Lúcio Távora/Folha
Senadores do PMDB discutem nos subterrâneos a hipótese de deflagrar um movimento para apear Michel Temer (SP) da presidência do PMDB. Argumenta-se que, se eleito presidente da Câmara, Temer deveria abrir mão do comando partidário.
Dois nomes freqüentam a lista de potenciais substitutos: Romero Jucá (RR), líder de Lula no Senado, e José Sarney (AP). Visto como favorito na disputa pela cadeira de Arlindo Chinaglia (PT-SP), Temer está na bica de se converter numa espécie de superdeputado.
Prevalecendo na sucessão interna, acumulará as presidências da Câmara e a de um vitaminado PMDB. Daí a ciumeira.
Coisa parecida só aconteceu na última metade da década de 80. Nessa época, a figura lendária de Ulysses Guimarães desfilava por Brasília como tríplice presidente.
Além da Câmara e do PMDB, Ulysses presidia o Congresso Constitutinte e planava sobre o governo de José Sarney como eminência parda.
Há um mês e meio, sem alarde, A Executiva Nacional do PMDB decidiu prorrogar por um ano os mandatos dos atuais dirigentes do partido.
Com isso, a presidência de Temer, que terminaria no primeiro trimestre de 2009, foi esticada até março de 2010.
Significa dizer que, noves fora o comando da Câmara, Temer vai segurar as agulhas que coserão o véu que o PMDB vai envergar em 2010.
Convertido em “namoradinha” da sucessão de Lula, a tribo dos peemedebês oscila entre o vermelho do petismo e o azul do tucanato.
Enquanto inventaria os dotes, o partido se faz de difícil. Desconversa com o lero-lero da candidatura presidencial própria.
Temer não é Ulysses. Mas, embora tenha concordado com a prorrogação do mandato do deputado, o PMDB do Senado dá sinais de arrependimento.
Submetido à pregação dos senadores, Garrincha perguntaria: combinaram com os russos?
Uma troca de chefia no PMDB passaria pela renúncia de Temer. E uma saída voluntária do gramado é coisa que não passa pela cabeça do ‘russo’ paulista.
Em privado, Temer considera –vaga e hipoteticamente— a idéia de se licenciar da presidência do PMDB caso venha a comandar a Câmara.
Neste caso, o leme partidário passaria às mãos da deputada federal Íris de Araújo Rezende (GO), primeira vice-presidente do PMDB.
O principal atributo político de dona Íris é o matrimônio que mantém com o prefeito reeleito de Goiânia, o homônimo Íris Rezende.
Ou seja, na prática a interlocução de 2010 continuaria passando pelo gabinete de Temer.
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