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Artigo – Chico Bruno – O fio da história de Eike no Amapá

Por Chico Bruno*

É preciso retroceder ao ano eleitoral de 2006 para se começar a entender a relação entre Eike Batista e o Amapá, que afunilou na Operação Toque de Midas, da Polícia Federal.

Vale um parêntesis. O nome escolhido para a operação cai como uma luva, pois diz a lenda tudo que as mãos de Eike tocam vira ouro.

Eike foi levado ao Amapá por José Sarney, que como é sabido controla o Ministério da Minas e Energia. O “buana” maranhense, eleito senador pelo Amapá, é um defensor das mineradoras do país, com quem mantém laços fraternais de amizade.

Basta ver suas prestações de contas eleitorais para se ter a certeza disso.

O pai de Eike, Eliezer Batista, é um grande amigo de Sarney, talvez essa seja a razão do interesse do senador em entregar o solo amapaense para ser explorado por Eike.

Pois, naquele ano eleitoral de 2006, o empresário foi o principal doador das campanhas políticas de interesse de Sarney, incluindo a do governador Waldez.

Além disso, vale lembrar que Eike preparou uma “encenação” que virou discurso de palanque de Sarney, que tinha a sua reeleição ameaçada.

No dia 28 de setembro de 2006 se reuniram no porto de Santana o ex-ministro Silas Rondeau, apeado das Minas e Energia pela Operação Navalha, da PF, o senador José Sarney, candidato à reeleição, o governador Waldez Góes, candidato à reeleição, e o empresário Eike Batista para descerrar a placa de um requentado empreendimento no Amapá.

Coincidentemente, no mesmo setembro, uma das empresas de Eike havia ganhado a licitação para explorar, se não falha a memória, a ferrovia de Serra do Navio por 20 anos. O estranho é que na concorrência pública participaram várias empresas de Eike.

O próprio governo do Amapá informa que sete empresas participaram da licitação, sendo três pertencentes à Eike: a vencedora Acará Empreendimentos Ltda., MMX Mineração e Metálicos S/A e MMX Mineração S/A.

Também concorreram a Sólida Siderurgia S/A, Mineração Vila Nova Ltda, Tocantins Mineração S/A e Mineração Amapari.

Agora, com a Operação Toque de Midas, da PF, a engrenagem da maracutaia começa a se encaixar e a mostrar que Eike pode ter sido beneficiado de modo irregular, tanto que a empresa vencedora de propriedade de Eike vendeu a concessão logo depois para outra empresa do próprio empresário que participou da licitação.

O governo do Amapá tenta tirar o corpo fora, considerando o processo de concessão da estrada de ferro alvo da Operação Toque de Midas, da Polícia Federal, como tecnicamente normal e legal, alegando que a licitação foi acompanhada pela Justiça, como se isso fosse garantia de lisura.

O histórico de corrupção do governo do Amapá é vasto, vide as operações Pororoca e Antídoto, da Polícia Federal, que resultaram em dezenas de prisões e de processos na Justiça, por isso o caso da licitação vencida por Eike pode ser apenas a ponta de um grande iceberg.

Principalmente, por que a Procuradoria da República no Amapá informa que a operação Toque de Midas foi deflagrada após requerimento do Ministério Público Federal no Amapá e da Polícia Federal. Por meio de comunicado, a Procuradoria alega que a MMX, do grupo EBX, do empresário Eike Batista, teria sido beneficiada ilegalmente.

- O procedimento estaria ocorrendo de forma irregular, através da obtenção de vantagens por pessoas diretamente envolvidas na licitação, afirma o comunicado da Procuradoria.

Se nenhum impecilho para o prosseguimento das investigações for construído, existe a quase certeza que muita maracutaia virá a tona, principalmente no que tange a extração de ouro por uma empresa de Eike.

Os homens de bem do Amapá torcem para que não ocorra com a Operação Toque de Midas o mesmo que aconteceu com a operação Navalha, da Polícia Federal, que detectou desvio de recursos públicos na obra do novo aeroporto de Macapá, mas que teve a denúncia desconsiderada pela ministra do STJ que a considerou inconsistente.

Vale lembrar, que meses após a decisão, a magistrada foi agraciada com o título de cidadã amapaense pela Assembléia do Amapá, cuja a maioria dos deputados come nas mãos de José Sarney, que seria atingido pela denúncia do Ministério Público e da Polícia Federal, haja vista que Sarney é o autor da emenda parlamentar que destinou recursos para a obra, que era tocada pela Construtora Gautama, principal acusada da Operação Navalha, cujo cronograma de obras é muito pequeno para o volume de recursos repassados, tanto que a obra está embargada pelo Tribunal de Contas da União.

Como gato escaldado tem medo de água fria é bom que os envolvidos coloquem as barbas de molho, pois se sobrou para o bilionário Eike, o que dizer dos bagres e bagrinhos.

Chico Bruno é jornalista e mantém o sítio de notícia www.chicobruno.com.br

Siga Luciana no Twitter : www.twitter.com/lucapi

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