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Camilo fala pela primeira vez desde eleição

Leia a seguir o primeiro discurso de Camilo Capiberibe na Assembléia Legislativa sobre as eleições deste ano.

Ganhou o candidato mas perdeu a democracia

Poderia começar este discurso dizendo que fomos vencedores, mas não vou cair no lugar comum. Nem sempre uma eleição tem relação com a outra e o desempenho mostrado em 2008 não significa que o projeto da oposição sairá vencedor em 2010. Por outro lado tampouco quer dizer que quem ganhou 2008 vai ganhar 2010 e a história recente do nosso estado está aí por testemunha. Qualquer reflexão honesta sobre o processo eleitoral deste ano precisa se concentrar em avaliar os erros e acertos cometidos durante o pleito e enxergar os resultados com humildade.

Acho que tomamos as decisões corretas. Construímos uma aliança clara, fizemos uma campanha limpa com propostas inovadoras e renovamos o espectro de lideranças da esquerda. A eleição da Cristina e a reeleição do vereador Clécio mostram que o povo de Macapá apostou no novo, e não obstante termos nominalmente perdido, ampliamos nosso percentual de eleitores na capital para 48.35% e colocamos em cena novos atores que estarão ocupando os espaços políticos num futuro nem tão distante o que só pode ser positivo do ponto de vista da oposição e da esquerda.

Do ponto de vista da chapa majoritária, eu e Randolfe lutamos primeiramente contra a desconfiança que pairava sobre nossa viabilidade eleitoral colocada dentro do PSB por parte minoritária mas representativa que ao final terminou não se envolvendo diretamente na campanha. Se isso por um lado desfalcou o comando de campanha por outro permitiu uma saudável renovação na própria condução do processo eleitoral. Em segundo lugar tivemos que vencer o desconhecimento sobre o meu nome e o do Randolfe que apesar de ser mais conhecido também precisava ser melhor apresentado. Traduzimos as idéias, princípios e sentimentos que nos animavam e representavam a Frente Pela Mudança para um curto tempo na televisão e compensamos com uma grande campanha de mobilização popular.

Com esta receita simples mais o lastro histórico da militância do PSB e das esquerdas chegamos ao segundo turno. E foi necessário então redefinir as estratégias. Qual seria o nosso caminho, senão continuar apostando, como o fizemos, na mudança? Não existia outro caminho honesto e coerente. As alianças só poderiam ser as que se situavam no campo da mudança e/ou da independência. As propostas que apresentamos particularmente o Bilhete Único, a Banda Larga e a Merenda Regionalizada estavam bem sedimentadas na cabeça do eleitorado logo era necessário manter a coerência e bater na componente política da decisão a ser tomada pelo eleitor: a mudança. E, batemos.

Então porque perdemos? Ouço aqui e ali avaliações que tentam responsabilizar ora a política de alianças, ora o conteúdo da campanha de televisão do segundo turno e, como já deixei claro, não consigo me convencer com os argumentos. Acho que agimos corretamente e perdemos menos para nossos erros do que para o acerto amplo da estratégia do adversário que encarou o segundo turno como uma “guerra na qual o adversário tem que sangrar”. Sinceramente, esta não é a minha concepção de política partidária nem de democracia e nem muito menos de campanha política eleitoral e não considero que fosse possível vencer o jogo da mentira, do golpe abaixo da cintura, do crime eleitoral que não fosse usando as mesmas armas, o que até poderia ter nos levado à uma vitória, mas a pergunta que deve ser feita é: a qual preço?

Não foi uma suposta boa avaliação do governo do estado nem a igualmente suposta rejeição do PSB exploradas em uma comparação esdrúxula e enfadonha a arma fundamental da vitória. O povo não foi as urnas e nem teria ido pensando no desempenho do governo do PDT pois se tivesse o resultado certamente seria a derrota. A estratégia do senador Sarney teve um grande mérito que foi o de criar um ambiente de enorme confusão. A confusão criada foi menos decisiva que o ambiente que propiciou para que cabos eleitorais pagos espalhassem toda a sorte de boatos diariamente nos quatro cantos da cidade. Compra de bandeiras amarelas e de consciências, utilização incansável dos meios de comunicação para achincalhar um lado e defender o outro. É aqui que entra o ponto alto da estratégia vencedora: a desinformação, o clima de guerra e agressividade, a intimidação. Não acho que uma vitória, por maior que fosse a nossa vontade de mudar Macapá, poderia ser conquistada aviltando princípios pessoais e uma concepção clara do que é e do que deve ser a política.

Assim, é difícil compreender quem defende que a boa luta não vale a pena. Não perdemos para o nosso discurso e nem para os nossos erros. Deste lado estavam duas deputadas federais, um deputado estadual, um vereador reeleito e uma vereadora eleita. Do lado de lá estavam o Governador do Estado, a máquina governamental, o dinheiro público e os cinco mil cargos de confiança (quase a diferença de votos entre os dois candidatos). O Presidente da Assembléia Legislativa e vinte e dois deputados estaduais. Três senadores, seis deputados federais e treze vereadores eleitos, cada um com suas máquinas. Contra este rolo compressor enorme obtivemos 48.35% dos votos o que sob qualquer ponto de vista configura uma vitória moral.
Mudar significa em primeiro plano conduzir de maneira limpa, honesta e coerente um processo eleitoral. Se não formos honestos na campanha como o seremos num governo? Assistimos perplexos a um espetáculo de promessas de impossível realização: cem quilômetros de asfalto por ano, uma ambulância em cada centro de saúde, café da manhã, almoço e jantar mais cesta básica nas férias e não obstante o desejo de mudar Macapá resistimos à tentação promesseira. Seria uma utopia querer disputar e ganhar sem ter que apelar?

