Filme aborda o ofício milenar de carpintaria naval tradicional na foz do Amazonas
O curta-metragem “O Barco do Mestre” do documentarista canadense Gavin Andrews, radicado no Amapá há 8 anos, terá sua premiere no domingo, dia 16, na 13a Mostra Internacional de Filme Etnográfico no Rio de Janeiro. O filme foi produzido no âmbito do Etnodoc 2007 – Edital de apoio a documentários etnográficos sobre patrimônio imaterial. Alô, alô Amazônia (2007), outra produção recente de Gavin Andrews, também será exibida na Mostra.
Entre os meses de julho e setembro de 2008, o documentarista e seu equipe percorreu a foz do rio Amazonas entre Pará e Amapá registrando uma das profissões mais antigas e também das mais importantes na Amazônia: a carpintaria naval.
A expedição resultou num filme de beleza artesanal. O Barco do Mestre é um retrato do ofício de homens simples e trabalhadores, encontrados em Breves, Vigia e Abaetetuba, no Pará – os pólos principais da produção desse tipo de embarcações da região. No lado do Amapá, o filme nos leva ao Elesbão, comunidade estruturada sobre palafitas construídas na margem do rio Amazonas, que tem na fabricação de barcos sua principal fonte de renda, chegando a produzir uma média de dez barcos por mês em seus mais de uma dezena de estaleiros.
O documentário nos apresenta homens que, mesmo sem ter certeza da continuidade da profissão e ganhando na maioria das vezes apenas o suficiente para garantir a sobrevivência da família, não escondem a paixão quase de menino pela construção dos barcos de madeira que emprenham a foz do maior rio do mundo, com as cores e historias muitos vivas desse povo ribeirinho.
“Quando eu coloco um barco na água, chego a ficar mais feliz do que o próprio dono” – confessa o mestre Mapará – João Ferreira, mestre carpinteiro em Abaetetuba, referindo-se a um barco de três toneladas que havia entregue ao rio e a seu dono, dias antes de ser entrevistado pelo documentarista e sua equipe.
Gaiolas, catraias, canoas, batelões, vigilengas, etc. – são tantos e de tão variados tamanhos os barcos feitos pelos mestres como os rios pelos quais navegam.
Mestres como o Seu Silas (Elesbão) e Grilo (comunidade do Cupuaçu, Barcarena), que, como a maioria desses “fazedores de barcos”, não sabem ler nem escrever, mas que são mestres no fazer e ensinar desta arte aprendidas ainda na infância, uma profissão pouco conhecida, e menos ainda reconhecida, apesar de ter mais de 400 anos no Brasil.
Etnodoc 2007
O Etnodoc é elaborado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN em parceria com a Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, premiando na sua primeira edição em 2007 15 projetos de vídeos etnográficos sobre patrimônio cultural imaterial em todas as regiões do país. O projeto é patrocinado pelo Petrobras e pelo Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal. Os documentários farão parte da grade de exibição da TV Brasil e irão compor o acervo do Museu do Folclore Nacional.
A expectativa é que O Barco do Mestre seja lançado ainda este ano no Amapá, na comunidade do Elesbão.
- O Barco do Mestre
16 de novembro, 18h
- Alô, alô Amazônia
17 de novembro, 16h
No Cinema Espaço
Parque do Museu da República
Rua do Catete 153, Rio de Janeiro
Parabens Gavin, com toda certeza O Barco do Mestre é mais um sucesso, assiste Alô, Alô Amazônia e adorei, voce merece. Forte abraço.