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Compra de voto no meio da rua em Macapá

Do sítio do Correa Neto

CENA I
O senador José Sarney, derrotado amplamente no Maranhão, reuniu seus seguidores e disse. “Não vou perder esta eleição aqui, de jeito nenhum”.

CENA II
O Tribunal Regional eleitoral proibiu a divulgação da pesquisa do Ibope, que deveria acontecer sexta-feira, 24, à noite no Jornal do Amapá, sob a alegação de que não sabiam onde fica o bairro São Jorge, citado na pesquisa. Eu sei: fica bem ao lado do bairro São Lázaro. Quem quiser vai lá e pergunta. Estranho é que o resultado foi dado no sábado, 25, pela manhã, com 50% a 50%. Se for isso, por que o PDT estava com tanto medo?

CENA III
Durante o debate da TV Amapá, em diversos pontos de Macapá as pessoas não conseguiam ouvir as falas do candidato Camilo Capiberibe por causa da interferência do som da Rádio Difusora de Macapá, propriedade do Governo do Estado. Por duas vezes a energia faltou, para desespero do pessoal da emissora. Foi a primeira vez que isso aconteceu.

CENA IV
Milícias formadas por marginais cercaram áreas de baixada de Macapá, compraram votos à vontade, impediram que militantes da outra coligação entrassem, trocaram bandeiras. Fez tudo o que era preciso fazer para o grupo do poder ganhar mais uma eleição, na fraude.

CENA V
Dez horas da manhã de sábado, 25, um motociclista estava parado ao lado do Teatro das Bacabeiras. Na motocicleta uma bandeira amarela, a cor da campanha do PSB. Uma camionete cor prata cabine dupla encosta e um deputado federal fala.
- Quer uma grana para trocar essa bandeira?
- Não, responde o motociclista.
- Então me apresenta um motivo para você votar nesse fdp. Insiste o deputado.
- Tenho muitos motivos para votar nele e muito mais, para não votar no seu candidato, retruca o homem da moto.
Do outro lado da rua o médico intui o que está ocorrendo, atravessa, e sem olhar quem estava no veículo diz para o motociclista.
- Resista. Não venda seu voto.
O motociclista diz que não vai vender e o deputado se dirige ao médico.
- Qual é Bira. Tá me estranhando. Eu só estou conversando com o meu amigo. O motociclista nega ser amigo do parlamentar e confirma.
- Não sou amigo dele e ele estava querendo comprar minha bandeira sim.
O irmão do médico, que é jornalista estava do outro lado da rua e atravessou. Seguiu-se uma discussão sobre ética na política e corrupção eleitoral. Não demorou muito, o deputado Davi Alcolumbre seguiu no seu carro prateado, o médico Ubiratan Silva e o jornalista João Silva ficaram conversando com o motociclista que lhes deu o endereço e o telefone, caso desejem fazer a denúncia. (Corrêa Neto em seu
site)

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