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Sobre a CAESA: La-Rocque responde

Está no sítio do jornalista Correa Neto
Problemas da Caesa

Caro Corrêa
Convenhamos, é risível a razão apresentada pelo leitor Gilberto Lacerda Nobre para justificar sua “brusca mudança de voto”. Todos sabem que o serviço de abastecimento de água não é da alçada e, portanto, da responsabilidade da Prefeitura de Macapá. Creio sim, que o prefeito, como gestor maior da cidade, deve cobrar a solução a quem de direito, e, se for o caso, até colaborar. Uma grande contribuição seria, por exemplo, pagar a conta de água e esgoto do município em dia.
Essa questão é de inteira e plena responsabilidade do governo do Estado, acionista controlador da CAESA.
Em dezembro de 2006 escrevi um longo artigo ao jornal Folha do Amapá, esclarecendo o assunto e ao mesmo tempo pedindo providências ao atual governo. Veja só, são quase dois anos e muito pouco ou quase nada foi feito.
Gostaria de acrescentar sobre a corrosão da tubulação, que o funcionamento dos dispositivos de proteção catódica projetados e não mantidos pela CAESA, eram imperativos, absolutos e necessários para proteger e prolongar a vida útil da tubulação de aço carbono, independente de qualquer outro tipo de proteção, tais como revestimentos, pinturas, etc.
As informações repassadas à imprensa, afirmando que a “ eficiência da proteção catódica é zero quando a tubulação da adutora não possui revestimento externo isolante ou está com o revestimento em péssimo estado”, não é correta, haja vista que tecnicamente se sabe, que a proteção catódica é o único processo capaz de eliminar a corrosão eletroquímica e eletrolítica, mesmo em estruturas não-revestidas e que sua eficácia e efetividade dependem da intensidade da corrente aplicada ao material em questão.
Hoje, decorridos todos esses anos – se bem recordo, creio que a proteção foi desligada ainda no fim de 2002 – de operação da mesma sem a necessária proteção e agravado por instabilidade na qualidade da água tratada, não é difícil supor que a adutora encontra-se irremediavelmente comprometida, carecendo de substituição.
Quanto a opção aceita na época pela CAESA, aprovada pela Caixa, após estudos técnicos preliminares, para a adutora em questão, devo afirmar que o material está dentro dos que usualmente são especificados em engenharia para a fabricação de adutoras de água tratada. Outros são, no caso do Brasil, PVC, ferro fundido dúctil, PRFV e PAD. Sendo que a característica principal do Aço Carbono para adutoras de água tratada enterradas é justamente a necessidade obrigatória do sistema de proteção catódica operando, sem o qual, a vida útil da tubulação fica seriamente comprometida, a menos que a parede da tubulação seja muito espessa, isto é, maior ou igual a 10mm, o que não foi o caso da adutora projetada.
Devo esclarecer também que o engenheiro Gil Muner não trabalhava na CAESA na época em que houve a definição técnica da adutora. O mesmo, deu, posteriormente, uma inestimável contribuição na implantação e operação do Projeto Macapá Água Urgente, que duplicou a capacidade de produção e distribuição de água da cidade, na gestão Capiberibe.
O pessoal da CAESA sabe trabalhar, falta-lhes apenas o necessário apoio político, material e financeiro do governo do Amapá. Era isso que tínhamos na época em que presidi a empresa. É isso que agora estamos tendo aqui na Companhia de Saneamento do Pará.
Confesso que foi uma grande satisfação trabalhar com um governador que via e concebia – tenho certeza que ainda pensa assim – o saneamento como ação de saúde pública, vital e necessário para prevenir doenças e elevar a qualidade de vida da população.
Abraços
Sérgio La-Rocque

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