Jornal O Liberal – Edição de 04/05/2008
JAQUELINE ALMEIDA
Da Redação
Eles não tiveram oportunidade de falar pessoalmente com a governadora Ana Júlia Carepa, mas na terça-feira, 6, os bispos do Pará Dom Erwin Krautler, do Xingu, Dom José Azcona, da Prelazia do Marajó, e Dom Flávio Giovenale, de Abaetetuba, serão ouvidos por ministros, senadores e deputados federais em Brasília. Os três, ameaçados de morte por defenderem causas ligadas aos direitos humanos na Amazônia, terão uma agenda vasta na capital federal.
Pela manhã, estarão em um encontro com o ministro especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e seus assessores mais próximos da Subsecretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente. À tarde, os religiosos serão o centro das atenções em uma sessão especial na Câmara dos Deputados, mais especialmente na Comissão Permanente da Amazônia. Também vão participar senadores da Comissão de Direitos Humanos. Além dos parlamentares, devem estar no encontro os secretários de Segurança Pública do Pará, Geraldo Araújo; de Roraima, Cláudio Lima de Sousa; e do Amapá, Aldo Ferreira, além do diretor geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Correa, e do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha.
Ouvida pela reportagem de O LIBERAL, a presidente da Comissão da Amazônia, deputada Janete Capiberibe (PSB-AP), disse que a sessão é um esforço para garantir as leis brasileiras, totalmente em desuso nos territórios em que os bispos atuam. ‘É um absurdo que eles (bispos) estejam ameaçados por tentar garantir as leis brasileiras’. A deputada também alegou que nos municípios em que os bispos atuam há ‘ausência do Estado’. ‘Não podemos cruzar os braços e aceitar a omissão do Estado’, disse ela. Questionada se a sessão de terça-feira não será apenas mais uma entre as tantas que os bispos participaram, a parlamentar disse que espera que o encontro não se torne uma ‘ação banal, já que as questões que eles denunciam são muito graves’.
Além de graves, os problemas denunciados por Dom Azcona, Dom Flávio e Dom Erwin não são novidade; ninguém na próxima terça-feira vai ouvir algo que já não tenha sido denunciado, seja por reportagens, relatórios, audiências, depoimentos a órgãos oficiais e outros meios usados pelos religiosos no desespero de serem, de alguma forma, ouvidos.
Dom Erwin, por exemplo, sofre ameaças de vários lados por se posicionar a favor de uma discussão mais aprofundada sobre a construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu. Recentemente passou a denunciar, inclusive em depoimentos, empresários, médicos e políticos pelo envolvimento em redes de exploração sexual em cidades como Altamira, Anapu e outras da região da Transamazônica. O bispo não se cansa também de denunciar a impunidade no assassinado da missionária Dorothy Stang, morta por pistoleiros em 2005. Vale lembrar que um dos supostos mandantes, Regivaldo Pereira Galvão, goza de total liberdade e até o final do ano passado estava morando no Rio de Janeiro, onde, segundo um de seus advogados na época da mudança para Cidade Maravilhosa, faz tratamento para dores no joelho.
Dom Flávio também vem recebendo telefonemas ameaçadores e chegou a ser interpelado pessoalente nas ruas de Abaetetuba depois de seu envolvimento com o caso da adolescente presa com homens numa cela da cidade.O caso teve repercussão internacional e vários policiais civis, entre eles o delegado geral de Polícia do Pará, foram afastados de suas funções por causa da gravidade das violações sofridas pela menina na cela. Dom Flávio também é ameaçado pela luta contra quadrilhas de tráfico de drogas que, historicamente, usam rios de Abaetetuba para transportar drogas para o interior da Região Metropolitana de Belém.
O terceiro bispo, Dom Azcona, sempre esteve em meio às lutas por direitos humanos na ilha do Marajó, mas passou a sofrer pressões a partir de 2004 quando, após denúncias, um grupo de vereadores e empresários foi descoberto em esquemas de exploração sexual de adolescentes da cidade.
Sempre estaremos ameaçados por defender o Socialismo Moderno:Fraternidade,Solidariedade e Igualdade.
Extraido do artigo brilhante de Altamiro Borges:
“Se tenho que ser enforcado por professar minhas idéias, por meu amor à liberdade, à igualdade e à fraternidade, então nada tenho a objetar. Se a morte é a pena correspondente à nossa ardente paixão pela redenção da espécie humana, então digo bem alto: minha vida está à disposição. Se acreditais que com esse bárbaro veredicto aniquilais nossas idéias, estais muito enganados, pois elas são imortais”. Adolf Fischer, 30 anos, jornalista.