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Glauber Rocha e o Oligarca Sarney

O Blog do repórter Luiz Carlos Azenha
O Blog do repórter Luiz Carlos Azenha

O Repórter Luis Carlos Azenha, publicou no seu blog o seguinte post que reproduzo aqui por achá-lo muito atual e para que nós fiquemos de olhos bem abertos para que a ressaca da eleição de Sarney, que durou 40 anos no Maranhão, não se repita com outros personagens e com uma pitada dos mesmos aqui no Amapá. O vídeo de Glauber Rocha está postado aí em seguida. Clique aqui para ter acesso ao blog de Azenha- Vi o mundo – o que você nunca póde ver na TV.

Atualizado em 24 de março de 2008 às 23:31 | Publicado em 23 de março de 2008 às 15:44

Eleito governador do Maranhão em 1966, José Sarney fez uma série de promessas em seu discurso de posse. Amigo de Glauber Rocha, pediu ao cineasta que registrasse a festa. Glauber foi e fez o documentário Maranhão 66. Contrastou as promessas de Sarney com imagens da realidade maranhense de mais de 40 anos atrás.

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

Sabe-se que, desde então, o oligarca José Sarney ganhou poder, muito poder. E ficou rico. E entrou na Academia Brasileira de Letras. E é senador pelo Amapá. E tem uma filha senadora pelo Maranhão. E tem um filho deputado federal. E é o retransmissor da TV Globo no estado.

Ver este filme deveria ser obrigatório para quem pretende estudar a história política contemporânea do Brasil. Por isso subi no You Tube. Está aqui. Vai ficar melhor se você assistir ao documentário, de cerca de oito minutos, antes de prosseguir na leitura.

Olhem como estava o Índice de Desenvolvimento Humano do Maranhão em 2000. Para quem faltou na aula de geografia, é o estado grande, em vermelho, com IDH inferior a 0,650. Depois de quase quarenta anos de Sarney o Maranhão competia com Alagoas para escapar do último lugar.

Na eleição estadual de 2006, Roseana Sarney perdeu para Jackson Lago, do PDT. Em 2005, segundo dados do próprio governo maranhense, 38,7% dos habitantes do estado não tinham água encanada; 50,5% não tinham ligação com sistema de esgoto ou fossa sanitária; 40,42% não tinham coleta de lixo; 21,18% eram analfabetos de mais de 10 anos com um ano de escolaridade; 58% ganhavam até dois salários mínimos e 37,41% eram considerados “excluídos”, ou seja, estavam abaixo da linha da pobreza.

Estamos falando de um homem que apoiou João Goulart, que apoiou e foi apoiado pelos militares, que foi deputado federal e governador, que foi presidente da República, que apoiou Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula. Não estamos falando de um político qualquer. Estamos falando de um senador em quinto mandato.

Estamos falando de um homem que sobe à tribuna do Congresso brasileiro para cobrar democracia da Venezuela. Toda essa autoridade moral, política e econômica resultou num IDH que, medido pelos dados de 2004, era de 0,682, o que colocaria o Maranhão entre Honduras e Guatemala.

E isso DEPOIS de uma evolução marcante, que se deu a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso. Antes, com todo o respeito a nossos irmãos africanos, os índices sociais do Maranhão eram comparáveis ao de países pobres da África.

Se o Maranhão se deu mal, o mesmo não se pode dizer da família Sarney.Estas são as mansões da ilha de Curupu. À esquerda, a de Roseana. À direita, a de José Sarney.

Entrevistada pela revista Época, em 2000, deu-se o seguinte diálogo:

Época: Vimos miséria, governadora.

Roseana: Miséria não, pobreza.

Época: Era miséria, governadora.

Roseana: Onde?

Em entrevista à revista CartaCapital, o ex-presidente disse, sobre o Sistema Mirante de Comunicação, que construiu com várias concessões que ele mesmo, no Palácio do Planalto, por decreto, concedeu a parentes e amigos:

“Isso não é ter grupo econômico. Temos uma pequena televisão, uma das menores, talvez, da Rede Globo. E por motivos políticos. Se não fôssemos políticos não teríamos necessidade de ter meios de comunicação.”

O Brasil é mesmo um país peculiar. O país da Embraer e da Embrapa convive, no século 21, com um clã político nos moldes do…atraso do atraso do atraso do atraso.

Publicado em 21 de novembro de 2007

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Comentários

  1. O Amapá já está no páreo para disputar com o Maranhão e Alagoas o menor IDH,o homem manda mesmo até Secretária Extraordinária ele tem e por aqui não temos água para tomar banho.

    Escrito por Anonimo | 20/06/2008, 20:16
  2. Alguem sabe quanto vai custar o TREM DA ALEGRIA do Governo Waldez no mês de Junho, R$ 72.000.000,00(Setenta e dois milhões de reais),aí mano velho não sobrea dinheiro para compra de medicamentos,combustível para a policia,é importante informar que esse valor é o líquido,pois a AMPREV, não está sendo paga,é isso que os presidentes dos sindicatos deveriam observar,pois esse dinheiro terá que ser depositado e corrigido para que os funcionários tenham uma aposentadoria digna,caso contrário os servidores estarão no mesmo balaio do pessoal do INSS.

    Escrito por Anonimo | 20/06/2008, 20:33
  3. Gostei imensamente de rever este documentário feito pelo Glauber de Andrade Rocha. Depois deste trabalho com uma câmara bolex 16mm. Sarney pagou o suficiente para Glauaber comprar outra profissional de 35mm com a qual ele filmou Deus e o Diabo na Terra do Sol. Foi neste documentário que Glauber foi descoberto. Antes havia filmado o Patio, deste trabalho Glauber dizia ter vergonha e por isso, quase ninguém conhece.Quanto a história do Sarney nós brasileiros conhecemos, é um democrata que faz o bem no Amapá, por foi reeleito. Claro, passa por cima de quem atravanca seu caminho. De uma coisa ele sempre soube, a imprensa é fundamental para qualquer ser político. Vale sempre investir na comunicação, sem ela qualquer líder vai para o beléleu.
    Parabéns pelo seu blog. Viva o gênio, meu parente Glauber de Andrade Rocha.
    Daniel de Andrade

    Escrito por daniel de andrade-gaia | 21/06/2008, 9:34
  4. Oi Lu,

    O Maranhão do Sarney é pior que o Maranhão que o Sarney pegou para governar em 1966.
    A maior prova são os baixíssimos indices de pobreza e desenvolvimento humano da era Sarney no Maranhão. A contraprova é o aumento desses índices nos governos que o substituiram.
    Semana passada, vi uma matéria no “Jornal Hoje” que falava dos tratamentos inovadores da maternidade pública de São Luis. Fazia cerca de 40 anos que não aparecia nada de positivo sobre as política públicas do Maranhão, com certeza não é coincidência que isso aconteça quando os Sarney estão fora do governo maranhense. E tampouco é coincidência que esses mesmos índices no Amapá, onde há cinco anos o governo é parceiro de Sarney, tenham despencado.
    É triste saber que nosso dinheiro alimenta a fortuna de dessa gente desalmada.
    Arti

    Escrito por Artionka Capiberibe | 23/06/2008, 13:44

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