero no Amapá, violência institucional e escalpelamento
O acesso reduzido ao exame papanicolau e a demora na entrega dos resultados é uma violência institucional”, diz Capiberibe
Em seu discurso a respeito do tema, o deputado estadual Camilo Capiberibe repassou algumas informações à secretária Ester de Paula Araújo, além de ter cobrado um avanço mais contundente nas políticas públicas para as mulheres do Amapá. “Este ano, tomei conhecimento que Macapá é o município onde mais mulheres são afetadas pelo câncer no colo do útero no Brasil. Ou seja, isso é uma violência contra a mulher, que não possui acesso ao exame papanicolau”.
O socialista disse ainda que por vezes as pessoas têm acesso ao exame, porém, “se passam longos seis meses para receberem o resultado. Considero isso um caso de violência institucional, onde o resultado é o falecimento das mulheres”. Capiberibe continuou. “As mulheres sempre têm a iniciativa de cuidarem de quem está ao seu redor, como seus filhos, mas não têm a possibilidade cuidarem de si próprias, pois falta amparo do estado”, criticou.
A secretária Esther, transferiu a responsabilidade do problema para a prefeitura. “O estado faz as campanhas de prevenção, e não pode realizar o atendimento ‘na ponta’”.
Esther confirmou mais uma vez que o governo PDT é incapaz de atender as mulheres em relação à prevenção. “Em 2007, foram atendidas 5 mil mulheres, mas em 2008 o atendimento ‘caiu um pouco’”. A secretária ainda culpou questões religiosas e supostamente machistas, que impediriam a mulher de realizar o preventivo.
“Há homens que não permitem que suas companheiras realizem o preventivo, assim como há aspectos religiosos que também não concordam com o procedimento medico”. Ester disse ainda que o resultado do exame papanicolau “realmente demora, mas em 2007 o resultado saía em até 15 dias, e o governo não pode fazer isso todos os dias, porque isso é atenção básica, é prefeitura”. A secretaria não informou os dados de 2008.
Esther de Paula culpa o presidente Lula por quebra de compromisso quanto ao escalpelamento
O parlamentar socialista Camilo recordou à secretária Ester a importância de sua Lei que foi aprovada na Assembléia Legislativa, a qual obriga a proteção do eixo do motor nas embarcações ribeirinhas do estado do Amapá. “Salvo engano, o Amapá foi o primeiro estado a aprovar uma lei desta magnitude, sancionada pelo governador Waldez”.
Capiberibe cobrou de Esther o compromisso do governo em distribuir a proteção do eixo aos proprietários das embarcações, explicando ainda que um artigo que regia a aplicação de multas por descumprimento da Lei, fora vetado. “É preciso ter alguma conseqüência, porque senão a Lei não tem efeito. Apesar de não haver a penalização pelo descumprimento havia a expectativa que o governo iria fazer a distribuição gratuita do kit de proteção até porque nós sabemos que o custo desse aparelho que protege contra o escalpelamento não é alto, mas até hoje este compromisso não foi cumprido e eu gostaria de ouvir da secretária sobre esta questão”, disse Camilo.
Ester de Paula reconheceu que havia um compromisso em fazer a distribuição dos kits de proteção do eixo do motor para as embarcações e disse que ele não foi cumprido em função de pedido do presidente Lula. “Nosso governador ia sim fazer as doações mas o presidente Lula disse, segundo Esther de Paula, ‘não distribua nada a política pública agora é federal quem vai distribuir a proteção do eixo, em fibra é o Ministério do Trabalho’”. Apesar de não parecer muito plausível que o presidente Lula tenha feito o apelo relatado pela secretária de mulheres do governo Waldez, o resultado é que nem o governo federal e nem o estadual estão tomando a única medida que realmente acabaria com o drama do escalpelamento. Esther afirmou que apesar de tudo “o governo já fez distribuição de perucas de silicone, do Renda Para Viver Melhor”, e que a prefeitura teria ofertado o passe-livre � �s pessoas vitimadas pelo escalpelamento.
“mulheres negras são as mais discriminadas” , diz Capiberibe
O deputado Camilo, terminou seu discurso recordando a Semana da Consciência Negra, e que “é preciso amparar também a mulher dentro do prisma da questão étnica. Nós somos um país, um estado multi-étnico, mas sabemos, através de pesquisas, que a parcela mas excluída são as mulheres negras. Devemos combater esta violência, trazendo a visibilidade da discussão de políticas de inclusão. Negar o acesso à mulher a um posto de comando, e principalmente às mulheres negras, é também uma violência que precisa ser combatida”.
Deputado pede política de prevenção à gravidez precoce
Em questão de ordem levantada no final das explicações da Secretária Esther de Paula, Camilo Capiberibe pediu que ela intercedesse junto ao governador Waldez para garantir que o projeto de lei de sua autoria denominado Programa de Orientação em Saúde e Atendimento Social à Gravidez Precoce e Juvenil seja implantado pelo governo do estado.
O PL tem como objetivo orientar e encaminhar as jovens amapaenses, através de políticas públicas a ações sociais a serem construídas pelo governo do estado, as quais enfatizarão os direitos das futuras mães e dos recém-nascidos.
São previstas no PL ações como o acesso efetivo à saúde da mulher e aos direitos de registro de seus filhos, o encaminhamento a órgãos que serão ligados ao programa para tratar de questões empregatícias, elaboração e manutenção de um cadastro sobre o índice sócio-econômico das mulheres, assim como de suas famílias. O projeto visa também que o programa tenha um caráter educativo prestando esclarecimentos à sociedade sobre a gravidez precoce e suas conseqüências.
Sou academica de direito da FAMAP- 2º semestre,e estamos elaborando nosso 1º trabalho interdisciplinar com tema “violencia,criminalidade e politicas publicas.” o meu grupo vai falar sobre as Mulheres que sofrem violencia no nosso estado.este artigo nos ajudou bastante a organizar nosso trabalho de campo. Ex: quem procurar e onde buscar informaçoes. VALEU MESMO.