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Entre as capitais, Macapá é a única onde um candidato com menos tempo de TV lidera eleição

Mais tempo de TV alavanca candidatos nas pesquisas

THIAGO REIS

da Agência Folha

Em apenas um mês de horário eleitoral, a TV já pode ser apontada como fundamental para a mudança do cenário político nas capitais do país. Em 18 das 26 cidades, o líder nas pesquisas às prefeituras é o que possui o maior tempo nos meios de comunicação.

Levantamento nas 20 cidades onde foi possível comparar a mais recente pesquisa de intenção de voto (Ibope ou Datafolha) com aquela feita dias antes do início do horário eleitoral revela ainda mais o poder de exposição dos candidatos.

Em dez cidades, aqueles com tempo de TV maior ou igual aos adversários se mantiveram na frente, boa parte alargando a vantagem. Em outros cinco municípios, onde os candidatos com maior tempo de TV estavam atrás, eles viraram o jogo e agora são líderes.

Em duas capitais, candidatos com maior tempo de TV não chegaram a primeiro, mas subiram: Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo, e João Henrique (PMDB), em Salvador, diminuíram a distância para os líderes. Amparado por uma coligação que inclui o PMDB, Kassab é dono do maior tempo de TV e rádio em São Paulo (39% do total destinado aos quatro principais candidatos). Sua propaganda também recebe boa avaliação. Segundo pesquisa Datafolha da semana passada, o prefeito democrata tem o segundo programa mais bem avaliado entre os que acompanham o horário eleitoral –32%, contra 35% de Marta Suplicy (PT).

Em Manaus, Omar Aziz (PMN), com maior exposição que Amazonino Mendes (PTB), conseguiu diminuir a diferença entre os dois, de 42 pontos para 27. Em Vitória, João Coser (PT), com um minuto a menos de TV, manteve a distância de Luciano Resende (PPS), e o cenário ficou inalterado.

A única exceção à regra ocorreu em Macapá, onde Camilo Capiberibe (PSB) conseguiu passar à frente de Roberto Góes (PDT), que tem tempo de TV maior e apoio do primo do governador, Waldez Góes (PDT).

Para o cientista político Vitor Ferraz, da PUC-SP, a campanha na televisão é fundamental na escolha do eleitor e o impacto é sentido nas sondagens. “O candidato que tem mais tempo passa a sensação de que tem mais força política, ainda que o eleitor não saiba como é composta essa divisão.”

O professor do Instituto de Ciência Política da UnB Luis Felipe Miguel concorda. Ele diz que, se o candidato tem um tempo bom de TV, significa que está sendo apoiado por partidos grandes. “E o início do horário eleitoral coincide com a mobilização desses partidos nas ruas, colocando suas estruturas para funcionar.”

De acordo com Miguel, com um tempo maior, o candidato pode expor as propostas, fazer críticas aos adversários e apresentar as lideranças que o apóiam. “Com menos tempo, o adversário é obrigado a abrir mão de uma ou mais linhas discursivas, o que o prejudica.”

Os dois dizem, no entanto, que só a TV não é decisiva em uma campanha. “O papel do marqueteiro, de criar uma imagem, de tentar superar uma margem de rejeição, também é crucial. Por isso, a TV influencia dependendo da maneira como é usada e do que se tem para mostrar. No caso de Belo Horizonte, o apoio expresso dado a Marcio Lacerda [PSB] foi fundamental”, afirma Ferraz.

Lacerda tem como padrinhos o governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT). Na primeira quinzena de agosto, antes do rádio e da TV, ele tinha 9%, segundo o Ibope. Agora, tem 42%.

Dinheiro

Além do maior tempo de TV, Lacerda e os outros quatro candidatos que ultrapassaram os oponentes também arrecadaram mais que eles. O candidato do PSB já recebeu quatro vezes o valor doado a Leonardo Quintão (PMDB). No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB) diz ter arrecadado R$ 2,6 milhões a mais que Marcelo Crivella (PRB), que ficou para trás nas pesquisas.

Para os cientistas políticos, isso mostra o quanto o dinheiro é importante em uma eleição numa capital. “Conseguir dinheiro mostra a capacidade de um candidato se articular politicamente e isso pode refletir em votos”, diz Ferraz.

Miguel diz que o candidato com poucos recursos não se torna competitivo, pois o eleitorado, em grande medida, é desinteressado. “É importante se fazer presente. Para isso, é preciso material de campanha, estar nas ruas.” Para ele, na década de 80, havia mais diferenças entre as campanhas eleitorais, dada a criatividade dos publicitários mesmo com tempos de TV e rádio mais restritos.

“Hoje, as campanhas dos partidos que disputam de verdade uma eleição são parecidas, com o mesmo profissionalismo, marqueteiros experientes e usando as mesmas formas de pesquisa. Ter mais dinheiro e mais tempo para passar uma mensagem tem muito mais peso”, diz Miguel.

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