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Empresário acusado de assassinar modelo está preso

Prestígio e poder

O caso teve muita repercussão porque além de envolver uma modelo jovem e bonita, envolvia gente considerada de prestígio na sociedade amapaense: o empresário Carlos Montenegro, que fez fortuna durante a primeira gestão do governador Waldez Góes na área de vigilância, com a empresa Serpol, envolveu também Gregório Jácome, o filho do todo poderoso homem sombra do governo naquela época, Gutembergue Jácome. Foi do telefone celular de Gregório que a modelo fez o último telefonema do hotel onde estava para a família em Macapá. Mais tarde as investigações mostraram que Jácome não estava no apartamento na hora da morte da modelo.

Apesar de ser investigado por esse e por outros casos, Montenegro continuou a circular nos restritos circulos do poder amapaense, tanto é que a foto del publicada no Blog foi feita durante a diplomação dos eleitos no início de 2007, quando tomava posse o governador Waldez Góes, o senador José Sarney e deputados federais e estaduais.

Prontuário

Montenegro tem uma ficha criminal bastante movimentada. Além de ser acusado de ter tentado matar a ex-mulher Sâmia Soares Castro, com quem viveu oito anos, e o atual marido dela, Diano Portela, o empresário responde, também na Justiça Estadual, a um processo de dívida. Ele está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual por crime contra o Patrimônio Público.

Na Justiça Federal responde a pelo menos 24 processos, a maioria dívidas com INSS, a Receita Federal e o Tesouro. Na Justiça Estadual há pelo menos seis processos contra ele, arquivados, inclusive oriundos de São Paulo e Fortaleza (CE). Consta nessa relação até mesmo crime por roubo e formação de quadrilha.

Beleza e sonho interrompidos

Patrícia Melo tinha 21 anos quando morreu. Chamava atenção pela beleza que lhe trouxe vários títulos no Amapá. Tinha porte de modelo: alta, morena de olhos verdes. Foi encontrada morta no jardim do Hotel Gran Bittar, em Brasília, no dia 7 de janeiro de 2005. Ela estava hospedada no mesmo quarto com o empresário Carlos Montenegro, que afirmou em seu depoimento à policia que a jovem tinha se suicidado; na versão do empresário ele estava dormindo, acordou sonolento com os gritos de Patrícia Melo, procurou-a, mas em vão. Na versão do delegado, disse que Patrícia viajou com ele a trabalho e que a levou porque estava muito depressiva, fez isso para ajudá-la a esquecer o ex-namorado e reanimar-se. E acredita que tenha sido esse o motivo que a levou a se jogar do 14º andar do Hotel Gran Bittar.
Depois de aberto o inquérito, o empresário voltou a ser ouvido pelo menos duas vezes, uma delas, inclusive, no local do crime e os seus depoimentos foram contraditórios.

Ainda em dezembro de 2005 a polícia de Brasília desvendou o caso. O laudo pericial essencial ao inquérito para elucidar o caso comprovava que Patrícia Melo foi empurrada por Carlos Montenegro.
— Os exames comprovaram que a moça não se jogou. Ela foi empurrada por ele (Carlos Montenegro). O conjunto de peças da investigação corroborou para chegarmos a essa conclusão. Agora vamos fechar o inquérito e enviar ao Ministério Público tentar marcar logo o julgamento. Declarou o
delegado Antônio Cavalheiro, que presidia as investigações na época ao jornal Folha do Amapá.

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