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Paraense tem menor renda do Norte

O Pará registrou em 2007 o menor rendimento médio entre todos os Estados da região Norte. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o ganho médio do trabalhador paraense foi de R$ 725. O valor corresponde a 7,3% a mais do valor apontado em 2006, que foi R$ 672. Apesar da evolução de R$ 53, essa também foi a menor expansão entre todos os Estados da região que apresentaram variação positiva

O Estado do Tocantins, por exemplo, que registrou em 2007 o maior crescimento (11,4%) da região em relação ao ano anterior, teve rendimento médio de R$ 767. Mas são os trabalhadores do Acre que comemoram os maiores ganhos. A média da renda do trabalhador acreano foi de R$ 921, seguido pelo Amapá, com R$ 904; Amazonas, R$ 849; Rondônia, R$ 846; e Roraima, R$ 758.

De acordo com o cientista político Sérgio Roberto Bacury, da Universidade Federal do Pará, essa desproporção dos números paraenses com os dos estados da região Norte se deve ao modelo de desenvolvimento concentrado nos projetos minerais. ‘O Pará é um Estado com perspectiva de desenvolvimento muito grande, e isso atrai um contingente populacional impressionante. No entanto, os projetos de desenvolvimento estão concentrados nas atividades minerais, que são poucas empresas, com menos emprego e menos renda. Então, quando se divide pela população, dá uma renda per capita muito baixa. Embora tenha crescimento de um ano para o outro, o crescimento é muito reduzido’, explica o economista.

Apesar dos indicadores paraenses serem baixos, o rendimento médio apontado no Estado é maior do que o de todos os estados da região Nordeste. A média dos ganhos da região foi de R$ 606, tendo os dois piores índices do País nos estados do Ceará, com R$ 547, e do Piauí, com R$ 546. Já Distrito Federal (R$ 1.970,00), São Paulo (R$ 1.212,00) e Rio de Janeiro (R$ 1.135,00) registraram os maiores rendimentos.

No geral, o rendimento médio do trabalhador do Norte foi o que registrou a segunda maior taxa de crescimento entre as cinco regiões do País. Entre 2006 e 2007, a média dos rendimentos aumentou 5,7%, atingindo R$ 784. Só o Centro-Oeste, que teve a maior expansão (8%), registrou R$ 1.139, superando pela primeira vez o Sudeste (R$ 1.098,00). Para Bacury, o funcionalismo público concentrado em Brasília e as atividades de agronegócio nos estados do Centro-Oeste e da Amazônia são os grandes responsáveis pela expansão dessas regiões em detrimento do Sul e Sudeste.

‘A Amazônia e o Centro-Oeste ainda são fronteiras de expansão capitalista no Brasil. Em torno do Centro-Oeste, está o agronegócio, com a agroindústria se expandindo cada vez mais no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. No caso da região Norte, além dos efeitos da Zona Franca de Manaus, que cresce à medida que o comércio interno se desenvolve, têm os projetos minerais e os agronegócio, que se expandem em torno de Rondônia, Tocantins e no Pará. Então, essas duas regiões têm uma taxa de crescimento muito mais elevada do que o restante do País. Isso vem desde a década de 80. Então, são regiões que continuam se desenvolvendo em uma taxa bastante elevada. Agora, no geral, o Pará é o que menos se desenvolve’, analisa.

A pesquisa também revela que os homens, no Pará, receberam cerca de R$ 300 a mais que as mulheres em 2007. Pelo relatório, os trabalhadores do sexo masculino tiveram rendimentos em torno de R$ 799 ante R$ 594 das trabalhadoras do Estado. Foi a maior desproporção salarial entre os sexos de todos os estados analisados nas regiões Norte e Nordeste.

Fonte: O Liberal

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