Leandro Martins
Brasília – A rotina de acidentes que provocam escalpelamento nos passageiros de embarcações começa a mudar nas águas de Macapá. É o que afirma Maria Trindade Gomes, uma das coordenadores da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Amapá. O escalpelamento acontece quando cabelos, couro cabeludo e até partes do rosto são arrancados ao se enroscar no eixo descoberto dos motores de barcos que singram pelo Rio Amazonas, nas imediações da capital do Amapá. Um projeto de lei da deputada Janete Capiberibe(PSB-AP), que obriga os barcos a utilizarem uma proteção no motor para evitar o escalpelamento já foi aprovada pela Câmara de Deputados e tramita agora no Senado Federal.
“Graças a Deus reduziu muito, porque eram cinco, seis acidentes por mês”, comemora Maria Trindade, ela própria vítima desse tipo de desastre, que expõe a insegurança no transporte marítimo de passageiros no município. “Hoje, vai fazer três meses que a gente não tem um acidente aqui dentro de Macapá.”
Somente no estado do Amapá, já foram registrados 1,4 mil acidentes com vítimas. Apesar das campanhas de prevenção, até a metade deste ano, uma média de duas pessoas – quase sempre meninas com cabelos compridos – eram escalpeladas a cada mês.
Mesmo com a redução do número de acidentes em Macapá, Maria Trindade diz que ainda é cedo para falar em “escalpelamento zero”. Isso porque, acrescenta, não é possível controlar tantas embarcações que navegam nas imediações da capital do Amapá.
Maria Trindade destaca que as campanhas de prevenção estão dando resultados. “Tivemos o mês de combate ao escalpelamento, em agosto, quando conseguimos abordar vários barcos com eixo descoberto, com crianças perto.” Além disso, segundo ela, a Marinha também tem ajudado nesse trabalho. “A Marinha encontra uma lancha com 30, 40 crianças, pede para parar e a gente distribui toucas para que elas prenderem o cabelo.”
De acordo com o capitão-de-mar-e-guerra Cléber dos Santos, da Capitania dos Portos do Amapá e do Pará, a Marinha também apreende as embarcações com o eixo descoberto. “Apreendemos a embarcação até que o proprietário cubra o eixo. Na hora, a gente fornece o material para cobri-lo e só depois que o eixo estiver coberto é que ele pode prosseguir. A cobertura do eixo é muito simples, com madeira, prego e serrote se resolve isso.
Um protetor feito em metal, para o eixo e as partes móveis do motor, está sendo fabricado no Rio de Janeiro para distribuição gratuita aos barqueiros. De acordo com a secretária extraordinária de Política para Mulheres, Ester de Paula Araújo, o custo do equipamento vai ser dividido entre os governos federal e do estado do Amapá, mas ainda não há previsão para a sua distribuição.
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