O deputado estadual Camilo Capiberibe (PSB) utilizou seu pronunciamento na Assembléia Legislativa, na manhã do último dia 05, para debater notícias veiculadas por dois jornais que circularam no domingo em Macapá (Leia Agora e Diário do Amapá), e que revelaram a situação caótica vivida pelo sistema de segurança pública do estado. O socialista lamentou o abandono do setor e a tentativa do governo de esconder da população os números da violência.
Segundo a matéria assinada pelo jornalista Emanoel Reis e publicada no jornal Lei Agora, são os próprios agentes de segurança, tais como delegados e investigadores de polícia que estão denunciando a falta de infra-estrutura mínima para cumprirem as demandas cotidianas que chegam às delegacias.
Os servidores do setor de segurança atribuem o caos hoje vivido à falta de recursos financeiros e a carência de recursos humanos. Segundo eles, as poucas viaturas estariam quebradas, sem combustível e em uma análise realista, eles afirmam que o poder público não está apto em igualdade de condições para enfrentar os bandidos, porém, “não estamos dispostos a nos entregar sem luta”, afirmaram.
Camilo Capiberibe lamentou o fato de estarmos “perdendo para a criminalidade porque o governador Waldez Góes (PDT) não vem oferecendo condições para que este profissionais inibam a violência em nosso estado”, sustentou Camilo.
Dados “na gaveta”
Camilo Capiberibe reportou ainda que um funcionário da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o qual pediu anonimato aos jornais, informou que situação do setor de segurança pública é tão grave que na Secretaria de Segurança Pública foi dada uma ordem para se esconder os dados reais que comprovam o caos no setor e impedir a revolta da população.
Segundo as fontes da reportagem, delegados de polícia e agentes da polícia civil teriam revelado que 57% dos assassinatos ocorridos no Amapá não são desvendados e, uma boa parte dos que são esclarecidos o são porque familiares fazem todo o trabalho de investigação. “Veja, isto é muito sério. Como pode o governo Waldez esconder da imprensa e da sociedade as estatísticas que comprovam a falência do setor em nosso estado? A Assembléia Legislativa deve se posicionar com firmeza para tentar compreender quem ganha numa circunstância onde o estado além de não cumprir com seu papel, não quer que o povo saiba que isto vem ocorrendo”, criticou o socialista.
População investe duas vezes –
Ainda citando os jornais impressos, Camilo Capiberibe enfatizou que algumas famílias vêm ajudando os policiais, ou seja, quando não investigam por conta própria, a população paga o combustível das viaturas, além de fornecer até veículos para os agentes de segurança. O fato que chama a atenção é que os cidadãos e cidadãs amapaenses pagam duas vezes para terem ao seu alcance um serviço de polícia digno que não é ofertado pelo governo Waldez Góes, ou seja, o primeiro pagamento é feito através dos impostos, o segundo por conta própria, na hora em que se quer ver um crime elucidado.
“Eu considero isso uma vergonha. A população faz o papel que deveria ser feito pela polícia, e não por culpa dos policiais, e sim pela conseqüência de um governo incapaz que vem falindo o sistema de segurança pública do Amapá. Agora, além de pagarmos nossos impostos, temos também que pagar para complementar uma infra-estrutura deficiente em pleno sexto ano de mandato do governo PDT. Infelizmente, já percebendo uma descrença com o governo Waldez, a população começa a agir por conta própria, e isso me preocupa porque estamos nos sentindo sitiados e sem amparo do poder executivo”, afirmou Camilo.
Longe de solução
Camilo Capiberibe também relatou que a matéria deixa claro que “apenas 43% dos casos foram solucionados; isso quer dizer que de cada dois homicídios, certamente um ficará impune, e todos os jornais estão mostrando essa realidade”. O socialista citou como exemplo, o corpo da mulher que foi encontrada na Linha D do KM 09 da BR-210, na sexta-feira (01), com várias facadas pelo corpo e com o rosto carbonizado, e que até o momento não foi identificado, e sem indícios de quem cometeu o crime.
“É esta a realidade de nosso estado, e não se tem a menor possibilidade de chegarmos aos autores dessa barbaridade. Imaginem o nível de brutalidade a que se chegou em nosso estado, e o governo do estado quer esconder as estatísticas da imprensa e da sociedade”, disse, completando: “quantas pessoas não se sentem acuadas dentro de suas casas, com medo de ameaças de quem as assaltou, e o que é pior, sem o governo oportunizar uma estrutura decente para a segurança pública?”
R$ 5 mi para a Beija-Flor – o deputado do PSB finalizou seu discurso recordando do valor repassado pelo governo do estado à Escola de Samba Beija-Flor, campeã do carnaval de 2008 cantando os 250 anos de Macapá na Marquês de Sapucaí. Para o socialista, a vitória da escola de samba foi muito importante para o estado, principalmente para o setor do turismo. Porém, o que o parlamentar questiona é o valor exorbitante destinado ao desfile, e que poderia ser aplicado em áreas estratégicas do estado, como a segurança pública, no caso.
“O deputado Edinho Duarte (PMDB) disse que R$ 5 milhões foi pouco para o desfile; então eu pergunto: como podemos aceitar quando delegados e investigadores chegam às delegacias e encontram estrutura de absolutamente nada? Quero assim repudiar a atitude do governador Waldez que tenta esconder a situação de violência pública que estamos vivendo, e não é a oposição que está afirmando isto, é a imprensa que informou neste domingo à sociedade sobre a realidade da segurança pública do Amapá”, finalizou o socialista.
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