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Prefeito coincidência?

Quem será o prefeito de Tomé-Açu?

Edivalgo Mendes – O Liberal

É a pergunta que todos se fazem no município. O pleito está sub judice.
Quarenta dias depois das eleições municipais de 5 de outubro, a população de Tomé-Açu ainda não sabe ao certo quem foi, de direito, o escolhido pelos eleitores para iniciar, a partir de 1º de janeiro do próximo ano, um novo mandato à frente do Poder Executivo. Comandado pela juíza eleitoral Marines Catarina Von Lohrmamn Cruz Arraes, o processo eleitoral foi um dos mais tumultuados do Estado. Há denúncias da participação explícita de um delegado de polícia em favor do candidato a prefeito pelo PMDB, Carlos Vinícius. O policial já está sendo alvo de investigação por parte da corregedoria da Polícia Civil. Além disso, choveram denúncias de abuso do poder econômico e captação ilícita de votos.
Ao final, votos contados, o povo de Tomé-Açu foi surpreendido com o assassinato do vereador mais votado, Raimundo Sampaio. Adversário declarado de Vinícius, ele foi abatido a tiros no centro da cidade. Para completar, uma revolta popular, logo depois do crime, resultou na destruição dos prédios do fórum da comarca e da delegacia de polícia.
Oficialmente, o pleito está sub judice, como informa o chefe do cartório da 39ª Zona Eleitoral, Dimiitri Maia Pinheiro. A pendência fica por conta de uma ação de impugnação de pedido de registro de candidatura contra a empresária de comunicação Ilda Kiyoma Takeda Bezerra, incluída no final do prazo eleitoral como vice-prefeita na chapa do candidato a prefeito pelo PMDB, em substituição ao marido dela, José Alves Bezerra, que havia sido excluído pela Justiça Eleitoral por ter sido condenado pelos tribunais de Contas do Estado e dos Municípios – em decisões irrecorríveis -, por desvio de dinheiro público.
Como não seria possível protelar o andamento da ação ajuizada pela coligação ‘Tome-Açu no Rumo Certo’, da qual fazia parte o atual prefeito Francisco Eudes (PSDB), então candidato à reeleição, só na manhã da última quinta-feira é que uma advogada do PMDB esteve no cartório eleitoral para receber a notificação de que a candidata ao cargo de vice teria sete dias, a partir daquela data, para contestar o pedido de impugnação de registro de candidatura de Ilda Bezerra.
Para o advogado Valber Motta, autor do pedido de impugnação, a tarefa será difícil – ‘senão impossível’ -, para Ilda Bezerra provar que estava apta a disputar legalmente eleição em 5 de outubro. ’Sócia administrativa da Rádio Educadora do Vale do Acará, ela não se desincompatibilizou do cargo para a disputa. Pior ainda, na condição de administradora daquela emissora, recebeu os ofícios das coligações que disputaram as eleições em Tome-Açu, assinou cheques de conta jurídica da rádio, movimentada exclusivamente por ela, e recebeu verba pública, para divulgar atos da Câmara Municipal’, relaciona Motta. ’É uma questão de direito líquido e certo. Estamos tranqüilos da vitória. E enquanto o pedido (de impugnação da vice do candidato do PMDB) não for julgado, Tomé-Açu ainda não tem oficialmente um prefeito para governar a partir de 2005′.
Depredação - Com a destruição do prédio do fórum da comarca de Tomé-Açu, foi queimada pelas chamas uma representação eleitoral, proposta pela coligação ‘Tomé-Açu no Rumo Certo’, que por si só seria suficiente para impugnar não só a chapa majoritária da coligação encabeçada pelo PMDB. Sob o comando do candidato a prefeito Carlos Vinícius e do seu então vice José Alves Bezerra, houve no dia 28 de junho passado um showmício intitulado ‘Convenção do PMDB’, que teve atrações nacionais, como o travesti Lacraia e o DJ Maluco. Mais de 50 ônibus foram alugados para levar gente para a praça Lauro Kato, localizada no centro do distrito de Quatro Bocas. Houve ainda distribuição de camisetas, faixas e bandeiras e de 3 mil lanches. O showmicio foi anunciado de forma intensa por toda a cidade.
‘Tudo foi feito de forma escancarada, sem nenhum respeito à legislação eleitoral’, afirma o advogado Válber Motta, que está retomando a ação junto à 39ª Zona Eleitoral. ’Enquanto no país inteiro os partidos políticos procuraram ao máximo respeitar a legislação eleitoral,, em Tomé-Açu ela foi rasgada pelo PMDB, que, com mais 14 partidos, fez uma única convenção partidária para louvar o candidato a prefeito Carlos Vinícius. E se o comício já foi uma aberração eleitoral, nos dias que se seguiram o abuso de poder econômico foi pior anda: para um universo de 32 mil eleitores, o candidato do PMDB contratou 45 carros-som, alugou outros 400 veículos e distribuiu 50 mil bandeiras’, acrescentou Motta.
Durante a campanha, Válber disse que houve ‘farta distribuição de cestas básicas, material de construção e dinheiro, além de muita violência, que incluiu um atentado contra o vereador Bruno Spinasse e o assassinato do vereador eleito Raimundo Sampaio’.
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