Em vários momentos desta campanha fui caluniado, vi a verdade ser agredida por autoridades públicas das mais relevantes e fui testemunha de que a ânsia de vencer pode ser maior do que a própria responsabilidade com o desfecho viável do processo e com a governabilidade. Roberto Góes ganhou e reconheço a sua vitória. O preço financeiro e moral desta vitória, porém, me impedem de parabenizá-lo pois assim fazendo estaria admitindo que os métodos usados foram legítimos e todos sabemos que não foram. Por isso digo que ganhou o candidato mas perdeu a democracia.

Muito obrigado

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Comentários

  1. Parabéns, Deputado Camilo! Realmente V. Excelência tem muita razão, nas conclusões que faz a respeito da sua campanha. Aqui à distância torci como nunca pela vitória do PSB. Foi com muito pesar que recebi o resultado dessa eleição. Imagino o sofrimento dos que se envolveram pessoalmente na campanha, vendo triunfar mais uma vez os adéptos da mentira, do ódio, da alienação do povo, enfim, dos que querem o poder para se locupletarem cada vez mais. Confesso que fiquei decepcionado com uma boa parcela do eleitorado daí, o qual não pensa duas vezes quando se trata de vender o voto. É lamentável. Diria até que é trágico para todo o Amapá, ser agora dirigido integralmente por essa gente. O povo daí teria dado um grande exemplo para o resto do país, caso tivesse permitido a sua vitória. Infelizmente os vendidos de sempre a impediram. Temo que o Amapá esteja sendo governado por verdadeiros GÂNGSTERS.Espero estar enganado, todavia, a ser verdade o que tenho lido em artigos de renomados jornalistas daí, é a única e triste conclusão a que chego. Cabe agora a políticos do seu naipe, os quais aí são raros, continuarem lutando pelos direitos do povo, representando bem àqueles que não se venderam (e foram muitos)e contribuindo de forma exemplar com a verdadeira democracia. VALEU DEPUTADO! V. EXCELÊNCIA VAI SEMPRE PODER OLHAR NOS OLHOS DOS SEUS FILHOS E DIZER: SOU UM EXEMPLO A SER SEGUIDO. E tal atitude, não há dinheiro que pague.

    Escrito por Gilberto Nascimento | 7/11/2008, 18:43
  2. É fácil verificar que o governador Waldez Goes, foi o grande perdedor.Comparando o resultado do primeiro turno com o do segundo turno, onde o candidato do governo venceu com a vantagem de 5.751 votos, subtraidos dos 12.000 votos de diferença conquistado por Camilo, na primeira fase, fica configurada a derrota da máquina pública e todo o aparato montado pelos governistas. Na minha avaliação, o governo do PDT, acabou!…

    Escrito por Ruy Guarany Neves | 7/11/2008, 18:46
  3. Sr.Ruy Guarany,tudo que você escreveu é verdade no final do 6 ano de governo,esse rapaz que se diz governador do Estado do Amapá,só reproduziu miséria o nosso Estado é o último colocado em tudo que uma sociedade espera que são as necessidades fundamentais para que uma pessoa possa viver dignamente,isso não ocorre o que ocorre são grupos formados em todos os cantos para roubar dinheiro público e o governador esperando a “Banda Passar”,em troca da tal “Harmonia”,para que ninguém afaste ele desse poder corrupto,espero em 2009,que ele faça pelo menos uma escolinha para os alunos do pré-ensino.

    Escrito por Alberto Almeida | 8/11/2008, 7:53
  4. A justiça do nosso Estado jamais poderá fechar os olhos para o que aconteceu nas eleições municipais de Macapá, sob pena de se desmorarilar perante a sociedade macapaense, a compra de voto foi explicita e coordenada pelos “nobres políticos de nosso ricão”, parecia até que estavão superiores a Deus intocáveis, é preciso que se respeite a legislação eleitoral garantido o exercicio da democrácia. O TRE do Amapá dará exemplo para nosso Municipio, Estado, Pais e o Mundo cassando o mandato do Nobre Dep. RG.

    Escrito por Rizonilson Barros | 10/11/2008, 10:17
  5. Parabéns Deputado pela belíssima campanha que sem dúvida reacendeu a esperança de todos os cidadãos e cidadães da cidade de Macapá que desejam viver numa cidade melhor, sem tantos problemas, que somos obrigados a enfrentar diariamente. Acreditamos sim que Macapá tem jeito, até os mais incrédulos passaram a se perguntar se não poderia ser verdade tal afirmativa de sua campanha e esse tornou-se o simbolo de que era possível acreditar na mudança, fato que embalou o sonho de tantos.Por tudo isso lhe parabenizo, as atitudes e comportamentos durante todo o processo eleitoral adotadas por você e Randolph demonstraram amadurecimento político e compromisso verdadeiro com o estado democrático de direito e com a sociedade e o bem estar coletivo.Saiba que seu desempenho nos faz acreditar na liderança política jovem, fortalecida pela luta por transformações ao lado do povo.Tenho convicção de que o PSB,PSOL e PMN foram os partidos vitoriosos desse processo eleitoral e de que a Justiça Eleitoral do Amapá vai reparar a indignidade e crimes cometidos pelo “candidato eleito” cassando-lhe o registro e repondo a verdade para a sociedade que espera que a Justiça aconteça definitivamente.

    Escrito por Sônia Solange Martins Maciel | 14/11/2008, 10:25

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