O Liberal
Um dos grandes avanços evidenciados pela Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher de 2006 (PNDS), na região Norte, foi o acesso de mulheres ao acompanhamento na gestação. Em 1996, 18,6% das mulheres grávidas não foram submetidas à consulta pré-natal. Em 2006, esse número caiu para 3,9%.
Outro aspecto importante, que evidencia a ampliação do acesso aos serviços de saúde, foi a redução pela metade no número de partos domiciliares. Em 1996, 15,3% dos partos ocorreram em casa. Em 2006, o percentual caiu para 7,5%. A presença de um médico nesse momento, que antes ocorria em apenas 55,1% dos partos, passou para 71,9%.
Em dez anos, a ampliação do acesso à saúde e o conhecimento de métodos contraceptivos fez com que elas reduzissem a taxa de fecundidade de 2,7 filhos por mulher para 2,2. Assim como as demais brasileiras, elas querem menos filhos e iniciam a vida sexual mais cedo.
O aumento na distribuição gratuita de métodos contraceptivos contribuiu para essa tomada de decisão. Em 1996, apenas 2,3% das mulheres com parceiros fixos da região usavam preservativos masculinos. Dez anos depois, esse percentual aumentou para 14,9%. O acesso mais amplo fez com que elas reduzissem as esterilizações femininas para 41% das mulheres em idade fértil, em 2006. No ano de 1996, as cirurgias foram realizadas em 51,3% das mulheres. A participação dos homens na anticoncepção, com a esterilização masculina, dobrou em dez anos, de 0,4% para 0,8%.
Medicamentos – A PNDS-2006 também investigou a prevalência, em mulheres férteis da região de enfermidades como hipertensão (10,1%), diabetes (1,3%) bronquite/asma (7,3%), depressão/ansiedade/insônia (8,6%), a menor incidência no país, anemia (47,2%), artrite/reumatismo (7,2%) e vaginite/vulvo-vaginite (30,2%) e o acesso a medicamentos para o tratamento. Mais de 91% das entrevistas afirmaram ter acesso aos medicamentos para o tratamento.
Desafios – A PNDS-2006 revelou que a desnutrição infantil entre as crianças da região Norte, com até 5 anos de idade, caiu pela metade entre 1996 e 2006. Em 1996, o déficit de altura x idade em crianças com até 5 anos atingia 21,4% dessa população. Em 2006, o percentual caiu para 14,6%. O déficit de peso x altura caiu de 2,5% para 0,6%.
A redução das infecções respiratórias e as ocorrências de diarréia em crianças ainda são desafios na região. Nas duas semanas anteriores à pesquisa, em 1996, 13,4% das mães afirmaram que seus filhos tiveram diarréia. Em 2006, o número de crianças com diarréia no mesmo período perguntado aumentou para 14,6%. O uso do soro caseiro foi ampliado nesses dez anos. Em 1996, 18,6% das mães utilizaram o soro. Dez anos depois, o percentual saltou para 31,7%.
Em dez anos, também houve aumento no percentual de crianças que tiveram quadros de infecção respiratória (febre e tosse) nas duas semanas anteriores à pesquisa. Em 1996, 26,6% tiveram febre e 45,7% tiveram tosse. Dez anos depois, o percentual de febre subiu para 33,8% e o de tosse para 47,1%.
Aleitamento – Na região Norte, em 2006, 1,8% das crianças nunca foram amamentadas. O Ministério da Saúde recomenda que aleitamento deve ocorrer na primeira hora após o nascimento. Na região Norte, o número de crianças que foram amamentadas nesse período, em 2006, foi maior que dez anos antes: 53,6% contra 42,7%. O aleitamento nas primeiras 24 horas após o parto, em crianças alguma vez amamentadas, alcançou praticamente a totalidade em 2006 (99,2%), contra os 80,4% apurados dez anos antes. A mediana de duração da amamentação exclusiva em crianças com até 35 meses de idade ( 3 anos) aumentou de 1,4 meses, em 1996, para 2,14 meses, em 2006.
Desnutrição – Na avaliação do estado nutricional das mães, apenas 2,8% das mulheres da região Norte apresentaram déficit de peso. A PNDS-2006 revela, também, que 41,3% delas estão com excesso de peso e 12,8% obesas. Em relação à circunferência da cintura, 50,6% delas estão com 80cm ou mais. E entre as mulheres com mais de 88cm, o percentual é de 26,3%.
O acesso à alimentação em quantidade e qualidade suficientes esteve presente em 47,0% dos domicílios na região Norte. A insegurança alimentar grave (restrição quantitativa e qualitativa de alimentos que gera fome) nos três meses que antecederam a pesquisa foi verificada em 13,3% dos domicílios, a maior incidência entre as regiões brasileiras. No meio urbano atinge a 11,8% dos domicílios, e no rural, 17,6%.
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