Elisa Estronioli e Luiz Prado
do projeto Repórter do Futuro
O que um adolescente da periferia do Brasil tem a aprender com o exército? Atirar com um fuzil? Se camuflar na floresta à espera do inimigo? Assegurar “a lei e a ordem”? Não exatamente, pelo menos para 60 participantes do projeto de cidadania e capacitação Jovem Ambiental, uma parceria do Governo do Amapá com a Prefeitura do Oiapoque.
De agosto a dezembro, esses jovens oiapoquenses aprenderão a pilotar embarcações de pequeno porte, consertar motor de popa e a fazer pão. Além disso, receberão noções de proteção ao meio ambiente e sobrevivência na selva. Tudo isso em parceira com a Primeira Companhia Especial de Fronteira do Exército Brasileiro, localizada em Clevelândia do Norte, no Oiapoque, extremo-norte do Brasil e fronteira com a Guiana Francesa.
“Nós nos aproximamos do exército brasileiro porque não temos uma logísitica de recursos humanos para exercer certas atividades, nem espaço”, justifica Maurício Brasil, assistente social e coordenador do projeto. As atividades na Companhia acontecem duas horas por dia, duas vezes por semana e são apenas parte dos trabalhos dos jovens ambientais.
A maioria das atividades se concentra em órgãos da administração municipal de Oiapoque, como a secretaria de saúde, na qual os adolescentes trabalham no setor de prevenção à dengue e à malária. Ou a secretaria de obras, onde participam da elaboração do plano diretor, têm noções de arquivismo e acompanham o trabalho dos assistentes sociais em campo. Eles também podem se envolver com o Centro Especial de Assistência Social e auxiliar na integração de jovens infratores e vítimas de abuso sexual. Muitos dos participantes do projeto, inclusive, já passaram por essa instituição.
Anualmente, 100 jovens são selecionados para o projeto, dos quais 60 participam das atividades em Clevelândia. Podem se inscrever adolescentes entre 14 e 21 anos, que passarão por uma prova de redação. O projeto privilegia candidatos de baixa renda e a inscrição no Bolsa Família é um critério utilizado durante a seleção. “Acho o projeto legal porque ajuda as crianças a saírem da rua. Muitos que entraram estavam em situação de rua”, conta Laurienne Pires da Silva, de 14 anos, que está em seu segundo ano no projeto e atualmente é responsável por organizar o cadastro de participantes do Jovem Ambiental.
Para Maurício, a preparação para o mercado de trabalho e o desenvolvimento de uma consciência social são os maiores aprendizados do projeto. “É a oportunidade de se capacitar em uma atividade que pode servir futuramente para o aumento da sua renda familiar e também e de ter noção de cidania, saber como funciona a estrutura do estado”.
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